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Qual o tamanho ideal de um texto na internet?

Sempre me perguntam qual o tamanho ideal de um texto na internet, e eu acho que não há tamanho ideal. Um texto tem (ou deveria ter) exatamente o tamanho que comporta o seu propósito, nem uma linha a mais nem uma linha a menos.

Pois o Quartz, projeto na web que cobre indústria, tecnologia e economia, anunciou nesta semana recordes de audiência  (ele já detém 15% do tráfego no Reino Unido) com base numa política mais ou menos parecida com a minha.

A única certeza é que artigos entre 500 e 800 caracteres apetecem menos o leitorado porque, na visão do editor-chefe, Kevin Delaney, “são muito grandes para serem compartilhados e muito breves para serem profundos”.

O Quartz aposta, portanto, numa mescla entre curto e longo. Aparentemente, com bastante sucesso.

Os vários problemas do Facebook

A solerte Bia Granja traz um assunto interessante: o funcionamento do Facebook, que por um lado não permite que suas atualizações cheguem a todo mundo que te acompanha e, por outro, te mostra apenas postagens relacionadas a assuntos que você curte e compartilha, criando uma bolha isolacionista e entediante de conteúdo.

Londres quer proibir torcedores de compartilhar a Olimpíada em redes sociais

Atenção, surgiu mais uma iniciativa fadada ao fracasso: o comitê organizador dos Jogos Olímpicos de Londres pretende impedir que o público pagante do evento limite o registro de fotos, vídeos e áudios à esfera “doméstica e privada”.

O contrato que rege a venda de ingressos cita expressamente o veto à distribuição em sites de redes sociais “e na internet de forma geral” de qualquer conteúdo captado “em ambiente olímpico”.

Veja, não será proibido filmar ou fotografar – mas sim compartilhar esse material.

Com quase 6 milhões de entradas para eventos em 26 modalidades, eu me pergunto como alguém acha que é possível controlar de que forma se dará o armazenamento do registro feito pelas pessoas.

Por mais que YouTube e Facebook (só para citar os dois canais mais óbvios e pops de escoamento da produção das pessoas) montem um exército para excluir material indesejado pelos proprietários dos direitos da competição – e eles irão, já há acordos nesse sentido com o Comitê Olímpico Internacional -, mais uma vez será uma disputa de gato e rato. E o vencedor já sabemos todos quem será.

É 2012 e ainda não entendemos que a rede e seu poder de compartilhamento são incontroláveis?

Notícias sobre a indústria do compartilhamento

Hoje corrijo uma omissão: não mencionei o livro Public Parts, do colega Jeff Jarvis, lançado há alguns meses e que traça uma consistente análise sobre o compartilhamento e em que ele está transformando o mundo.

Jarvis mostra que nossa atividade em rede coloca toda a nossa produção num patamar até então inédito: o de bem público.

Ao mesmo tempo, o compartilhamento está se constituindo numa nova indústria – que provavelmente será a mais poderosa deste século.

Boa leitura.

O poder das redes sociais na distribuição de conteúdo noticioso

Levantamento da eMarketer mostra o potencial da distribuição de notícias via redes sociais: nada menos do que 60% dos links compartilhados nessas plataformas remetem a esse tipo de conteúdo.

É apenas mais uma compilação que aponta para a mesma direção: que a produção jornalística precisa ser fortemente voltada para sites como Facebook e Twitter.

Uma vez me perguntaram porque os jornais competiam entre si para dar mais audiência ao Facebook. Puro desconhecimento: exibiri conteúdo lá tem um retorno, em seu próprio domínio, que muito provavelmente (em alguns casos isso já aconteceu) superará o do Google.

“O jornal é um blog que deixa tinta nas suas mãos”

Presidente da Newspaper Association of America (NAA), John Sturm submeteu-se ao constrangimento de participar do humorístico de TV The Colbert Report, que mimetiza a linguagem dos telejornais para fazer piada.

Nos Estados Unidos, a situação dos jornais impressos não tem graça nenhuma. Após fechamentos de veículos em Denver e Seattle, nesta semana o Chicago Sun-Times (há anos capengando) quebrou de vez e agora tenta a recuperação judicial.

As declarações de Sturm ao comediante retratam exatamente o momento do jornal impresso nos EUA (e também na Europa). A claque ri do que deveria chorar. O presidente de NAA cita, com cara triste, que os jornais americanos têm milhões de visitantes on-line, e não cobram nada pelo conteúdo.

“Existe muita informação de graça”, diz Sturm. Sim, é o tal do compartilhamento. Não adianta se fechar em copas: seu conteúdo será distribuído por admiradores, não por piratas. Não tem jeito.

O final do vídeo, uma brincadeira de criança entre humorista e entrevistado, chega a corar Sturm. E quem vê.

É toda uma caricatura do fim de uma era.

ATUALIZAÇÃO: Ontem, no mesmo programa, foi a vez de Biz Stone ironizar/ser ironizado. A diferença é que ela comanda um empreendimento bem sucedido (o Twitter). Então, as piadas são sempre mais engraçadas.