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O jornalismo, os blogs e os vídeos

A conversa começou num breve post do ótimo Novo em Folha sobre o uso de imagens em vídeo no jornalismo, ilustrada com uma foto de repórter usando, digamos, uma “robusta” filmadora _na verdade, as opções do mercado são miniaturizadas e cumpridoras (um equipamento daquele tipo, de verdade, se justifica apenas para uma emissora de TV).

O post da Ana Estela introduz uma entrevista do Poynter com o correspondente Travis Fox, do Washington Post. Esclarecimento necessário: hoje, Fox trabalha na maior parte do tempo como cinejornalista.

E daí? E daí que, quando falamos no uso de vídeos no jornalismo, em geral estamos nos referindo a pequenas intervenções muitas vezes gravadas com o mesmo equipamento amador que está à disposição do “cidadão comum”. Não se imagine carregando o mundo nas costas. A prioridade segue sendo coletar e filtrar informação.

Pois bem: daí um leitor do Novo em Folha, inspirado pela história de Fox e sobre o uso cada vez mais freqüente de elementos multimídia no jornalismo tradicional, enviou ao site o seguinte comentário: “Li seu post sobre o uso de vídeo e alguns artigos sobre o futuro do jornalismo e achei bem bacana a discussão porque hoje mesmo postei no meu blog uma impressão minha de que o jornalismo on-line está cada vez mais se aproximando do blog. Você concorda com isso? Pela força da ‘massificação’ do blog, estaria o jornalismo se transformando em “blogarlismo”? Ou estou sendo muito conservador e a tendência é essa mesma, ou seja, cada vez mais privilegia-se a instantaneidade e a interatividade em depreciação ao aprofundamento do conteúdo?”

A Ana respondeu a seu leitor dizendo que “não diria que, no geral, o jornalismo digital esteja se blogalizando, não”, e pediu que eu metesse a colher. Meti.

“As pessoas às vezes fazem essa confusão entre jornalismo e blog. A princípio, blog não é um produto jornalístico (afinal, ele nasce com o objetivo de conter aspectos pessoais com tinta opinativa _ambos bem distantes da “missão” que entendemos ser comum à profissão).
 
Contudo, seu poder mobilizador de multidões (crowdsourcing) e alavancador de pautas já tem sido usado por quem está sintonizado com as mudanças que a tecnologia está trazendo ao exercício da profissão.
 
É inegável que, como linguagem, o blog tem ganho espaço em sites de conteúdo exclusivamente jornalístico. Porém ele tem sido utilizado mais como um complemento virtual e, em muitas vezes, por absoluto desconhecimento das potencialidades de outras plataformas (eu brinco com a frase “ei, precisamos ter esse tal de blog urgente”).
 
O Clarín, que sempre está na vanguarda on-line, há tempos dispõe as notícias em sua home page na ordem cronológica inversa (uma clara citação ao modus operandi blogueiro). Essa talvez seja a mais notável influência.
 
Agora, em momento algum enxerguei qualquer movimento de fusão entre blog e jornalismo on-line. O blog é mais um produto virtual que o jornalismo emprestou e que está sendo tocado paralamente ao processo natural de coleta e seleção de notícias.”

Assim como o vídeo. Não queremos substituir a apuração tradicional da imprensa escrita por cinegrafistas-repórteres (fosse isso, era só todo mundo se bandear para a televisão). O lance multimídia é uma mescla entre as coisas. A idéia é ser complementar.