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A publicidade, o jornalismo e Cuba

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Tenho uma relação muito especial com Cuba – é um dos lugares onde mais aprendi com as pessoas. A notícia de que o isolamento imposto pelos EUA pode estar chegando perto do fim me traz de novo a sensação que tive desde a primeira vez que coloquei meus pés na ilha. Ela irá precisar de tudo durante e após a transição, inclusive de comunicação e jornalismo.

Minha amiga Flavia Marreiro, a brasileira que melhor conhece Cuba, escreveu um artigo bastante interessante sobre o assunto. Enquanto no mundo todo o modelo de jornalismo sustentado pela publicidade está em xeque, ele jogará um papel crucial na redemocratização cubana – onde a publicidade privada é proibida.

Vale ler e entender outros desafios que o país têm daqui por diante.

A comunicação na favela, do alto-falante às redes sociais

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Com edição de Raquel Paiva, a revista Viva Favela de dezembro aborda a comunicação nas comunidades, com ênfase na Maré, na Rocinha e no Alemão, refazendo uma trajetória comunicativa que vai do serviço de rádio comunitária em alto-falantes ao poder e alcance das redes sociais. Ótima leitura.

A construção da mensagem política

Um documento indispensável para compreender a relação entre mídia e política – e como a comunicação se tornou um elemento essencial do jogo eleitoral. Falo do documentário “Arquitetos do Poder” (2010), de Vicente Ferraz e Alessandra Aldé. Com direito a raríssimas imagens do primeiro horário eleitoral da história do Brasil, em 1974 (no frame que você vê abaixo, Ulysses Guimarães faz rima com o MDB, clique na imagem para ver) e várias discussões bacanas sobre essa coisa tão legal como votar.

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Ele ainda está vivo

Sua morte foi anunciada diversas vezes, mas o e-mail (ao menos como ferramenta de comunicação e drive de audiência) continua firme. Ainda mais quando solicitado: amealhar admiradores e oferecer conteúdo a eles, via correio eletrônico, ainda é insuperável mesmo na era da mídia pessoal.

Recentemente, mestre Jakob Nielsen e sua equipe abordaram boas e más práticas do uso do e-mail como instrumento comunicativo.

#pegabem?

Disclaimer: é só um exemplo, a anos-luz de distância de querer demonizar campanhas e profissionais.

Você certamente percebeu que a operadora de telefonia Vivo, como tantas outras empresas antes e também agora, de todos os setores, apostou numa hashtag para alavancar maciça ação de comunicação.

Pouca coisa resume melhor a vida on-line do que a hashtag, etiqueta criada por usuários do Twitter sem que alguém tivesse pedido. Simplesmente assim, surgiu. E é assim o mundo em rede, onde governos, empresas e pessoas têm acesso às mesmas ferramentas – nesse cenário, o controle será sempre das pessoas.

Isso um.

Dois, e recorro aqui novamente à lapidar frase de Nizan Guanaes: “Na época da comunicação total, a verdade tornou-se a maior arma de persuasão em massa.”

Pois bem: a Vivo, unilateralmente, decidiu que #pegabem. Só que não é exatamente verdade, e quem conhece a precariedade da rede de telefonia nacional sabe bem do que estou falando. Assim, tentar impor às pessoas o uso de uma hashtag só poderia dar nisso: #pegabem, na rede, virou um mote para ironizar a empresa.

Não é apenas a Vivo. Há dois anos, numa cobertura de Carnaval, a operação jornalística das Organizações Globo na internet decidiu que as pessoas deveriam usar a hashtag #globeleza não para interagir com a emissora (como, posteriormente, corretamente a rota foi alterada), mas para bombar sua programação. Resultado: só fisgou o desavisado tenista Gustavo Kuerten.

A abundância do uso de hashtags pelo marketing e pela publicidade, um fato, é muito perigosa para quem trabalha com comunicação. Não mande as pessoas fazerem aquilo que elas não estão dispostas. Muito menos num lugar tão democrático quanto o ambiente on-line.

Vida real e o mundo do MEC

O Ministério da Educação acaba de concretizar mais uma trapalhada: a partir de agora, o curso de jornalismo não pode mais ser oferecido como uma habilitação de comunicação, mas apenas como curso independente.

A segregação não tem muito alcance prático além da inevitável detecção de que estamos tratando com gente que não sabe o que acontece na vida real. Pois estamos vivenciando justamente um momento em que todas as disciplinas da comunicação (além do jornalismo, publicidade, marketing e relações públicas) caminham para a convergência e, no mercado, há clara demanda por profissionais habilitados nessas especialidades.

A decisão do MEC de isolar o jornalismo dificulta a tentativa de propor (mais) uma reformulação curricular, em nível de graduação, que possa abranger essa convergência.

Mas abnegados, como eu, seguirão firme nesse caminho e com essa disposição.

Facebook adere à narrativa de marca

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Mencionei outro dia a narrativa de marca (ou jornalismo de marca ou marketing de conteúdo – e outros sinônimos) outro dia, ressaltando que apesar de ser uma estratégia antiga (ou será que esquecemos do Repórter Esso ou do Guia Michelin?) tem sido apresentada como a última palavra em comunicação corporativa.

É bem verdade que, como tática de marketing, a narrativa de marca surge com intensidade no McDonald´s em 2004 como um coelho que o lendário Larry Light (ex-CMO da rede) tirou da cartola para reagir ao estupendo “Supersize Me”, documentário maravilhoso que colocou a marca na berlinda.

Nem nativos digitais que, a priori, não precisariam se preocupar com isso estão alheios à movimentação. É o que explica a iniciativa do Facebook no terreno do brand content – um avanço institucional no campo do “meu site não serve só pra memes inúteis”.

Coca-Cola e um mundo melhor

Um dos maiores anunciantes de todos os tempos (leia-se também um financiador do jornalismo ‘independente’), a Coca-Cola tem uma trajetória fabulosa no mundo da publicidade – e na adequação do discurso, que é comunicação, basicamente.

O povo do Brainstorm9 publicou uma linha do tempo legal desses bodes que a marca costumeiramente colocou na sala dos americanos.

Ferramentas para storytelling

Uma coleção de ferramentas para storytelling – uma especialidade jornalística que o mundo da comunicação abraçou.

Hashtag e controle do público

A publicidade e o jornalismo – ambos há muito tempo – compraram completamente a linguagem da hashtag. O “jogo da velha” está em todas as partes, da coluna de jornal à campanha institucional do banco. O Facebook já trabalha para incorporá-la também.

É uma admissão irrefutável de que o avanço tecnológico mudou o eixo da produção. Por mais que queiramos, o controle não é mais nosso, mas do público (a ex-audiência).

No caso específico da hashtag e seu triunfo como elemento agregador de conversação (e de comunicação, como mostram a reverência publicitária e jornalística ao elemento), nunca é demais lembrar que ela foi criada pelos próprios usuários do Twitter, sem obedecer a comandos ou chamamentos.

Positivamente, nosso mundo mudou.