Arquivo da tag: ctrl c ctrl v

O Valor Econômico e a fonte que não fala ‘nem a pau’

valor_logo_caderno

Às vezes, coisas que escrevemos em documentos que deveriam ser particulares (como rascunhos em nossas pastas pessoais ou mesmo o texto da pauta do dia, que costuma _e deve mesmo_ ser mais informal) acabam vazando, e por ene motivos.

valor_nemapauNo caso do jornal impresso, é um caminho sem volta. Publicou, está eternizado.

Aconteceu na semana passada com o Valor Econômico, que numa reportagem sobre o interesse da Telefónica na aquisição da operadora GVT (empresa-espelho da Brasil Telecom) relatou que Fernando Antônio França Pádua, chefe interino da Superintendência de Serviços Públicos da Anatel, “não fala nem a pau”.

Como disse Ancelmo Gois, “acontece nas melhores famílias”.

Jornalismo on-line forja ‘paquistaneses da web’

Eles ganham pouco, trabalham muito e reclamam de preconceito. A constatação sobre as condições de trabalho no jornalismo on-line é na França, mas bem poderia ser no Brasil.

Texto publicado na segunda-feira pelo Le Monde acendeu uma interessante polêmica no país ao mostrar que as redações francesas na internet esbarram numa série de problemas. O autor da reportagem avança o sinal e chama seus profissionais de “paquistaneses da web” _escravizados e aprisionados horas a fio diante de um computador.

“Fazemos texto, foto, vídeo, enquetes. Daí, quando vamos pedir aumento, a resposta é sempre a mesma: ‘a internet não dá dinheiro'”, fala uma redatora ouvida na matéria.

Longas jornadas de trabalho, soldo insuficiente, tarefas como copiar e colar incessamente notícias, ambiente de trabalho insalubre e ausência de práticas jornalísticas (como apuração e checagem) são apenas alguns dos questionamentos.

Todos estes problemas existem no jornalismo on-line brasileiro. Inclusive o preconceito: nos jornalões, é hábito ouvir gente do impresso desdenhando os colegas da versão on-line, como se o trabalho que fizessem fosse menor.

Além disso, em algumas empresas, a equipe on-line fica confinada em buracos, praticamente esquecida.

Como na França, aqui ganha-se mal e trabalha-se muito. E em péssimas condições, com gente exigindo a publicação imediata de notícias que nem sequer foram checadas.

É uma geração igualmente mal paga e aprisionada ao computador (sabia que via de regra o jornalista de on-line almoça sozinho porque não há como a redação descer junta para comer _quem atualizaria o site?)

É, nós também temos os nossos paquistaneses da web.