A moda do paywall

O paywall será o grande personagem do jornalismo em outras plataformas (que não a impressa) em 2013. Até o Politico, projeto pioneiro sem fins lucrativos nos EUA, vai testar o modelo.

Ressuscitado num movimento exponencial de jornalões como The New York Times e Folha de S.Paulo, a cobrança por conteúdo web e móvel tem dado sinais auspiciosos de que seus críticos (entre os quais me incluo com orgulho) provavelmente se equivocaram.

Paul Gillin discorre mais sobre o tema num texto obrigatório para quem tenta entender a mudança do ecossistema informativo.

Ação de marketing ressuscita o Notícias Populares

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Pra quem não viu: uma ação de marketing do lançamento do filme Faroeste Cabloco ressuscitou, ainda que por um dia, o Notícias Populares, o jornal que falava com o povão mas era editado pela elite – vários dos jornalistas de maior protagonismo na publicação eram oriundos da USP, mais especificamente da ECA, a Escola de Comunicações e Artes da principal instituição de ensino superior do país.

O NP (aquele que vertia sangue se fosse amassado) circulou em São Paulo entre 1963 e 2001, quando o Grupo Folha decidiu descontinuar o título.

Até hoje, porém, é cultuado por toda uma geração de jornalistas que teve ali seu primeiro contato com a profissão – vários atualmente têm postos importantes em grandes corporações.

Jamais incensei ou coloquei o NP num pedestal simplesmente por não conceber graduações de sensacionalismo.

Não é porque garotões bem nascidos e criados fizeram do jornal seu parque de diversões de experimentalismos no esgoto da imprensa que, de alguma forma, a publicação mereça um salvo-conduto.

Por sinal, a cobertura do caso da Escola Base, um momento que proporcionou diversão épica para a garotada que brincava de fazer jornalismo e que gostava de se masturbar mentalmente com as manchetes que criava muitas vezes escoradas em gírias cantadas pelos contínuos , foi um passo decisivo para fechar o caixão do jornal. Que descanse em paz.

Projeto reconta as notícias para crianças

Conheci agora e adorei o Projeto Recontando, obra de uma mãe jornalista que, às voltas com a tarefa de explicar o noticiário para seu filho, teve a ideia de traduzir os fatos para torná-los acessíveis aos pequenos (como o vídeo acima, que fala das enchentes em Xerém, no Rio). Hoje, ela percorre escolas com seu trabalho.

Iniciativas como essa (e a do jornal japonês Tokyo Shimbun, mais tecnológica) ajudam a preservar nossos futuros consumidores de notícias.

Ferramentas para storytelling

Uma coleção de ferramentas para storytelling – uma especialidade jornalística que o mundo da comunicação abraçou.

Uma luz para a publicidade on-line

Uma nova métrica destinada a apurar a exposição de usuários da web à publicidade pode dar novos argumentos para a cobrança desse tipo de espaço.

A principal descoberta da Chartbeat parece mesmo ser a maior eficácia dos anúncios que aparecem no meio dos conteúdos, em detrimento do bom, velho e mais valorizado banner do topo de página – que, descobriu-se agora, é menos visto porque o usuário faz rapidamente o scroll em busca do conteúdo que efetivamente interessa.

De toda forma, essa sistemática pode permitir que os webpublishers, a exemplo do que faz a TV, passem a cobrar a publicidade on-line por tempo de exibição, não por espaço ocupado. Seria uma mudança e tanto.

O futuro da internet

Uma coleção de links e livros que analisam de onde viemos e para onde vamos.

Capa colaborativa

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A brilhante capa do jornal argentino Pagina 12 sobre a morte do ditador Jorge Videla nasceu, na verdade, no Twitter – a redação foi ao autor buscar autorização para a reprodução.

Demissões e qualidade devastada: um retrato do jornalismo

Por que as pessoas deixam de consumir conteúdo informativo dos produtos nos quais costumavam se informar?

O Pew fez essa pergunta nos EUA e chegou à conclusão de que um terço dos americanos abandona seu ex-veículo predileto porque ele se tornou incapaz de provê-lo com notícias e informação no mesmo nível que antes.

Sinal óbvio de que a desidratação, especialmente no jornalismo hardnews, é devastadora do ponto de vista da qualidade.

Um jeito novo de ver TV

Se pensarmos a TV como um dispositivo, sim, ela está fadada a acabar.

Se pensarmos a TV como uma entrega de conteúdo unidirecional e cronológica, também.

Se pensarmos a TV como produto (que é como deve ser), as novas possibilidades tecnológicas de acesso e personalização vão reforçar o caráter desse meio como o mais poderoso de todos os tempos.

As coisas que o Google não sabe

“O Google sabe tudo”.

Não, não sabe. A ponto de seu projetista-chefe de buscas, John Wiley, revelar que todos os dias pelo menos 500 milhões de coisas que o algoritmo não estava pronto para buscar são demandadas pelos usuários.