O fracasso da saga Star Wars

Em agosto de 1980, quando a internet ainda engatinhava e era coisa de falcões e universidades de elite nos EUA, uma crítica de cinema publicada pela revista Manchete (então uma das mais importantes do Brasil, com tiragens próximas a 500 mil exemplares) anunciava ao mundo que a saga Star Wars não teria pique para “emplacar o século 21” como anunciara seu produtor, George Lucas.

A opinião que faria José Haroldo Pereira entrar para a história como péssimo crítico, na verdade, não deveria estar contida na crítica – mais que um juizo de valor, trata-se de uma tentativa de premonição, de adivinhação que não cabe numa análise. É a clássica opinião de bar.

Não é, portanto, uma exclusividade da internet e das redes sociais.

manchete

 

Livrai-nos de todo o mal

“Organizar a informação do mundo, tornando-a universalmente acessível e útil” e “dar às pessoas o poder de construir uma comunidade e aproximar o mundo”. Diante de tanta coisa errada na atuações dos dois gigantes da tecnologia, é quase impossível não soltar uma gargalhada ao relembrar as missões de Google e Facebook. Noam Cohen discorre sobre a cada vez mais perversa influência desses negócios na vida digital.

Redes sociais e pouco críveis

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No topo, revistas impressas. No chão, as redes sociais. Pesquisa de credibilidade nas notícias feita pela Kantar mostra que os usuários começam a desconfiar mais das informações que recebem via mídia social.

Porém, um problema que faz com que a conta dificilmente feche é que a maioria das pessoas se informa pelas redes sociais. Isso significa que, apesar do desconfiômetro estar ligado, elas estão mais expostas a manipulações.

O Twitter, os robôs e a política

Levantamento da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (FGV/DAPP) tenta quantificar uma ação que a cada dia ganha mais musculatura no Twitter: o uso de robôs para influenciar no debate político.

“O estudo tira do campo da hipótese a informação de que todos usam robôs – esquerda, direita e centro – para propagar suas ideias”, diz Marco Aurélio Ruediger, diretor da DAPP.

A constatação do estudo é de que pelo menos 20% das conversações na ferramenta são motivadas ou aquecidas por mensagens automáticas,  representando “uma ameaça real para o debate público, representando riscos, no limite, à democracia”.

A interferência de atualizações automatizadas esteve no cerne da disputa eleitoral de 2016 nos Estados Unidos – que culminou com a eleição do empresário Donald Trump.

 

 

Noções e histórias de um mestre do marketing político

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Meu amigo José Paulo Fernandes-Fafe, com quem tive a sorte de poder trabalhar e aprender, acaba de lançar em Portugal o livro “Marketing político, Noções e outras histórias“, pela Primebooks.

A obra destrincha as aventuras e desventuras do trabalho de comunicação em campanhas eleitorais, muitas vezes demonizado, mas sem o qual seguramente as decisões do eleitorado seriam mais difíceis de serem tomadas. O marketing em si jamais é do mal – mas sim o caminho que alguns profissionais da área preferem percorrer.

Mais do que servir como uma espécie de manual, o livro de Fafe (que, como filho de diplomata, teve o privilégio de conviver com personalidades como Fidel Castro) coloca algumas coisas em seu devido lugar. Por exemplo, a dimensão do profissional de marketing num trabalho como esse – que nada mais do é que conhecer o quanto mais possível as pessoas, seu entorno e contexto e extrair daquilo a linha comunicativa que orientará a campanha.

Para meu orgulho, pude colaborar com um grão de areia falando um pouco sobre o marketing digital e suas aplicações em eleições. Para sorte do marketing político, temos alguém qualificado e ético como Fafe para nos contar sua técnica e histórias impagáveis.

O estado da mídia 2017

Saiu o State of the News Media, documento anual que desde 2004 o Pew Research entrega com um raio x da mídia nos Estados Unidos – ou seja, os números podem ser considerados uma espécie de “eu sou você amanhã” evia de regra acabam se replicando em outras partes do globo, exceções à parte (pensou em exceção, pense em Japão).

A pesquisa mostra que a circulação dos jornais (incluindo as versões digitais) recuou ao equivalente ao que se tirava no começo dos anos 50 – uma curiosidade: a revista O Cruzeiro vendia mais de um milhão de exemplares no Brasil nessa época, número superior ao da revista de maior circulação hoje.

Por óbvio, as notícias não estão mais só nos jornais, além de uma infinidade de opções concorrerem com o hábito de consumir notícias.

