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A internet patrocinada

Excelente artigo que analisa o risco do acesso patrocinado à web, como o que une operadoras de telefonia e o Facebook.

#pegabem?

Disclaimer: é só um exemplo, a anos-luz de distância de querer demonizar campanhas e profissionais.

Você certamente percebeu que a operadora de telefonia Vivo, como tantas outras empresas antes e também agora, de todos os setores, apostou numa hashtag para alavancar maciça ação de comunicação.

Pouca coisa resume melhor a vida on-line do que a hashtag, etiqueta criada por usuários do Twitter sem que alguém tivesse pedido. Simplesmente assim, surgiu. E é assim o mundo em rede, onde governos, empresas e pessoas têm acesso às mesmas ferramentas – nesse cenário, o controle será sempre das pessoas.

Isso um.

Dois, e recorro aqui novamente à lapidar frase de Nizan Guanaes: “Na época da comunicação total, a verdade tornou-se a maior arma de persuasão em massa.”

Pois bem: a Vivo, unilateralmente, decidiu que #pegabem. Só que não é exatamente verdade, e quem conhece a precariedade da rede de telefonia nacional sabe bem do que estou falando. Assim, tentar impor às pessoas o uso de uma hashtag só poderia dar nisso: #pegabem, na rede, virou um mote para ironizar a empresa.

Não é apenas a Vivo. Há dois anos, numa cobertura de Carnaval, a operação jornalística das Organizações Globo na internet decidiu que as pessoas deveriam usar a hashtag #globeleza não para interagir com a emissora (como, posteriormente, corretamente a rota foi alterada), mas para bombar sua programação. Resultado: só fisgou o desavisado tenista Gustavo Kuerten.

A abundância do uso de hashtags pelo marketing e pela publicidade, um fato, é muito perigosa para quem trabalha com comunicação. Não mande as pessoas fazerem aquilo que elas não estão dispostas. Muito menos num lugar tão democrático quanto o ambiente on-line.

Qual o tamanho ideal de um texto na internet?

Sempre me perguntam qual o tamanho ideal de um texto na internet, e eu acho que não há tamanho ideal. Um texto tem (ou deveria ter) exatamente o tamanho que comporta o seu propósito, nem uma linha a mais nem uma linha a menos.

Pois o Quartz, projeto na web que cobre indústria, tecnologia e economia, anunciou nesta semana recordes de audiência  (ele já detém 15% do tráfego no Reino Unido) com base numa política mais ou menos parecida com a minha.

A única certeza é que artigos entre 500 e 800 caracteres apetecem menos o leitorado porque, na visão do editor-chefe, Kevin Delaney, “são muito grandes para serem compartilhados e muito breves para serem profundos”.

O Quartz aposta, portanto, numa mescla entre curto e longo. Aparentemente, com bastante sucesso.

E viva o link externo!

Se começou matando a marca, em sua primeira semana de operação o Brasil Post (associação entre a Editora Abril e o Huffington Post) deu sinais de que manterá vivo provavelmente o viés mais libertário do projeto fundado nos EUA e espalhado pelo mundo por Arianna Huffington: o uso do link externo.

Tabu no Brasil (porque, afinal de contas, manda o usuário para um ambiente fora de seu produto), o link externo é tão democrático quanto absolutamente dentro do espírito imaginado por Tim Berners-Lee, o criador da linguagem web, de uma rede democrática, aberta e sem amarras.

Ao atuar como um agregador, é óbvio que o Brasil Post (insisto: de onde surgiu a ideia de matar a grife, meu deus) depende do link externo para sobreviver. Mas isso não é tão óbvio no Brasil, onde blog não tem hiperlink e via de regra é uma coluna eletrônica.

É triste que, em pleno 2014, comemoremos algo tão banal quanto o link externo. Não esqueço que quando Folha e Estadão trocaram links no Twitter (graças a esse que vos fala e ao solerte Rodrigo Martins, colega de velha data), lá no longínquo 2010, houve uma espécie de Terceira Guerra Mundial nas casamatas das duas empresas, concorrentes mas não inimigas.

