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Redes sociais e ad blockers ameaçam jornalismo tradicional

Uma combinação entre ascensão das redes sociais, migração para o mobile e rejeição da publicidade digital está impactando como nunca antes – como se isso fosse possível – a indústria de notícias e produção de conteúdo tradicional. As descobertas estão em mais uma rodada do relatório Digital News, realizado anualmente pela Reuters.

Desta vez, 50 mil consumidores de notícias em meios digitais foram ouvidos e, entre os resultados, está a espantosa constatação de que nada menos do que 51% deles admitem recorrer às redes sociais para se informar. Um terço dos participantes da pesquisa admite que recorrerá a um ad blocker (bloqueador de anúncios on-line) para se livrar de “visitas indesejadas” enquanto navega.

Mas tem mais: entre os que falam inglês (um mercado ultracompetitivo), só 9% se dizem dispostos a pagar para leer conteúdos – esse número pode até dobrar em países com idiomas menos globais, caso do Brasil.

O relatório completo pode ser consultado aqui.

Os pobres meninos da internet

É assustadora a quantidade de líderes e gestores de marcas (públicas e privadas) que ignoram o que fazem seus “meninos da internet” – afinal de contas, pensam eles, esse trabalho consiste apenas em colecionar memes, distribuir cards alusivos a efemérides desconhecidas e (claro!) entreter o público que recorre a esse meio para se manifestar.

Nesse cenário, basta o primeiro incremento do volume de água no traseiro para começarem as ordens estapafúrdias: metralhadora de posts no Facebook, cards no Instagram, flood no Twitter. Tudo ineficaz, mas a história é sempre a mesma. Num momento de crise, quem dá as cartas no digital costuma ser quem menos entende do assunto.

E por que não entende? Voltamos ao começo deste texto: “É assustadora a quantidade de líderes e gestores de marcas (públicas e privadas) que ignoram o que fazem seus ‘meninos da internet’…”

Quem não tem convívio diário com o digital está cometendo dois erros de gestão de comunicação: o primeiro, mais óbvio, é que ela precisa ser integrada. Não existe ação on-line sem correspondência off-line, ainda que seja apenas (viva!) com a realidade.

Mais do que isso, é nessas “propriedades digitais” (tirando o site oficial, bem sabemos que as propriedades na verdade são de outrem…) que a imagem pública das marcas está sendo moldada mais intensamente – e onde corre mais riscos de sofrer dano.

Enquanto isso, os “meninos da internet” estão lá, desamparados. São lembrados, isso sim, quando viram piada nas redes por terem cometido algum erro.

Tenho orgulho de supervisionar operações nas quais o social media ocupa uma sala contígua à do presidente (ou mandatário) – e o acompanha diariamente em eventos externos e internos. Essa atividade só vai deixar de ser júnior se for tratada com a importância que possui. Não adianta amarrar todas as pontas (mídia, investidores, comunidade) e simplesmente deixar a mais visível delas (e à qual todos os outros públicos têm acesso) ao sabor dos acontecimentos.

Aprenda a falar em emojês

Que o emoji é uma poderosa ferramenta de engajamento social, todos sabemos. Mas de que forma eles são interpretados? Um estudo da Universidade de Minnesota se debruça sobre esse tema, chegando a conclusões pertinentes.

Como um texto, os emojis não são “lidos” da mesma forma pelas pessoas. A plataforma onde é publicado (seja equipamento ou rede social) também impacta decisivamente a forma como a mensagem será interpretada pelo receptor.

E qual é o limite para sua utilização? Depende do tom de voz da marca. Quem conversa com os jovens tem muita mais liberdade no uso desse “alfabeto” tão importante quanto o nosso. Perfis mais “sérios”, por outro lado, não deveriam abandonar o recurso por completo, mas talvez encontrar figuras que, para além do bom e velho ok, fossem imunes a mal-entendidos.

De toda forma, não dá para pensar em gestão de presença em redes sociais sem emojis. De jeito nenhum.

Para entender as mídias sociais

Com o propósito de discutir as redes sociais para além da inocência dos 2000, quando se disseminaram e popularizaram de vez, o e-book ‘Para entender as mídias sociais’ (volume 3) já está disponível para download gratuito.

São 26 textos de 28 autores, vários deles meus duplos colegas (jornalistas e professores). Participo do trabalho lançando uma discussão sobre a exclusão digital: hoje cerca de 45% da população brasileira nunca acessou a internet e, portanto, não tem a menor do ideia do que seja um meme (só para ficar num exemplo).

Logo, lanço uma discussão que me acompanha há tempos e que não escondo debaixo do tapete apesar de trabalhar intensamente com o digital: afinal, está “todo mundo” falando dos assuntos que circulam diariamente nas redes.

É claro que não.

Lá como cá?

Pesquisa Pew Research mostra que as redes sociais são o segundo drive que os eleitores americanos têm usado para se informar sobre a campanha eleitoral presidencial de 2016 – à frente, a TV fechada.

Levantamento semelhante realizado pelo Ibope em janeiro apontou que, no Brasil, a TV aberta ainda lidera esse quesito de forma soberana (internet mais redes sociais surgem como relevantes na decisão de voto para 19% dos brasileiros).

Prefeitura de SP diz que cidade é mal-humorada e que Curitiba faz ‘perfumaria virtual’ no Facebook

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ATUALIZAÇÃO: Num longo texto publicado nesta quinta (o ‘textão’, em internetês), Curitiba aborda o assunto com a leveza que lhe é peculiar

Interessante: provocada por um internauta, a Prefeitura de São Paulo expôs pela primeira vez o seu planejamento editorial para a presença da administração no Facebook.

