Migração on-line

Os projetos Migranti e The Migrant Files estão acompanhando de perto a repercussão internacional desse debate, que tem dominado a pauta na Europa. A acompanhar.

O estado da mídia

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Para não dizer que não falei das flores, coloco aqui o State of News Media 2015, documento produzido pelo 14º ano consecutivo pelo Pew Research Center.

O gráfico acima mostra que, nos Estados Unidos, o investimento publicitário em digital segue em ascensão, ao mesmo tempo em que existe um campo ainda grande para avançar.

Deveríamos nos perguntar, ainda, até quando iremos nos escorar no modelo de publicidade que não tem nada de digital. É um parâmetro, mas não O parâmetro.

A eterna transição

Como pequenos jornais dos EUA enfrentam a eterna transição para o digital.

A carta que não houve

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É um dos episódios mais vergonhosos da história do jornalismo: em 1978, a El Gráfico (uma revista que um dia existiu na Argentina*), publicou o que seria uma carta escrita pelo jogador holandês Krol, finalista do Mundial, para sua filha.

“Mamãe me contou que outro dia você chorou muito porque alguns amiguinhos te disseram coisas muito feias que estariam acontecendo na Argentina. (…) É mentira, aqui tudo é tranquilidade e beleza. (…) Não se assuste ao ver fotos da nossa concentração com soldadinhos de verde ao nosso lado. Eles são nossos amigos, nos cuidam e nos protegem”.

É tétrico: a Argentina vivia sob uma ditadura militar que custou a vida de pelo menos 8 mil pessoas.

Krol, é claro, jamais escreveu essa coleção de bobagens. Sua assinatura foi roubada do press kit da seleção da Holanda, que trazia autógrafos de todo o elenco. Tratou-se de uma das mais brilhantes peças de marketing político endossada justamente por quem deveria nos proteger dessa espécie de estrume.

*A El Grafico tinha os maiores jornalistas do país e morreu duas vezes: naquele dia 13 de junho de 1978 e duas décadas depois, quando foi abatida pela crise do jornalismo impresso e praticamente se transformou numa revista-laboratório de faculdade.

Entrevista coletiva

alecduarte:

Mas não tenha dúvida disso!

Publicado originalmente em Webmanario:

Esse cartum publicado originalmente pela New Yorker é simplesmente o máximo!

Ver original

A era do aluno-cliente

A era do aluno-cliente, que sempre tem razão, tem me afastado gradativamente da universidade.

Despreparados acadêmica e profissionalmente, os expoentes dessa geração não buscam crescimento intelectual, apenas insumos para responder ao chefe da vez e aparentar diligência.

Tolos: esse tipo de conhecimento raso está disponível em um dos trilhões de tutoriais do YouTube – e praticamente de graça.

O problema é que no YouTube não é possível lavar diplomas e deletar a vida escolar pregressa.

O objetivo parece sempre ser baixar a altura do sarrafo. O aluno-cliente nunca é original…

A era do aluno-cliente, que sempre tem razão, tem me afastado gradativamente da universidade.

Aprisionados

Há alguns problemas com relação ao Instant Articles, programa pelo qual o Facebook colocou pra dentro da plataforma nove importantes players produtores de conteúdo jornalístico, dando sequência ao seu malévolo plano de se transformar no único site que os usuários da rede deverão acessar – hoje, mais de 90% das pessoas que têm acesso à internet já passam por ali diariamente.

O conflito mais grave é ético: sendo o Facebook um ambiente que censura conteúdo, como produtos jornalísticos podem considerar fazer acordo com Zuckerberg – a troco de 30% de tudo o que for vendido em publicidade em cada artigo?

A questão de fundo, e a que considero mais importante, é filosófica: precisamos mesmo estar dentro do Facebook, sob seu controle?

Acontece

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Em apenas três dias, dois analistas de mídia social foram vítimas de um perigoso acontecimento: aquele momento em que se mistura a timeline pessoal com a de páginas que o profissional administra.

quem_erroNo sábado, a Revista Quem parecia, em sua página no Facebook, se lamentar de que o nascimento da princesa Charlotte Elizabeth Diana tivesse ocorrido no final de semana – mas era ele, sempre ele, crente que estava publicando em sua instância pessoal.

Ontem foi a vez de o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, vociferar contra uma notícia postada pelo jornal O Globo no Twitter. Não, não era Pezão – de novo o analista foi traído ao confundir suas abas de trabalho.

Acontecimentos deste tipo me fazem lembrar alguns “seguros” utilizados para se evitar esse drama. O mais severo deles é simplesmente recomendar que o operador não use as redes pessoais durante o trabalho. É como pedir ao confeiteiro que não prove a massa do bolo.

Outro recurso bastante usado é o de dois browsers – ele não impede, porém, a confusão de ocorrer. Trabalhar com backgrounds diferentes cria (no caso do Twitter) um belo contraste, mas resolve?

Só resta rezar?

O WP sob Bezos

Em entrevista à Folha de S.Paulo, Marty Baron, diretor do Washington Post, fala sobre os primeiros 18 meses sob a égide de Jeff Bezos, dono da Amazon que comprou o tradicional jornal norte-americano.

“Fazer impresso e digital ao mesmo tempo é um desafio”, diz ele, cuja publicação constatou a “confirmação de clichês” como o baixíssimo índice de leitura integral de “reportagens típicas” (só 1,5% dos leitores) e o fato de não existir “poção mágica” para enfrentar a mudança do ecossistema noticioso.

Triste o mundo em que vivemos

A barriga da Rolling Stone americana sobre um fantasioso relato de estupro coletivo que teria ocorrido dentro de uma universidade proporcionou um documento talvez inédito na história dos erros da imprensa: a pedido da publicação, pesquisadores de Columbia escrutinaram os processos que levaram à falha grotesca.

A investigação sugere de falha na apuração (e a praga da fonte única) ao açodamento dos editores – ambos óbvios.

O pior é constatar que o relato de um estupro coletivo dentro de uma universidade se enquadra no universo do possível, tanto porque já houve quanto porque haverá.

Triste o mundo em que vivemos.