Resgate público dos jornais americanos é atraso, diz Jeff Jarvis

Jeff Jarvis oferece um ponto de vista bem interessante sobre o projeto de lei que em tese daria fôlego aos jornais americanos ao permitir que eles se transformem em entidades sem fins lucrativos _livrando-os de diversos impostos e os credenciando a receber verbas governamentais e repasses via programas públicos e/ou particulares.

Para Jarvis, o Newspaper Revitalization Act, apresentado pelo senador democrata Benjamin Cardin, apenas adiará o inevitável: a necessidade de os jornais se confrontarem com a ruína de seu modelo de negócios, destruído pela internet e o valor-notícia próximo do zero decorrente da penetração dela.

Outra preocupação do professor de jornalismo da Universidade de Nova York é bem pertinente: quem pode se candidatar a tornar-se “entidade sem fim lucrativo”? Um blog, por exemplo?

6 Respostas para “Resgate público dos jornais americanos é atraso, diz Jeff Jarvis

  1. Oi, Alec!

    Eu tenho algumas restrições sobre a questão do fim do jornalismo “pago”.
    Eu, por exemplo, pagaria para ter acesso a um conteúdo no qual eu confie. Inclusive, pago o UOL para ter acesso à Folha, a revistas, jornais internacionais traduzidos…

    Outro dia você fez uma piada com a EFE. Supondo que ela fosse a única agência de notícias gratuita, você confiaria ou iria pagar para ter acesso a conteúdos mais confiáveis?

    Se a FOL restringisse o acesso, você não pagaria pelo conteúdo?

    Acho que no caso de jornais mais tradicionais, voltar a cobrar não seria tão catastrófico. Tenho dúvidas se eles perderiam tantos leitores.

    E reproduzir conteúdo sem autorização é crime. Os sites costumam fazer “escuta” dos jornais impressos, da TV e do rádio. Isso deveria ser proibido e protegido com multa.

    beijo,

    • Carol,

      Eu não tenho restrições, é uma certeza: este modelo se rompeu. E justamente por conta daquilo que você apresenta como solução: há pouco, pra não dizer nenhum, conteúdo diferencial que justifique pagar. Essa é a chave.

      Cuidado com o que vc toma por “reprodução de conteúdo”. Na web, as pessoas compartilham conteúdo (e fazer isso sem fins lucrativos não é crime). Quanto à escuta dos sites, tb não vejo nada marginal. É um dos papéis do jornalismo on-line: “clipar” jornais, revistas, TVs e rádios para informar ao cliente que está, naquele momento, na rede e, muito provavelmente, sem acesso a esses veículos.

      Quanto à EFE, é um caso à parte. Ruim e irresponsável, ainda assim a agência vende conteúdo para todo mundo, inclusive El Pais (espanholismo claro, né?). Em boa medida é um seguro dos jornais (pagar por informação que possa, eventualmente, ser usada). Então nem dá pra imaginar a hipótese dele ser gratuita.

      bjs

  2. Alec, como já te disse, adoro essas discussões. rs

    Se não há conteúdo diferencial que valha a pena, por que as revistas semanais ainda vendem, sendo que o leitor já sabe o que aconteceu de importante na semana? Porque as revistas costumam angular os temas de forma diferente.

    Pra quê comprar a Veja se o furo que ela deu na capa no sábado, sairá como “escuta” na internet e nos jornais de domingo?

    Por isso ainda acho que a saída para os jornais impressos é investir em conteúdo exclusivo, com articulistas, especialistas, cronistas, enfim… gente que agregue valor às notícias já veiculadas.

    Para mim, compartilhar conteúdo é o que fazemos no twitter, por exemplo: vc indica o link onde a notícia está publicada. E as pessoas vão até a página original do dono da matéria. Copiar e colar conteúdo alheio no nosso blog, para mim, é desonesto, mesmo quando a fonte é citada. A não ser que a fonte tenha autorizado.

    Escuta é outro absurdo. Foi a maneira que o online encontrou de ter conteúdo sem investir na redação. Quantos repórteres os portais têm? A maioria das pessoas são contratadas como redatores, ou seja, fazem escuta, reescrevem releases, e assim por diante. Investigar? Checar in loco? Nem pensar.

    Não é sacanagem os impressos investirem numa estrutura jornalística e os portais se aproveitarem do conteúdo produzido? Eu acho que sim.

    Se eu fosse dona de um jornal, iria me proteger legalmente contra isso. Você mesmo disse outro dia que se os jornais fechassem a internet não teria de onde tirar tanto conteúdo jornalístico.

    A EFE é ruim por quê? Porque eles são desesperados pelo furo. Publicam a informação assim que recebem, sem checar. Repare quando eles dão notícia sobre mortos em alguma catástrofe. Na primeira informação morreram 20; na atualização morreram 10; no fim do dia, ninguém morreu.

    A EFE acerta a informação principal, mas erra os detalhes. Aconteceu um acidente. Ponto. O resto, deixa prá lá. Não entendo por que ainda pagam por uma agência que ninguém confia e que é reconhecidamente ruim.

    Mas eu pagaria por bom conteúdo.

    • Carol,

      Primeiro que essa sensação que vc tem no microblog ocorre porque o link externo, como falei outro dia aqui, é um monstro do pântano das redações. Tem de fazer o clipping e tem sim de dar o link do veículo-fonte, claro. Mas escuta não é absurdo não, é um serviço essencial na web.

      O fato de as notícias circularem e serem compartilhadas pelas pessoas já é fato consagrado, não há mais como deter. Estou falando de uma etapa ainda anterior à publicação daquilo por um portal. As pessoas distribuem conteúdo alheio não pq querem levar à falência a Editora Abril, por exemplo, mas justamente pelo contrário. Elas amam aquilo, então até se disporiam eventualmente a pagar só para ter o prazer de distribuir. O valor-notícia hoje custa zero por causa dessa peculiar relação em rede. Contra isso, não dá mais pra brigar.

      Então, por que comprar a Veja mesmo?

      Análise de dados sobre circulação e vendas não vêm ao caso nesse debate porque (também como já falamos milhares de vezes) a situação do Brasil e de outros emergentes é totalmente distinta à coisa no hemisfério Norte. Tem de separar bem as coisas: a crise dos jornais nos EUA e Europa não é nem de perto a situação pela qual passam estes veículos aqui, onde pessoas recentemente começaram a comer e o papel terá ainda (sempre arrisco o plural) décadas de vida. Há demanda reprimida suficiente para dizer isso.

      Se formos pegar o contexto mundial das revistas, assim como o dos jornais, ambos caíram drasticamente em todos os quesitos.

      E sobre a EFE… putz, é todo um case. Às vezes traz uma frase boa, mas… será que é verdade?

      bjs

  3. Alec,

    uma coisa é fato: ninguém consegue sobreviver sem notícia. E digo sobreviver no sentido literal da coisa. E notícia não pode ser fofoca ou rumor. Tem de ser fato.

    Eu não sei como funciona na prática, efetivamente, mas com base na teoria, gosto muito do modelo BBC.

    Será que realmente não funcionaria com os impressos? Será que as pessoas não teriam interesse em bancar um jornal/revista que lhes trouxesse informações relevantes, confiáveis e sem rabo preso com a publicidade?

    beijo,

    • Carol,

      existe uma tentativa que ruma para isso nos Estados Unidos. Leitores bancando veículos (as tais doações, ou endorsements). Já há veículos funcionando assim. Logo, em breve saberemos os resultados destas primeiras experiências.

      bjs

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s