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A internet patrocinada

Excelente artigo que analisa o risco do acesso patrocinado à web, como o que une operadoras de telefonia e o Facebook.

O organizador do caos informativo

A revelação de que quase 60% do tráfego de grandes sites noticiosos nos EUA provém de homepages e capas internas é uma forte evidência de que o critério jornalístico ganha, não perde, relevância quanto mais a tecnologia permite a todo mundo ser seu próprio editor.

A expertise jornalística na hierarquização e avaliação de notícias é algo que interessa e muito aos que estão envolvidos com a nova esfera pública de manifestação. Ainda que seja para discorrer negativamente em seus foros de discussão.

Nosso trabalho caminha celeremente nessa linha: um organizador do caos informativo.

Modelo aberto do Guardian é um fracasso, diz jornalista

Autora do livro “The Revolution will be Digitised”, Heather Brooke se desencantou com o modelo “open journalism” do Guardian, antes saudado por ela própria como a salvação do ofício.

Significa que Brooke pulou o muro em direção aos defensores dos paywalls, a cobrança por conteúdo em meios on-line – um dilema de nossa era, cobrar ou não cobrar.

“É um modelo de negócios fracassado, as notícias não são de graça”, decretou a jornalista e escritora.

É por isso que o modelo poroso, que permite uma quantidade definida de acessos antes de mandar a conta, parece ser o mais equilibrado e passível de promover o necessário ajuste de relações consumidor-mídia no que diz respeito sobre o valor de nosso trabalho.

A desimportância das homepages, revisitada

Um novo levantamento nos Estados Unidos traz a última quantificação sobre a (ir)relevância das home pages para alavancar a audiência de fatos noticiosos.

Na média, 75% dos acessos ocorrem de fontes externas e, portanto, apenas 25% dizem respeito a notícias que o usuário viu na página principal e teve interesse em clicar.

Partindo desse ponto, a Associação Mundial de Jornais comenta o barulho provocado pela capa da última edição impressa da revista Time e diz que, entre as revistas, a primeira página ainda é a rainha.

Jack Lail fala sobre o assunto (o hábito das primeiras páginas) num post bastante recente.

Quando a internet arregou


“Se você procura informação, TV e radio têm noticiário mais atualizado. Muitos serviços noticiosos não estão disponiveis por causa da altíssima demanda. Abaixo, cópias em cache de versões de sites de notícias conforme atualizações realizadas anteriormente”.

O recado da página inicial do Google em 11 de setembro de 2001 era claro: a internet abrira o bico. A ponto de recomendar que você fosse atrás da mídia tradicional.

Haverá uma segunda vez?

Cadastro de meio bilhão de pessoas é a fortuna do Facebook

É exagero dizer que Mark Zuckerberg “conectou as pessoas”, como andamos lendo e ouvindo por aí. Estamos conectados há pelo menos 40 anos. A questão do Facebook é que o produto soube aproveitar a popularização do acesso, transformando-se num ator relevante dessa mudança.

Os dispositivos móveis são, hoje, os maiores responsáveis pela inclusão digital em boa parte do planeta. No Brasil, só 32% da população acessa a internet, mas 86% tem um telefone celular (o dado é da pesquisa Global Media Habits 2010).

A rede social é a primeira atividade na web de muita gente. No Brasil, quantas pessoas não se converteram em internautas para ter um perfil no Orkut? Terceiro site mais acessado do país segundo o Alexa (o Facebook é o 10º no mesmo ranking), constitui, talvez, o maior desafio de Zuckerberg.

A virada na Índia foi crucial para que o Facebook rompesse, em julho, a barreira de 500 milhões de associados -hoje, já bate na casa de 519 milhões. A página é a terceira mais visitada pelos indianos, enquanto o Orkut ocupa a oitava posição.

O mercado do segundo país mais populoso do mundo (1,2 bilhão de pessoas) é tão promissor quanto o da China, o primeiro. Só 7% da população da Índia usa a web. Enquanto isso, 41% tem algum dispositivo móvel -de onde, é claro, atualiza seu status em redes sociais.

Com uma trajetória dessas, é natural o Facebook virar livro, depois filme, e Zuckerberg ser escolhido O Homem do Ano pela “Time” -ainda que o protagonismo de Julian Assange e seu WikiLeaks, na reta final de 2010, tenha feito muita gente pensar na inadequação da escolha feita pela revista.

As redes sociais já foram consideradas perda de tempo e, em alguns ambientes, como o mundo corporativo, a resistência ainda é real -continua, em muitas empresas, a prática de bloquear páginas consideradas “recreativas” (entre as quais as de relacionamento).

Visão estreita e pessoal: o Facebook é uma máquina de fazer dinheiro porque tem o bem mais valioso: um cadastro de meio bilhão de pessoas que deixam dentro dele, a todo instante, algum tipo de conteúdo. É, também desse ponto de vista, um grande projeto colaborativo.

(Texto de minha autoria publicado quarta-feira _só para assinantes_ no caderno Tec da Folha de S.Paulo)

Incrível, mas aparentemente real: 100% dos brasileiros conectados estão em redes sociais

Pesquisa do Ibope realizada em setembro em 11 regiões metropolitanas do Brasil confirma dado impressionante que a Nielsen já tinha detectado: praticamente todos os internautas do país acessam redes sociais _a fatia das classes A e B somadas é idêntica à da C, 45% (10% desse público pertence às faixas C e E).

Apresentação de Juliana Sawaia resume o poder de penetração dos sites de relacionamento em nossas paragens. Realmente impressionante.

Finalmente um golpe de mestre dos jornais

A ANJ (Associação Nacional de Jornais) anunciou sexta-feira no Rio, no encerramento de seu congresso anual, que está negociando com agregadores estímulos para que os internautas busquem notícias diretamente nos sites que os hospedam.

“Nossa meta é buscar formas adequadas de remuneração de nossos conteúdos, para que o jornalismo de qualidade continue a desempenhar o papel que tem e sempre teve em sociedades democráticas”, disse Judith Brito, presidente da entidade.

Como seriam essas “formas adequadas”? Ainda não sabemos ao certo, mas discute-se a redução dos textos exibidos em agregadores (como o Google News) e critérios de indexação que consigam distinguir entre o que pode ou não ser exibido por meio do Protocolo de Acesso Automático a Conteúdo.

Toda essa discussão, direitos autorais à frente, sempre teve como pano de fundo a sobrevivência dos jornais. A novidade, agora, é que os agregadores aceitaram negociar.

Se os jornais conseguirem ganhar dinheiro com algo que claramente ajuda a promover seu conteúdo, terá sido um golpe de mestre.

Nenhum estímulo para alcançar a fonte original de uma notícia pode ser maior do que o agregador (que, com frequência, possui audiência várias vezes superior aos veículos que se incomodam em aparecer neles).