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Um panorama devastador para a mídia impressa

Os números mais recentes do IVC, o instituto que audita a circulação dos jornais brasileiros, são devastadores para essa mídia. Está tudo vermelho na passada de régua do primeiro semestre.

Líder no segmento com 320.428 exemplares diários de média (182.046 impressos), a Folha de S.Paulo experimentou uma queda de 12,2% – 14% na operação digital.

O Globo, agora, com 312.683, figura na segunda posição, seguido do popular mineiro Supernotícia (299.415). Só então aparece o quatrocentão O Estado de S.Paulo (229.180, destes 152.787 em papel).

Todos os jornalões perderam leitores nas versões digitais – nesse quesito, Supernotícia (17,5%), Zero Hora (33%), Correio Braziliense (110%, mas claramente a base era bem menor), Valor (9%), Gazeta do Povo (230%, idem ao CB) e A Tarde (8%) puseram mais gente pra dentro nos serviços on-line.

E vida (dura) que segue.

Os hábitos do brasileiro na rede

O IVC (Instituto Verificador de Circulação) soltou um estudo valioso sobre os hábitos de navegação e consumo dos brasileiros na internet.

O material pode ser baixado gratuitamente [PDF] e, ainda que exclua buscadores e redes sociais, tem indicativos interessantes sobre onde estamos e para onde vamos.

Circulação de revistas cai quase 5% no Brasil

O meio revista no Brasil não teve um bom 2012: a circulação dessas publicações caiu 4,6% no ano passado no Brasil.

Para o IVC, o número não representa a realidade, pois faltam dados das edições digitais que nem todas empresas repassaram.

A conferir.

Circulação de jornais impressos aumenta – graças ao digital…

Não valeu: a ANJ anunciou com pompa que a circulação dos jornais brasileiros cresceu 1,8% em 2012.

Estaria tudo ótimo se dentro desse número não tivessem sido incluídas as edições digitais – que, juntas, representaram 3,2% dessa mesma circulação total.

Ou seja: a entidade patronal está recorrendo a uma maquiagem para dourar a pílula do jornalismo impresso.

Impresso e digital, numa única cumbuca

Faz sentido: já há algumas semanas a Folha de S.Paulo acrescentou à circulação diária que aparece na primeira página do jornal a quantidade de edições digitais baixadas por assinantes. São cerca de 300 mil exemplares em papel, mais quase 30 mil nas versões web e tablet, segundo dados divulgados em fevereiro (e relativos a 2011).

A prática está prevista pelo IVC (Instituto Verificador de Circulação) e já vem sendo adotada por outros veículos – talvez apenas com menor publicidade.

O modelo de “paywall poroso”, no qual o usuário tem acesso limitado a textos (ou seja, trata-se de um paredão de conteúdo pago com alguma flexibilidade), ao que parece está dando bons resultados.

Mas a venda de edições digitais em tablets, mais ainda, o “truque” de somar essas vendas ao impresso, foi responsável pelo crescimento das vendas dos jornais nos EUA.

Nova classe média impulsiona venda de jornais no Brasil

Mais uma vez o bordão “é a nova classe média” serve de explicação, agora para o satisfatório resultado dos jornais impressos brasileiros, que em 2011 registraram um consumo 3,5% superior ao de 2012.

O detalhe aí é que foi a venda de jornais populares (os que custam menos de R$ 2) o que garantiu o fechamento (e num belíssimo azul, dadas as circunstâncias) positivo da mídia impressa.

Sabíamos, e faz tempo, que a ameaça ao jornalismo em papel (realidade na Europa e nos Estados Unidos) ainda está longe de acossar nações emergentes como a nossa.

Dados como os revelados agora mostram exatamente o ponto.

 

Folha e Super Notícia encabeçam vendas

Saiu o IVC de novembro, com Folha (311,4 mil exemplares em média), Super Notícia (311,1 mil) e O Globo (282,1 mil) nas primeiras posições.

Mais informações na própria Folha, para assinantes.

Só jornal esportivo evita queda na circulação

Só o diário esportivo Lance (quem diria), entre os principais jornais brasileiros, teve incremento em sua circulação em fevereiro deste ano _a comparação, em cima de dados do IVC, é sobre janeiro e também fevereiro do ano passado.

Os dez jornais de maior circulação tiveram queda de mais de 6% no número de exemplares entre um ano e outro. A Folha de S.Paulo, líder nacional há anos, circulou 6,6% menos do que em 2008, chegando a 297.581 exemplares.

Nem o fenômeno Supernotícia, popular mineiro que usa a fórmula futebol-crime-mulher, escapou da depressão: após crescer fantásticos 27% em 2008, o periódico _o segundo em circulação no Brasil_ caiu 3,3% sobre janeiro de 2009 e 4,7% sobre o ano passado.

É a crise.

ATUALIZAÇÃO: Cláudio Garcia, assessor de comunicação do Instituto Verificador de Circulação (IVC), escreve nos comentários para retificar este post. Ele diz que os dados do instituto mostram que outros três jornais brasileiros tiveram aumento de circulação em fevereiro: Correio do Povo (RS) (0,3% em relação a janeiro/09 e 2,5% sobre o ano anterior), Zero Hora (RS) (3,23% em relação ao ano anterior) e Meia Hora (RJ) (3,56% em relação ao ano anterior.