Jornalismo on-line forja ‘paquistaneses da web’

Eles ganham pouco, trabalham muito e reclamam de preconceito. A constatação sobre as condições de trabalho no jornalismo on-line é na França, mas bem poderia ser no Brasil.

Texto publicado na segunda-feira pelo Le Monde acendeu uma interessante polêmica no país ao mostrar que as redações francesas na internet esbarram numa série de problemas. O autor da reportagem avança o sinal e chama seus profissionais de “paquistaneses da web” _escravizados e aprisionados horas a fio diante de um computador.

“Fazemos texto, foto, vídeo, enquetes. Daí, quando vamos pedir aumento, a resposta é sempre a mesma: ‘a internet não dá dinheiro'”, fala uma redatora ouvida na matéria.

Longas jornadas de trabalho, soldo insuficiente, tarefas como copiar e colar incessamente notícias, ambiente de trabalho insalubre e ausência de práticas jornalísticas (como apuração e checagem) são apenas alguns dos questionamentos.

Todos estes problemas existem no jornalismo on-line brasileiro. Inclusive o preconceito: nos jornalões, é hábito ouvir gente do impresso desdenhando os colegas da versão on-line, como se o trabalho que fizessem fosse menor.

Além disso, em algumas empresas, a equipe on-line fica confinada em buracos, praticamente esquecida.

Como na França, aqui ganha-se mal e trabalha-se muito. E em péssimas condições, com gente exigindo a publicação imediata de notícias que nem sequer foram checadas.

É uma geração igualmente mal paga e aprisionada ao computador (sabia que via de regra o jornalista de on-line almoça sozinho porque não há como a redação descer junta para comer _quem atualizaria o site?)

É, nós também temos os nossos paquistaneses da web.

3 Respostas para “Jornalismo on-line forja ‘paquistaneses da web’

  1. Alec, não é verdade que jornalistas de web almoçam sozinho. É verdade que não podem ir todos ao mesmo tempo, mas sozinho é exagero. Em quatro anos nessa vida, nunca almocei sem ninguém junto.

    Todo o resto é bastante verdade.

    • Renato,

      Então talvez eu seja realmente misantropo… Talvez quisesse me referir à mesma editoria, emfim.

      Mas faltou citar o banheiro. O desespero que dá só de ir ao banheiro, enquanto pode ocorrer alguma coisa. Eu tinha essa paranoia.

      Não?

  2. É, uma coisa de operador de telemarketing. Hehehe

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