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O WP sob Bezos

Em entrevista à Folha de S.Paulo, Marty Baron, diretor do Washington Post, fala sobre os primeiros 18 meses sob a égide de Jeff Bezos, dono da Amazon que comprou o tradicional jornal norte-americano.

“Fazer impresso e digital ao mesmo tempo é um desafio”, diz ele, cuja publicação constatou a “confirmação de clichês” como o baixíssimo índice de leitura integral de “reportagens típicas” (só 1,5% dos leitores) e o fato de não existir “poção mágica” para enfrentar a mudança do ecossistema noticioso.

Modelo para o jornalismo digital

Indispensável o trabalho de Caio Túlio Costa que radiografa o estado do jornalismo na intenção de propor soluções viáveis para sua existência rentável.

Realizado em Columbia, o estudo coloca claramente a necessidade de à operação jornalística habitual serem acrescentados novos serviços.

A pesquisa analisa bem a influência das redes sociais na distribuição de conteúdo (inclusive a nefasta influência do algoritmo). A conclusão é aquela sobre a qual falamos desde 2007 – não há para onde correr, é preciso conversar e interagir com seu público.

Importante, ainda, a ausência de preconceito com que foi tratada a gama de serviços adicionais passíveis de cobrança – em boa medida uma releitura dos classificados focados em resolver os problemas das pessoas concretamente, não apenas torná-los públicos.

Infográfico: a distribuição étnica nas cidades dos EUA

Em dezembro falei do trabalho de Bill Rankin, que em 2009 concebeu um infográfico dimensionando a distribuição das etnias na Chicago de 2000.

O NYT fez melhor agora, expandindo a visualização para cada canto do país com dados mais recentes.

Estou me divertindo comparando as duas Chicagos…

Jornalismo on-line forja ‘paquistaneses da web’

Eles ganham pouco, trabalham muito e reclamam de preconceito. A constatação sobre as condições de trabalho no jornalismo on-line é na França, mas bem poderia ser no Brasil.

Texto publicado na segunda-feira pelo Le Monde acendeu uma interessante polêmica no país ao mostrar que as redações francesas na internet esbarram numa série de problemas. O autor da reportagem avança o sinal e chama seus profissionais de “paquistaneses da web” _escravizados e aprisionados horas a fio diante de um computador.

“Fazemos texto, foto, vídeo, enquetes. Daí, quando vamos pedir aumento, a resposta é sempre a mesma: ‘a internet não dá dinheiro'”, fala uma redatora ouvida na matéria.

Longas jornadas de trabalho, soldo insuficiente, tarefas como copiar e colar incessamente notícias, ambiente de trabalho insalubre e ausência de práticas jornalísticas (como apuração e checagem) são apenas alguns dos questionamentos.

Todos estes problemas existem no jornalismo on-line brasileiro. Inclusive o preconceito: nos jornalões, é hábito ouvir gente do impresso desdenhando os colegas da versão on-line, como se o trabalho que fizessem fosse menor.

Além disso, em algumas empresas, a equipe on-line fica confinada em buracos, praticamente esquecida.

Como na França, aqui ganha-se mal e trabalha-se muito. E em péssimas condições, com gente exigindo a publicação imediata de notícias que nem sequer foram checadas.

É uma geração igualmente mal paga e aprisionada ao computador (sabia que via de regra o jornalista de on-line almoça sozinho porque não há como a redação descer junta para comer _quem atualizaria o site?)

É, nós também temos os nossos paquistaneses da web.

A aula na Famecos

Alunos do terceiro semestre da PUC-RS pouco antes de aula sobre jornalismo digital (Foto: Alec Duarte)

Alunos do terceiro semestre da PUC-RS pouco antes de aula sobre jornalismo digital (Foto: Alec Duarte)

Ainda em Porto Alegre, participei de uma aula de jornalismo digital dos professores Ana Brambilla e Andre Pase aos alunos do terceiro semestre da Famecos, a faculdade de comunicação da PUC-RS.

Foi uma conversa bem centrada na importância de o jornalista entender que foi desbancado pela tecnologia (o público agora tem acesso aos mesmos dispositivos e pode fazer jornalismo se quiser) e na necessidade de estabelecer uma conversação consistente, produtiva e colaborativa com essa gente.

Na apresentação, mostrei alguns cases importantes de fusão, apropriação e uso de novas ferramentas _mas bem sob a ótica do contexto de circulação e relevância de periódicos no Brasil.

A conversa fluiu tão bem que falamos ainda de campanhas virais na web e do negócio dos jornais gratuitos. E, claro, de um bom exemplo de mobilização da ex-plateia que deixou um site noticioso de joelhos: o #completeog1, que obrigou o produto global a corrigir um problema imperdoável em seu canal de microblog.

Não vejo a hora de voltar.