À estudante Natália Horta, que perguntou publicamente na página se São Paulo não entraria na onda da “realidade despojada das redes sociais”, os social medias do prefeito Fernando Haddad foram nus e crus.

“A gente acredita que administração pública não é entretenimento (…), e colocar capivaras voando não ajuda a pessoas a ser mais cidadã ou participativa”, afirma a resposta, citando diretamente aquele que é um case de sucesso nas redes, a Prefeitura de Curitiba.

Tem mais: “A gente tem certeza que grande parte das pessoas que curtem a página de Curitiba não moram lá, portanto não se interessam se aqueles memes representam alguma mudança real no dia a dia delas ou se são apenas perfumaria virtual”.

E mais: “São Paulo é uma cidade um tanto mal-humorada e tem uma imprensa que não curte nada dessa gestão, portanto qualquer piada poderia virar uma polêmica gigantesca”.

Faz bastante sentido, especialmente a parte que toca sobre Curitiba (efetivamente a linguagem nerd utilizada não fala com o todo da população, nem mesmo com o todo que está na internet). Quanto à questão do entretenimento…

Ora, a internet tem uma linguagem específica e o controle é do público. Se o pressuposto é “essa linguagem da internet me dá nojinho”, o melhor a fazer seria retirar o time de campo e nem sequer ter ingressado na brincadeira. Ninguém é obrigado a ter perfis em redes sociais, muito menos marcas. As feridas podem ser sempre maiores se não há disposição ao diálogo – e isso a Prefeitura de São Paulo já havia demonstrado, no mesmo Facebook, ao promover interações agressivas, algumas até parentes do entretenimento (citando Madonna, por exemplo).

Vivendo e aprendendo, não é mesmo?

Audiência fake destrói credibilidade do mundo digital

Para que servem números robustos se eles não têm conteúdo?

É meu mantra eterno em redes sociais – copas do mundo de mais fãs ou seguidores não servem pra nada e são o combustível de compra de adesões ainda menos republicanas.

É assim também na web segundo a narrativa da Bloomberg, que investigou como internautas artificiais estão desidratando os investimentos de anunciantes em mídia on-line.

Os numerões são falaciosos: dados bem concretos sobre práticas como o remarketing mostram (sempre de acordo com a reportagem) que boa parte das impressões que embasam extraordinárias performances de ROI correspondem a bots, ou seja, não-humanos.

Há todo tipo de truque, até pop-ups do tamanho de um pixel, imperceptíveis.

Nas redes há um drama parecido: a terra onde um pacote de curtidas e retuítes está ao alcance de qualquer bolso, sem suor, não pode ser auspiciosa.

Números robustos sem conteúdo não valem nada.

Comunicação pública digital em São Paulo

A Medialogue divulgou nesta semana um estudo com conclusões bem pessimistas sobre o uso dos recursos digitais em 46 cidades do Estado de São Paulo.

Na maior parte dos municípios as plataformas de comunicação digital são “como se fossem outdoors instalados no deserto”, ou seja, usufruídas por muito poucos.

A comunicação pública tem um grande desafio pela frente: a entrega qualificada de conteúdo. Em resumo, adaptar as ferramentas existentes para encontrar o cidadão e efetivamente interagir com ele.

Acontece

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Em apenas três dias, dois analistas de mídia social foram vítimas de um perigoso acontecimento: aquele momento em que se mistura a timeline pessoal com a de páginas que o profissional administra.

quem_erroNo sábado, a Revista Quem parecia, em sua página no Facebook, se lamentar de que o nascimento da princesa Charlotte Elizabeth Diana tivesse ocorrido no final de semana – mas era ele, sempre ele, crente que estava publicando em sua instância pessoal.

Ontem foi a vez de o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, vociferar contra uma notícia postada pelo jornal O Globo no Twitter. Não, não era Pezão – de novo o analista foi traído ao confundir suas abas de trabalho.

Acontecimentos deste tipo me fazem lembrar alguns “seguros” utilizados para se evitar esse drama. O mais severo deles é simplesmente recomendar que o operador não use as redes pessoais durante o trabalho. É como pedir ao confeiteiro que não prove a massa do bolo.

Outro recurso bastante usado é o de dois browsers – ele não impede, porém, a confusão de ocorrer. Trabalhar com backgrounds diferentes cria (no caso do Twitter) um belo contraste, mas resolve?

Só resta rezar?

A monocultura do Facebook

Para quem trabalha com conteúdo em redes sociais, a monocultura do Facebook ainda é um problema no Brasil.

Pelo seu tamanho (são cerca de 80 milhões de brasileiros lá dentro), é natural que as marcas queiram interagir no site de Mark Zuckerberg.

Acontece que cada caso é um caso, e há redes muito mais específicas para quem atingir determinados públicos.

Afora os aspectos severos proporcionados pelo algoritmo do Facebook (o pior deles é o alcance cada vez menor das publicações, um evidente recado para que as ações lá dentro sejam pagas), há ainda tantos outros problemas no que diz respeito ao funcionamento da ferramenta que, de verdade, não dá pra entender esse furor.

O Facebook pode ser tão útil quanto qualquer outra rede, desde que esteja alinhado com a estratégia de comunicação. Não é uma escolha liminar.

Hoje, não tem sido o caso.