Em contrapartida, o estudo mostra avanço dos canais “allnews” (também um fenômeno brasileiro) e da TV fechada.

Fake news e jornalismo colaborativo

De repente, o mundo descobriu que estamos todos em perigo de extinção por causa da disseminação de notícias falsas – apenas mais um dos efeitos colaterais do avanço tecnológico e da possibilidade de qualquer pessoa ser um publicador. Nossos filhos correm sério risco de vida e a própria democracia, como a conhecemos, será destruída.

Quer dizer então que nunca houve distribuição de informações inverídicas até o advento das redes sociais?

Faz-me rir. Isso aconteceu desde sempre, dos rabiscos nas cavernas à oralidade, chegando à imprensa propriamente dita (ofício aliás criado para defender interesses muitas vezes com base em argumentos tortuosos e pouco afeitos à verdade).

Seres humanos mentem o tempo todo, distorcendo a realidade de acordo com seuus interesses. No caso específico das fake news de nosso tempo, o chequinho em dólares por clique pago pelo Google basta – mas é óbvio que a manipulação pode atender a propósitos bem menos paroquiais e patrimonialistas. Como ocorreu desde sempre.

A notabilização desse furo no modelo ‘as notícias são para todos’, que provocou furor entre acadêmicos (entre eles, esse que vos fala) e popularizou o conceito de jornalismo colaborativo que Dan Gillmor e Jay Rosen tão bem descreveram há mais de dez anos, não significa que o jornalismo das pessoas está em xeque.

As noticias falsas surgiram muito antes, no âmbito do dito jornalismo profissional. Não é preciso percorrer muitos quilômetros, aliás, para encontrar expoentes dessa vertente em qualquer canto. O tal jornalismo profissional é bonito, mas infelizmente é para poucos.

A utopia do jornalismo colaborativo não se encerra com a epidemia de falsidades distribuídas via novas plataformas. Os seres humanos continuam tendo o direito de relatar/analisar/comentar/distribuir fatos, sejam jornalistas de ofício ou não. A questão é que estes, e já faz tempo, podem ter muito mais alcance do que os players do mercado – justamente os mesmos que, em seu momento, compartilharam suas próprias inverdades.

Aí mora uma outra questão interessante deste debate. Voltarei a ela.

As melhores fotos do ano

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A melhor foto de 2016 foi tirada no final do ano, em 19 de dezembro, e retrata o atirador que assassinou o embaixador russo na Turquia, Andrei Karlov, gritando palavras de ordem logo após os disparos. Obra do fotógrafo turco Burhan Ozbilici.

Veja todos os ganhadores do prestigioso World Press Photo.

Pesquisa Brasileira de Mídia 2016

Feita pelo Ibope por encomenda da Secom do Governo Federal, a Pesquisa Brasileira de Mídia é provavelmente o principal instrumento de aferição dos hábitos de consumo de notícias dos brasileiros. E anualmente as notícias que chegam trazem alguma surpresa.

De acordo com dados do documento mais recente, a TV ainda é o meio mais usado pela população para se informar sobre o Brasil (89% como primeira ou segunda opção), seguida pela internet (49%). Depois, com 30%, vem o rádio. Os jornais chegam a 12%, enquanto as revistas atingem 1%.

O documento é extenso e merece ser dissecado com calma, mas dados saltam aos olhos, como a informação de que 63% disseram ouvir rádio em aparelhos convencionais (17% o fazem pelo celular – e só 14% no carro). Outro dado que subverte o senso comum: por esta pesquisa é O Globo, não a Folha de S.Paulo, o jornal mais lido do pais – e eles são seguidos por Supernotícia e Extra.

A edição 2016 ouviu 15.050 pessoas em todo o país em entrevistas domiciliares realizadas de 23 de março a 11 de abril – os resultados só foram divulgados agora.

Catraca Livre e caça-clique

“O receptor é, sim, uma das chaves para compreendermos o fracasso e o sucesso dos meios de comunicação. E não é pelos cliques que faz, mas sobretudo pelo seu engajamento e pela crítica que elabora ao que consome.”

Sobre o case Catraca Livre no episódio da queda do avião que vitimou a delegação da Chapecoense, fico com o texto “Ponto de Vista: Catraca Livre e a fuga em massa da audiência: como não agir na cobertura de tragédia“, Amanda Miranda e Lívia Vieira para o objETHOS. Nada a acrescentar.

Buscar um incremento de audiência a qualquer custo de fato nos remete à TV dos anos 80 e 90. A questão é que na TV a audiência é passiva – todo o oposto do que acontece nas redes sociais.