Jornalistas ou filhinhos de papai?

Grande texto do espanhol El Mundo, que já tem mais de mês, sobre o momento em que jornalistas foram expulsos do aeroporto de Porto Príncipe pós-terremoto. E revelaram seus medos sem a tutela norte-americana no cenário de putrefação e catástrofe.

¿Puede un periodista ponerse a llorar cagado de miedo nada más poner un pie en Puerto Príncipe al verse rodeado de negros? Sí.

O correspondente Jacobo G. García fala mais: diz que “muitos jornalistas preferem viver debaixo da asa de uma organização qualquer do que enfrentar sozinhos uma cidade destroçada e desconhecida”.

E termina com um grande texto de Arturo Pérez Reverte, ele próprio correspondente de conflito/catástrofe, contando sobre a vez em que foi dado como desaparecido por sua redação na fronteira entre Sudão e Etiópia.

“En realidad fueron mi redactor jefe, Paco Cercadillo, y mis compañeros del diario ‘Pueblo’ los que me dieron como tal; pues yo sabía perfectamente dónde estaba: con la guerrilla eritrea.”

Esse entendimento do jornalismo como uma tarefa a destemidos vem de longa data.

8 Respostas para “Jornalistas ou filhinhos de papai?

  1. Ano passado o Profissão Repórter acompanhou a rodada final do Campeonato Brasileiro e o Caco Barcelos criticou o aprendiz de repórter que, no meio do tumulto ao final do jogo do Coritiba, se escondeu no túnel dos árbitros enquanto outros se movimentavam pela confusão para pegar as melhores imagens.

    • Murdock,

      Sou contra essa visão do jornalista destemido e pau pra toda obra. O mundo mudou, as pessoas precisam ser mais responsáveis no exercício da profissão.

      abs

  2. O jornalista tem que ser destemido, sim, claro. Mas para tudo há limites. Colocando o ângulo sobre nossa realidade… até que ponto um jornalista deve subir uma favela sozinho, sem aparato policial ou comunitário? Temos aí o caso Tim Lopes. Coragem é sempre bem-vinda, desde que acompanhada de bom senso. A não ser que o jornalista julgue ser Clark Kent, o super-homem.

    • Franco,

      Pior é ter visto, no ano passado, uma faculdade incentivando um aluno em projeto final de curso a morar três semanas numa favela. Irresponsabilidade total. Que tipo de coisa estamos tentando ensinar para as pessoas?

      abs

  3. Na minha humilde opinião, não dá para chamar filhinho de papai aquele jornalista que, com ou sem a tutela norte-americana, vai cobrir grandes catástrofes. É praticamente um cenário de guerra.

    • Tatiana,

      É uma visão, como falei no texto, de uma época destemida do jornalismo, onde esse tipo de tutela era simplesmente inaceitável. Eu acho que nós, como profissionais, e as empresas hojte têm muito mais responsabilidade quando enviam um funcionário a um cenário do tipo.

      abs

  4. Em primeiro lugar, acredito eu, o jornalista precisa ser inteligente. Não adianta enfrentar o que aparecer e não sobreviver para informar depois. Mas também não adianta botar o pé no lugar com medo de dar o passo seguinte. Bom senso e um pouco de “estar no lugar certo na hora certa” são fundamentais.

  5. Daria um braço pra estar no lugar deles.

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