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O usuário é preguiçoso?

Especialista em UX desde os tempos em que ela conhecida como usabilidade, mestre Jakob Nielsen escreve nesta semana sobre a tendência que todos temos de considerar o ser humano preguiçoso na interação com máquinas. Na verdade, aponta Nielsen, o foco é criar caminhos e design que andem na direção do comportamento humano.

Inércia de dispositivos, comportamento momentâneo e atenção seletiva são três dos aspectos que o especialista chama a atenção para que façamos produtos melhores. Vale a leitura.

Hashtag e controle do público

A publicidade e o jornalismo – ambos há muito tempo – compraram completamente a linguagem da hashtag. O “jogo da velha” está em todas as partes, da coluna de jornal à campanha institucional do banco. O Facebook já trabalha para incorporá-la também.

É uma admissão irrefutável de que o avanço tecnológico mudou o eixo da produção. Por mais que queiramos, o controle não é mais nosso, mas do público (a ex-audiência).

No caso específico da hashtag e seu triunfo como elemento agregador de conversação (e de comunicação, como mostram a reverência publicitária e jornalística ao elemento), nunca é demais lembrar que ela foi criada pelos próprios usuários do Twitter, sem obedecer a comandos ou chamamentos.

Positivamente, nosso mundo mudou.

A inteligência coletiva ainda resiste

Fiquei surpreso ao descobrir que o Reddit, criado em 2006, aparece na oitava posição entre os sites de notícias mais acessados da internet, segundo o confiável ranking da Alexa.

Basicamente um repositório de links (nem todos jornalísticos) submetidos à avaliação de seus usuários, que assim determinam em que posição cada contribuição é mostrada no site, o Reddit segue o modelo inaugurado pelo Digg, produto de 2004 ainda no ar e que acabou ultrapassado pelo concorrente.

Trata-se de uma aposta na curadoria da inteligência coletiva, ou seja, uma edição feita a várias mãos, por uma comunidade de usuários.

Mais interessante ainda é a Alexa classificar essas experiências na categoria de notícias.

Não deixa de ser estranho também ver o Reddit ali, entre BBC News, CNN, NYTimes, HuffPo…

Um esclarecimento: a metodologia usada pela Alexa se parece muito com a adotada pelo Ibope para medir a audiência televisiva no Brasil: depende de um programa distribuído por amostragem em residências que monitora os hábitos de uso do aparelho.

A quem interessa uma nova versão do iPad?

É o que explora o gráfico abaixo, com base em entrevistas de usuários americanos. E uma ducha de água fria para nós: o consumo de notícias aparece no final da fila das prioridades de quem usa a versão 2 do tablet da Apple…

ATUALIZAÇÃO: Na caixa de comentários, meu amigo Rafael Capanema me avisa que o consumo de notícias na verdade aparece em 7º lugar (o que está lá pra trás é a leitura de revistas). Melhor, mas ainda assim…

O usuário que realmente importa

Na linha de Ken Doctor, sobre quem falamos ontem, artigo de James Breiner relembra uma verdade importante do jornalismo on-line: o usuário fiel ó que realmente importa.

Nosso desafio, portanto, é fazer um bom produto para fidelizar o usuário único. É a solução de um milhão de dólares.

O jornalismo mostra sua cara no Tumblr

Já são pelo menos 160 os produtos jornalísticos que estão presentes no Tumblr, uma plataforma entre blog e microblog que tem experimentado um crescimento considerável de 2010 pra cá (o site foi criado em 2011).

O último foi o Washington Post, que seguiu os exemplos do The Guardian e do Los Angeles Times.

É mais uma plataforma em que o jornalismo vai precisar mostrar a sua cara. Basicamente, para convidar o usuário a participar diretamente do noticiário, compartilhando texto e imagens.

Nenhuma grande novidade, a não ser a facilidade de publicação.

Mas provocará barulho.

Estamos sendo úteis para o nosso leitor na internet?

Este texto fala de publicidade, mas pode perfeitamente ser entendido como um recado ao jornalismo.

Será que estamos sabendo aplicar a tecnologia aos nossos produtos on-line? Ou muitas vezes despejamos ferramentas sem saber bem ao certo para que e, mais, deixando-as nas mãos do incauto leitor/usuário sem qualquer acompanhamento?

É que diz Gabriel Jacob.

“Não podemos esquecer que o que vale é a ideia como forma de gerar interesse e envolvimento duradouro. Precisamos ser realmente úteis. E, quando tratamos de digital, não podemos achar que a única coisa que importa é a interação com a ferramenta. Ela até pode ser um fator importante, mas, se depender da maioria das necessidades, ela, a interatividade, não sobrevive sozinha.”

Penso exatamente a mesma coisa.

Jornal cobra para leitores comentarem em site

É bizarro, mas um bom teste: o jornal Sun Chronicle, de Attleboro (EUA), passou a cobrar a taxa única de US$ 0,99 para leitores que quiserem comentar as notícias de seu site.

O pagamento tem obrigatoriamente de ser feito em cartão de crédito, o que garante a identificação de 100% dos comentaristas. Certamente um ambiente mais seguro, mas menos parecido com a internet.

Rafael Sbarai vê autoritarismo e precipitação na estranha medida.

De tão estranha, aliás, acho mais prudente observar a adesão a ela _e o resultado prático na excelência do conteúdo da caixa de comentários, reconhecidamente baixo na maioria dos veículos que trabalham com notícias e interagem com seu público.

O passo pode sugerir um sinal, também, de que comentários são tão relevantes que é possivel vendê-los como se fossem classificados.

Por sinal, há quem use (e com bastante frequência) o espaço para promover links. Pagaria por isso?

Times perde audiência após cobrar por conteúdo

O The Times, jornal publicado em Londres desde 1785 e hoje propriedade do multimilionário Rupert Murdoch, começou a cobrar por conteúdo neste mês.

Pois bem, saíram seus primeiros resultados e, claro, a audiência caiu (o quadro aí em cima não deixa qualquer dúvida). Mais: só 17% dos usuários do site passam pela área de conteúdo restrito.

Um fracasso retumbante que a gente já sabia. Cobrar por notícias que estão em toda parte é tiro no pé.

A mobilização pelo slow e o problema que ela causa

O slow journalism, movimento que recomenda menos velocidade (por mais qualidade) no consumo de informações, deve recrudescer em 2010. Ainda mais em ano de Copa do Mundo e eleição (no Brasil), quando as pessoas naturalmente passarão mais tempo na internet.

Mas há um problema grave com a mobilização pelo slow: ela omite que hoje, na era da publicação pessoal, emissor e consumidor de notícias são a mesma pessoa _o produser. A rigor, e sendo bem chato, seria o colapso do on-line.

E há quem não seja e consuma notícias exatamente como fazia em 1970: vendo TV, ouvindo rádio e lendo jornal.

Eu acho essa revolta contra o overload informativo uma grande bobagem. Assim como cada meio, cada pessoa tem seu timing.

Se eu quiser ter um site que não é acessado por ninguém, adoto o slow journalism _por sinal, as revistas semamais fazem isso desde sempre, sem provocar nenhum furor do gênero. Não há novidade nisso. E a vocação do meio revista. Ponto.

Compreenda: a web é O lugar para a atualização rápida. Se você a transforma numa coisa lerda, está dizendo às pessoas “compre o livro”.

Há outras plataformas para burilar a notícia, com a diferença de que elas são todas mais caras. É um argumento que joga a favor da apropriação da web para fins “reflexivos”.

Mas o único.