O jornalismo chapa-branca na tomada do Alemão

Eu estou simplesmente impressionado com a cobertura, notadamente das Organizações Globo, Record e revista Veja, da ação policial que culminou com a ocupação do Complexo do Alemão, até então símbolo do narcotráfico e da ausência do Estado no Rio de Janeiro.

A Globo tem um motivo particular para tornar dela o discurso oficial e transformar os agentes que participaram da operação em heróis: foi no Alemão que um de seus profissionais, o jornalista Tim Lopes, acabou sequestrado, torturado e assassinado em 2002 quando produzia uma reportagem sobre a exploração sexual, por traficantes, de meninas do morro.

Mais de um apresentador do canal se disse “pessoalmente satisfeito” com a tomada do Alemão, citando diretamente Tim.

É, evidente, um motivo menor diante do alcance (e do simbolismo) da ação coordenada da polícia e das Forças Armadas.

Ainda assim, e mesmo com um lado “bom” tão evidente, ainda acho que jornalista não deve torcer.

Essa atitude, aliás, explica porque hoje vemos tanta gente a favor de que a polícia simplesmente chegue atirando e matando pessoas.

3 Respostas para “O jornalismo chapa-branca na tomada do Alemão

  1. Depois da emoção inicial dessa cobertura, virão as denúncias sobre a ação da polícia. Tenho certeza disso.
    Inclusive, amanhã é possível que tenhamos algo sobre isso, né? rs

  2. Claro que vi.
    Depois da tempestade _de notícias boas_, vem a bonança _das denúncias.

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