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Notícias falsas, outro calcanhar de Aquiles do Facebook

Não é somente o absurdo controle do que as pessoas veem, mas a responsabilidade de evitar que notícias falsas circulem dentro do Facebook. Eis a nova fronteira do questionamento ao maior serviço de rede social do mundo – justiça seja feita, obviamente nem o Google está sujeito a se livrar desse triste papel.

Ao Gizmodo a empresa nega que tenha desenvolvido métodos para impedir a disseminação de boatos a não ser a autodeclaração de usuários que se sintam ofendidos por um conteúdo específico. Também, para seu criador a falsidade responde por mero 1% do conteúdo postado no site.

O tema, evidente, ganhou força após a eleição de Donald Trump, quando a rede chegou a ser considerada ‘culpada’ pelo resultado.

A verdade, infelizmente, está em nós: no ramo das notícias, sensacionalismo e bobagens sempre terão mais engajamento do que jornalismo sério e acurado. Culpe os seres humanos.

Jornalismo investigativo e internet provocam mudança real

Na semana passada escrevi que a “onda verde” e o crescimento de Marina Silva, associado à campanha sobre o aborto (e contra Dilma Rousseff), tinham passado a sensação de que a internet, enfim, provocara algum tipo de ruído eleitoral com resultado concreto nas urnas.

Faltava, para isso, a realização de uma pesquisa que apontasse o que os indícios mostravam, comentei.

Pois a pesquisa foi feita, pelo Datafolha, e detectou que não apenas a internet triunfou na reta final da campanha presidencial, mas também o jornalismo investigativo _este, aliás, em maior grau.

Convenhamos, o jornalismo investigativo também chega ao eleitorado via web, o que significa um bônus para a rede.

Um dos recortes do levantamento dá conta de que os fatos que levaram à queda da ministra da Casa Civil, Erenice Guerra (sucessora de Dilma), e também o escândalo do acesso a dados sigilosos na Receita Federal tiveram mais impacto na mudança de votos do que os temas religiosos.

O Datafolha também perguntou aos eleitores (mais de 3,5 mil em todo o país) se eles haviam recebido algum tipo de mensagem eletrônica que desabonasse algum candidato.

Num universo de 56% do eleitorado brasileiro que acessam a internet, 14% disseram ter recebido correntes com boatos de toda espécie.

Porém foi a investigação jornalística quem teve papel mais importante na mudança do voto, ou seja, na alteração concreta de uma situação real.

As duas informações são auspiciosas, de toda forma.

A morte de Silvio Santos e a vulnerabilidade da web

A notícia bombástica numa sexta à noite: fake

A notícia bombástica numa sexta à noite: fake

Não há meio mais eficiente para se espalhar um rumor, hoje, do que a internet. Ainda que tenha menos usuários do que a televisão, possui uma capacidade _a do compartilhamento_ que seu decano e passivo concorrente ainda está a anos-luz de oferecer.

Quem fica sabendo pela TV repercute, a priori, com o povo da casa, no máximo com o vizinho. Se der uns telefonemas, amplia esse leque, mas limitadamente. Se for à web, porém, suas chances de atingir mais gente aumentam exponencialmente.

Uma vez já foi o rádio, quando a encenação não anunciada de “A Guerra dos Mundos”, sob a batuta de Orson Welles, causou pânico e sandice numa cidade dos Estados Unidos em 1948.

Nem o jornal está livre, que o diga o 1,5 milhão de falsos exemplares do The New York Times mandados fazer por um ONG e distribuídos gratuitamente no metrô de Nova York no ano passado. Apesar de todas as pistas (a principal, “o NYT de graça?”), houve quem acreditasse que era verdade.

Sexta-feira foi uma noite agitada nas redações. Naturalmente agitada, ao menos nos jornais, quando um exército de abnegados vira a noite escrevinhando a edição de domingo _sim, é por isso que você consegue comprar, na tarde de sábado, o seu jornal do dia seguinte. Por causa de idiotas como eu.