Sinal de que, não parece, ainda engatinhamos nessa nova velha mídia.

Produção de vídeos na web

Uma coleção de dicas e links da professora Mindy McAdams sobre a produção de vídeos. Muita coisa estritamente técnica, como otimização de áudios. Desfrute.

A moda do paywall

O paywall será o grande personagem do jornalismo em outras plataformas (que não a impressa) em 2013. Até o Politico, projeto pioneiro sem fins lucrativos nos EUA, vai testar o modelo.

Ressuscitado num movimento exponencial de jornalões como The New York Times e Folha de S.Paulo, a cobrança por conteúdo web e móvel tem dado sinais auspiciosos de que seus críticos (entre os quais me incluo com orgulho) provavelmente se equivocaram.

Paul Gillin discorre mais sobre o tema num texto obrigatório para quem tenta entender a mudança do ecossistema informativo.

Os hábitos do brasileiro na rede

O IVC (Instituto Verificador de Circulação) soltou um estudo valioso sobre os hábitos de navegação e consumo dos brasileiros na internet.

O material pode ser baixado gratuitamente [PDF] e, ainda que exclua buscadores e redes sociais, tem indicativos interessantes sobre onde estamos e para onde vamos.

O avanço do mobile

É possível que a linguagem mobile – para onde tudo rumará e todos nós trabalharemos – invada também o ambiente web?

Aparentemente, é essa a aposta do New York Times, para quem inovação é mais do que busca por soluções: é institucional.

A economia dos aplicativos

A web ainda não acabou, como previu Chris Anderson, mas é inegável que a navegação está migrando – muito graças aos dispositivos móveis.

Meu amigo (todo corintiano é meu amigo) Carlos Merigo recebeu Cris Dias, Saulo Mileti, Alexandre Maron e Leonardo Dias para discutir a economia dos aplicativos.

A conversa, de cerca de uma hora e meia, é bastante interessante e com insights legais. Desmistifica, por exemplo, o grosso dos aplicativos que, na verdade, são apenas uma casca com uma releitura de html (ou seja, a boa e velha web).

Ah, uma bela dica de busca dada no podcast para se descobrir aplicativos novos e criativos “top dez aplicativos para…” ou “top ten apps”. Pergunte ao Google e seja feliz.

Hoje, dos dez aplicativos mais baixados, nove são jogos. Isso dá um indicativo claro de para onde está caminhando a plataforma que, quis a Wired, substituiria a web (sobre isso, aliás, Michel Lent fez uma boa apresentação recentemente).

Como sempre, calma lá.

Como assim, vendemos papel?

A partir das 10h de amanhã, Victor Navasky faz palestra na ESPM (rua Joaquim Távora, 1.240, em São Paulo).

Ex-editor da combativa (e de oposição) revista The Nation, Navasky é assertivo ao garantir que o jornalismo na internet não pode substituir uma revista de opinião como a que a ajudou a notabilizar e qulificar nas três décadas em que trabalhou por lá.

“O papel da pequena publicação de opinião, numa sociedade democrática, é realizar o jornalismo interpretativo na extensão que for necessária, explorar ideias intensivamente, não nessas frases curtas. Estamos na era do Twitter e do jornalismo tecnologizado, e as pessoas dizem que a crítica da imprensa está on-line. Mas você a recebe em mensagens de 140 caracteres”, exagera o jornalista.

A web (ou os aplicativos, seus derivados) é apenas um suporte, que comporta do livro aos 140 caracteres. Ali fazemos o jornalismo que queremos fazer. Sem amarras. É isso que parece ainda não ter sido compreendido.

Por Navasky, é compreensível: à beira dos 80 anos, ele é de pelo menos duas gerações atrás e viu todo esse avanço tecnológico aparecer de repente – eu próprio, com metade da idade, passei parte da minha existência num mundo cuja única tela era da TV.

Admitir que o jornalista não vende papel é um passo para entender como nossa vida mudou.