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Kony 2012: lições de uma manipulação grosseira

Não é possível que mais uma mobilização que tem a desinformação como mola-mestra na internet passe incólume. Sem deixar lições? Não pode.

Estou falando do viral Kony 2012, vídeo visto 100 milhões de vezes que reorganiza aleatoriamente e sem contextualização fatos ocorridos há mais de uma década em Uganda para fazer uma denúncia ainda válida: um criminoso está livre.

A ONG Crianças Invisíveis pretendia mostrar ao público as atrocidades de Joseph Kony, líder de um tal Exército de Resistência do Senhor – que cooptava crianças para sua guerra santa nas décadas de 80 e 90 e hoje está reduzido a um grupo de párias que não passa de 400 e não tem qualquer importância política ( as crianças que não morreram em combate já são adultos).

A trajetória de Kony mobilizou o mundo, e a ONG conseguiu arrecadar muito dinheiro com o buzz todo.

Tirando a desonestidade intelectual de se distorcer fatos, a entidade é muito séria e está na linha de frente de uma série de ações em prol das crianças africanas. Mas seu principal papel, de fato, é produzir vídeos que chamem a atenção para o problema, jamais resolvê-lo.

Ninguém deveria se sentir lesado pela campanha Kony, mas certamente é preciso parar para pensar de que forma nos engajamos em qualquer coisa que apareça on-line, sem o menor critério ou informação. Isso sim é gravíssimo e aponta para a existência de uma gigantesca massa de manobra altamente manipulável.

Pense nisso.

ATUALIZAÇÃO: Na Folha de S.Paulo de hoje, Nizan Guanaes fala do fenômeno Kony 2012 sob o ponto de vista da publicidade – um evidente case de sucesso.

Vada a bordo, cazzo

Meios on-line não podem ignorar o que se passa na internet e afins (leia-se aplicativos móveis). É seu habitat.

Por mais que eu ache que estamos cedendo fácil demais à webceleb da vez, é uma obrigação de quem cobre o mundo pendurado num aplicativo ou na rede explicar aos frequentadores de seus ambientes o que se passa ao redor.

O episódio Luíza dá outro indício de que inevitavelmente nos colocamos em nossa nova (ainda?) posição: somos reféns de quem, por séculos, foi escravizado por nós.

O controle não é da mídia, é do consumidor.

A ponto de mestre Carlos Nascimento, que entende do riscado, esbravejar.

Não definimos mais o que nosso público acha relevante. Ao contrário, temos de nos dobrar às irrelevâncias (em nossa visão) que o público nos força a discorrer.

Vada a bordo, cazzo.

Quando notícias velhas ressuscitam – e um antídoto para isso

O relato de que as notícias mais lidas no jornalão inglês The Independent tinham mais de dez anos – fato que ocorreu outro dia e se repetiu com o El Pais, agora – exibe mais do que o poder viral do Facebook e sua nova função de compartilhar o que está lendo com seus contatos.

É fato que a maioria das pessoas simplesmente não consegue se dar conta se uma notícia é nova ou velha. Nem mesmo quando a data da publicação dos textos está lá, escancarada, consegue-se livrar da ressurreição viral de notícias que deixaram de sê-lo por conta do excesso de mofo.

Neste aspecto, o G1 (portal de notícias mais acessado do país) tem um antídoto que ajuda a prevenir essas ondas de má informação: o site não atualizou os templates de suas páginas anteriores ao atual projeto gráfico, de 2011.

Portanto, se deparar com uma notícia antiga é, antes de tudo, uma experiência visual que, no mínimo, provoca algum tipo de estranhamento (como este aqui, por exemplo).

Ótima ideia.

YouTube faz coletânea com os principais virais de 2010

Vocês sabem que, apesar de não estar (sempre) diretamente ligado a jornalismo, tenho muito interesse nos virais e na maneira como eles são distribuídos na rede. Analisar esse comportamento tem tomado, nos últimos anos, bastante tempo dos meus dias.

O YouTube (com o apoio da fabricante de dispositivos móveis HTC) decidiu colocar até o dia 31, a razão de um vídeo por dia, aqueles que considera os virais mais expressivos de 2010.

Vai lá que já são 4 os vídeos _e a contagem regressiva para o ano está rolando.

(Quem viu primeiro foi o Braimstorm9).

Busca em tempo real, ideias de vídeo, Facebook e papo cabeça: o resumo da semana no Webmanario

1. A busca em tempo real chega ao Google, e discutimos se o furo perdeu a importância e se a suíte ganhou relevância

2. Um viral publicitário me deu algumas ideias de mashups com vídeos e Google Earth

3. 50 empresas que sabem se comunicar com seu público no Facebook

4. Estudos em Jornalismo e Mídia: o caderno editado pela UFSC com trabalhos bastante pertinentes sobre a nossa profissão

Trabalhos que dão vontade de copiar

O uso do Google Earth num viral do Discovery é o tipo de trabalho que me dá ideias para aplicar no jornalismo.

É óbvio que coisas irrompendo, em geral, só funcionam na publicidade _e que você, para entender do que estou falando, terá que jogar o jogo.

A proposta é pensar numa forma mais ágil e moderna de agregar vídeo às incríveis imagens de satélite (que não são em tempo real, bem entendido) que compõem este aplicativo do Google.

Pense em sobrevoar São Paulo e clicar, digamos, no Parque Antarctica e ser direcionado para gols de partidas que aconteceram ali. Ou então selecionar o Teatro Municipal, na Praça Ramos, e ter acesso ao preview em imagens das produções em cartaz.

Deixando, para isso, o player totalmente sob o controle do usuário. Básico. O jornalismo não invade _a publicidade, sim.

É claro que há toneladas de exemplos de vídeo associado ao Google Earth. Mas a nossa parte quase sempre é a mais modesta (o público parece manejar melhor essa linguagem do que a gente).

Isso acontece em boa medida porque falta o respaldo para a inovação.