Anteontem um site que cobre celebridades, o Fuxico, anunciou a morte de Silvio Santos. É a reprodução que você no começo deste post. O texto da notícia era o que vai abaixo.

O texto criado pelo hacker: esquisito, mas erros de português redações cometem o tempo todo

O texto criado pelo hacker: esquisito, mas erros de português redações cometem o tempo todo

Não era o Fuxico, mas uma invasão hacker. Gravíssimo, porque penetrou-se num dos servidores supostamente mais protegidos do país, o do portal Terra. E evidenciou-se que há manipulações possíveis nos ambientes menos esperados.

A clonagem de notícias é corriqueira, mas geralmente adota outro modus operandi: o programador copia uma página interna de um site e monta sua história, usando o e-mail (e, portanto, spam) para espalhar a palavra.

Nestes casos também é bem frequente a inclusão de links que conduzem a scripts maliciosos, vírus e spywares.

Não foi o que ocorreu no caso Silvio Santos: a notícia foi realmente publicada na web, e em seu endereço verídico. Durante o ataque, só a home page de O Fuxico ficou fora do ar _todos os menus e demais links funcionavam normalmente, e a notícia da morte do apresentador figurava na lista de últimas do site.

Como sempre, havia pistas para detectar a fraude (não, o português ruim não vale, até mesmo o “falece” costuma ser perpetrado redações afora). O fato de a home page estar fora do ar era o mais palpável. E só ele, para dizer a verdade.

O bom jornalismo fez o que devia, procurou a assessoria do apresentador, soube que ele estava nos Estados Unidos _e bem. Daí, justificadamente, a matéria passou a ser a falsa notícia sobre seu passamento.

Até o próximo ruído.

Ressuscitaram um delírio _e que já enganou jornais

Bastou o jogador Ronaldo ter relembrado, durante sabatina ao jornal Folha de S.Paulo, a convulsão que sofreu horas antes da final da Copa do Mundo de 1998 para voltar a circular, via e-mail, um hoax que dominou a cena na web há 11 anos e, ciclicamente, volta à baila, notadamente em época de Mundial _ou quando, como fez o jogador corintiano, alguém tenta exumar o cadáver.

Trata-se de um texto apócrifo que relata suporto acordo de bastidores entre CBF e Fifa no qual decidiu-se pela venda do título à França _que venceu a seleção dentro de campo por retumbantes 3 a 0 em Saint-Dennis.

É claro, trata-se de um delírio. Em 1982, por exemplo, não havia internet, e tentou-se espalhar boca a boca a “informação” de que o italiano Paolo Rossi, carrasco do Brasil no Mundial da Espanha, havia jogado dopado e, desta forma, o Brasil passaria às semifinais em lugar da Itália. Ahã.

O lance legal desse hoax, e por isso ele figura aqui no Webmanario, é que jornalistas caíram no conto. Houve várias referências em colunas de jornais menos relevantes e, anos depois, blogs reverberaram essa bobagem.

Outra curiosidade: a única referência no Google a Ronald Rhovald, o funcionário da Nike que, segundo boato, teria intermediado a negociação, é justamente o texto do hoax. Um indicação clara de que se tratava de um personagem inventado para dar credibilidade a uma mentira.

Bebê-enceradeira, mais uma aberração da Web

A incrível (e falsa) história do bebê-enceradeira foi parar na capa do UOL

A incrível (e falsa) história do bebê-enceradeira foi parar na capa do UOL

Se alguém te dissesse que uma empresa criou um macacão de nenê com uma espécie de esfregão acoplado para seu rebento “ajudar na limpeza da casa” enquanto engatinha, você acreditaria?

Pois o UOL acreditou. E manteve em sua homepage por horas, nesta sexta-feira, a inacreditável chamada “Japoneses criam macacãozinho para ajudar na limpeza”.

Trata-se de um hoax, bastante conhecido por sinal, que circula há pelo menos cinco anos. Numa das versões, o esfregão era apenas um componente de segurança para evitar acidentes rasteiros.

O produto não existe. E, mais uma vez, o jornalismo on-line foi feito de bobo.