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Quem tem os piores comentaristas da internet?

John Herrman analisou sites de notícias, blogs de tecnologia, páginas políticas e de cobertura de celebridades, Facebook e Youtube para chegar à conclusão que o vencedor é… descubra você mesmo, é surpreendente!

De minha parte, baseado em observações diárias, fiz uma divisão em cinco categorias do que é mais frequente encontrarmos nos portais brasileiros. É a que segue.

Pregadores
Não tem jeito: estão presentes em todo o tipo de reportagem. Se a pessoa morreu, “foi a vontade de deus”. Se ela se salvou, “deus é grande”. Se está doente, “fé em deus”. Uma nova descoberta científica? “Parem de desafiar o poder de deus”. O goleiro do seu time fechou o gol? “É o dedo de deus”. Calculo que cerca de 30% dos comentários esteja impregnado de discurso religioso. E, a partir dele, os anti-religião transformam a discussão numa batalha infindável entre crentes e ateus.

Oniscientes
Eles não testemunharam a notícia, mas conhecem profundamente seus protagonistas e sabem descrever com precisão como o fato ocorreu. Vide “com certeza ele usou cocaína e encheu a cara” ou “está na cara que essa mãe não tem condição psicológica de cuidar de uma criança”. São capazes de dar aulas das mais variadas, de astrofísica a gastronomia, e acreditam que realmente conhecem esses assuntos. Estão aos montes nas caixas de comentários.

Justiceiros
Sua arma é a lei de talião. “Matem essa monstra”, “ponham fogo na casa desse assassino” e “me dê apenas 10 minutos a sós com esse lixo humano” são seus lemas. Frequentam basicamente o noticiário policial. Se todo mundo que estes comentaristas de site anunciam que matariam efetivamente morresse, estaria faltando gente no mundo.

Trolls
Estão entre nós desde que a internet é internet basicamente em busca de atenção. Para isso, recorrem a agressões gratuitas, palavrões, críticas desmensuradas.

Comentaristas
Quase me esqueço deles. Afinal, são minoria: ingressam numa notícia para realmente expor, civilizadamente, sua opinião sobre o tema.

O que fazer com os trolls

Uma das coisas mais velhas da internet – e contra a qual conseguimos evoluir pouco ou nada para combater – é a praga dos trolls.

Dolores Vela discorre um pouco sobre a motivação destas pessoas em estragar de caixas de comentários e perfis em redes sociais com intervenções impróprias.

A triste conclusão: a adesão de trolls é uma admissão de sucesso. Eles não aparecem em sites que estão às moscas.

Não alimente os trolls

Outro dia comentei no Twitter que bloquear um troll é uma terapia mais eficaz do que minha medicação para hipertensão. Daí o Fábio Ivo Monteiro me mandou a charge acima.

Bem por aí.

A insanidade dos trolls ativistas políticos

A polêmica atuação do delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz no Caso Satiagraha deu mais uma demonstração exemplar de que um estudante francês, Nicolas Kayser-Bril, foi muito lúcido ao cunhar o texto “A economia dos comentários“. Neste caso me refiro às reações desproporcionais a postagem de Fernando Rodrigues sobre o tema.

Em resumo, para Kayser-Bril, quanto maior o número de respostas a determinado artigo na Internet, maior a chance de haver ruído, mediocridade e a nefasta aparição de trolls, esse personagem estúpido da Web que veio ao mundo apenas para ofender e desestabilizar qualquer tentativa de conversação.

Neste caso específico, é o ativismo político que está por trás dessa proliferação de trolls. Mesmo ativismo, por sinal, que vitimou outro jornalista, Vinicius Torres Freire, quando ele “ousou” tecer críticas a Lula. Nessa hora, um pelotão de maria-vai-com-as-outras emerge na caixa de comentários com a ofensa como único, digamos, argumento. São eles que dão embasamento a teses como a espiral do silêncio, de Elisabeth Noelle-Neumann, pela qual os detentores de opiniões minoritárias se calam por receio de represálias da horda dominante.

Por isso tenho demonstrado aqui tanta preocupação com a necessidade de um gerenciamento de discussão nos portais noticiosos para, além de encaminhar e manter o debate dentro do limite do racional, poder filtrar e eliminar do convívio on-line os intoleráveis inimigos da liberdade de expressão. Essa gente guia o pensamento de quem vem em seguida, e o resultado é este aí que está posto: estrume em forma de comentário.

Faz muito tempo que a popularidade e relevância de um site (ou blog, ainda que seja blog apenas na nomenclatura _os blogueiros de botique são inúmeros, inclusive o próprio Protógenes) deixaram de ser medidos pelo número de comentários na página. Afinal, como pontuou corretamente nosso estudante francês, tudo o que essa avalanche de palavras produz é ruído e mais ruído, com direito a um lugar automático na lata de lixo do ciberespaço.

A incapacidade dos trolls ativistas de fazer sinapses é latente. Para eles, quando um repórter negocia com suas fontes a publicação de reportagens, é sinal de que ele está comprado (para citar dois exemplos, fiquemos com as repórteres Andréia Michael e Lilian Christofoletti, da Folha de S.Paulo, outras vítimas de toda sorte de insanidade verborrágica dos comentaristas profissionais da Internet).

São esses mesmos trolls políticos (supostamente politizados) que notabilizam outros trolls, estes ainda mais perigosos, pois são os que tomam a iniciativa de tornar públicas suas opiniões destrutivas e via de regra forjadas apenas para fomentar mais ódio e debate vazio.