A primeira página

independent

Uma ofensiva conservadora no Reino Unido prevê a revisão da FOL (Freedom of Information Act), versão da Lei de Acesso à Informação que ainda engatinha no Brasil.

O ponto é, além do custo da obrigação de prover informação sob demanda, o suposto caráter “intrusivo” da legislação e, ainda, o “potencial risco” à segurança nacional.

É discussão pra mais de metro que o jornal Independent, de forma brilhante, resumiu na primeira página acima.

Rola?

Tenho me divertido muito com os últimos remixes criados a partir de registros jornalísticos como a já célebre ode à mandioca, lavra da presidente Dilma Rousseff, ou a protocolar entrevista pós-jogo nada protocolar protagonizada pelo jogador Marinho.

Somei a isso a iniciativa de um pessoal de Uganda que, para driblar a proibição da censura à leitura de determinadas notícias, decidiu contá-las em ritmo de rap – daí que viraram os rap-orters.

Sonhei com um produto que tratasse as notícias dessa forma. Boa parte delas, ao menos. Há fôlego?

Clarín, 70

Com o mote “o jornal não faz o que quer com você, você é que faz o que quer com o jornal”, o Clarín colocou na rua a campanha que celebra seus 70 anos.

Migração on-line

Os projetos Migranti e The Migrant Files estão acompanhando de perto a repercussão internacional desse debate, que tem dominado a pauta na Europa. A acompanhar.

O estado da mídia

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Para não dizer que não falei das flores, coloco aqui o State of News Media 2015, documento produzido pelo 14º ano consecutivo pelo Pew Research Center.

O gráfico acima mostra que, nos Estados Unidos, o investimento publicitário em digital segue em ascensão, ao mesmo tempo em que existe um campo ainda grande para avançar.

Deveríamos nos perguntar, ainda, até quando iremos nos escorar no modelo de publicidade que não tem nada de digital. É um parâmetro, mas não O parâmetro.

A eterna transição

Como pequenos jornais dos EUA enfrentam a eterna transição para o digital.

A carta que não houve

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É um dos episódios mais vergonhosos da história do jornalismo: em 1978, a El Gráfico (uma revista que um dia existiu na Argentina*), publicou o que seria uma carta escrita pelo jogador holandês Krol, finalista do Mundial, para sua filha.

“Mamãe me contou que outro dia você chorou muito porque alguns amiguinhos te disseram coisas muito feias que estariam acontecendo na Argentina. (…) É mentira, aqui tudo é tranquilidade e beleza. (…) Não se assuste ao ver fotos da nossa concentração com soldadinhos de verde ao nosso lado. Eles são nossos amigos, nos cuidam e nos protegem”.

É tétrico: a Argentina vivia sob uma ditadura militar que custou a vida de pelo menos 8 mil pessoas.

Krol, é claro, jamais escreveu essa coleção de bobagens. Sua assinatura foi roubada do press kit da seleção da Holanda, que trazia autógrafos de todo o elenco. Tratou-se de uma das mais brilhantes peças de marketing político endossada justamente por quem deveria nos proteger dessa espécie de estrume.

*A El Grafico tinha os maiores jornalistas do país e morreu duas vezes: naquele dia 13 de junho de 1978 e duas décadas depois, quando foi abatida pela crise do jornalismo impresso e praticamente se transformou numa revista-laboratório de faculdade.

Entrevista coletiva

alecduarte:

Mas não tenha dúvida disso!

Publicado originalmente em Webmanario:

Esse cartum publicado originalmente pela New Yorker é simplesmente o máximo!

Ver original

A era do aluno-cliente

A era do aluno-cliente, que sempre tem razão, tem me afastado gradativamente da universidade.

Despreparados acadêmica e profissionalmente, os expoentes dessa geração não buscam crescimento intelectual, apenas insumos para responder ao chefe da vez e aparentar diligência.

Tolos: esse tipo de conhecimento raso está disponível em um dos trilhões de tutoriais do YouTube – e praticamente de graça.

O problema é que no YouTube não é possível lavar diplomas e deletar a vida escolar pregressa.

O objetivo parece sempre ser baixar a altura do sarrafo. O aluno-cliente nunca é original…

A era do aluno-cliente, que sempre tem razão, tem me afastado gradativamente da universidade.

Aprisionados

Há alguns problemas com relação ao Instant Articles, programa pelo qual o Facebook colocou pra dentro da plataforma nove importantes players produtores de conteúdo jornalístico, dando sequência ao seu malévolo plano de se transformar no único site que os usuários da rede deverão acessar – hoje, mais de 90% das pessoas que têm acesso à internet já passam por ali diariamente.

O conflito mais grave é ético: sendo o Facebook um ambiente que censura conteúdo, como produtos jornalísticos podem considerar fazer acordo com Zuckerberg – a troco de 30% de tudo o que for vendido em publicidade em cada artigo?

A questão de fundo, e a que considero mais importante, é filosófica: precisamos mesmo estar dentro do Facebook, sob seu controle?