Arquivo da tag: Time

A dura vida do jornalismo sob censura

Jornalistas que cobrem a visita de Barack Obama hoje à Arábia Saudita foram ameaçados de prisão pelas autoridades locais caso deixem seus hotéis ou empreendam “qualquer outra atividade jornalística” que não a cobertura em si da agenda do presidente dos Estados Unidos.

É o que relata o enviado da revista Time, Michael Scherer.

Leia também: Jornal publica anúncio que sugere o assassinato de Obama

Opine: um jornal precisa de manchete todos os dias?

Depois de publicar a absurda condição, Scherer conta ter recebido um desmentido oficial, e a garantia de que todas as condições (só precisamos de uma, liberdade) serão dadas aos profissionais nesta cobertura em solo saudita.

Difícil de acreditar quando se trata de um país que permite, por lei federal, censurar reportagens que possam ser consideradas uma ameaça à “união” nacional.

Veremos o que acontece hoje.

Revista Time faz bolão fúnebre com saúde de jornais

A Time publicou um bolão fúnebre: sua lista de dez jornais americanos mais ameaçados pela crise, sob a luz do fechamento do sesquicentenário Rocky Mountain News. No entendimento da reportagem, são publicações que correm o risco de ou simplemente desaparecer ou resistir apenas on-line.

A revista nem considerou o caso do Seattle Post-Intelligencer, prestes a parar as máquinas pela última vez.

A relação

1. The Philadelphia Daily News

2. The Minneapolis Star Tribune

3. The Miami Herald

4. The Detroit News

5. The Boston Globe

6. The San Francisco Chronicle

7. The Chicago Sun-Times

8. NY Daily News

9. The Fort Worth Star Telegram

10. The Cleveland Plain Dealer

Em bom português

Para quem não leu no original, o Estado de S.Paulo de ontem traduziu (e publicou em duas páginas) o artigo de Walter Isaacson defendendo o micropagamento como uma solução para tirar o jornalismo impresso (o americano, diga-se) do fundo do poço.

Sem recorrer à tradução do texto, a Folha de S.Paulo também debateu o assunto no final de semana (para assinantes do jornal ou do UOL).

Você já sabe o que eu e outras pessoas pensamos, mas como o debate chegou ao Brasil, veremos o que de novo acontece nesta semana.

Quem precisa ser salvo: o jornal ou o jornalismo?

A busca “save” + “journalism” + “newspapers” é o hype da nossa profissão. A mídia repercute o apelo de Walter Isaacson pela salvação dos jornais americanos publicado na Time e também no Huffington Post, belíssimo exemplo de mídia independente nascida na Internet e que ajudou a confrontar o monopólio da imprensa em papel (note a “sutil” diferença entre os títulos do artigo numa e noutra publicação).

O próprio HuffPo, em outro texto bastante lúcido, pontua corretamente que quem precisa ser salvo são os jornais, não o jornalismo. O advento da tecnologia e novas mídias, pelo contrário, só trouxe benefícios à função de apurar/filtrar/difundir notícias.

De novo, e para não perdermos o foco, esse cenário de guerra todo diz respeito, no momento, a Estados Unidos e alguns países europeus, notadamente os mais desenvolvidos. Em Londres, o Times acaba de promover um passaralho. Na Espanha, jornais gratuitos (um sucesso nas ruas, mas um fracasso comercial) fecham as portas.

No Brasil (assim como em outros países emergentes), ainda há bastante espaço para o jornalismo impresso crescer. Milhões de pessoas atravessaram há pouco a linha da pobreza e, certamente, ainda haverá mercado (arrisco a dizer por décadas) para esse tipo de produto.

É por isso, talvez, que por aqui a discussão sobre o fim do jornal impresso ainda seja tão incipiente. Nossos veículos se escoram em pequenas vitórias _como uma desaceleração menor do que a esperada no faturamento, por exemplo_ para justificar o adiamento do debate.

Mais propostas para salvar o jornalismo impresso

Cresce o movimento, especialmente nos Estados Unidos (onde o jornal está pela hora da morte), por uma mudança radical no modelo de negócios para tentar a salvar a indústria. É sinal de que chegou-se ao fundo do poço.

 Agora é a vez da prestigiosa Time (ela também com a circulação a despencar a olhos vistos) sugerir uma política de micropagamentos por conteúdo premium, o que não é exatamente uma ideia original, mas pouco colocada em prática.

Enquanto isso, engatinham _e com experiências quase marginais_ os testes de jornalismo financiado nos EUA. Ao mesmo tempo, já há quem resista na rede (e não em papel, que tem um custo exponencialmente superior) com base em doações de seus usuários.

A conversa desemboca naturalmente na transformação das empresas jornalísticas em entidades sem fins lucrativos, o que as capacitaria a receber verbas governamentais e doações de instituições como fundações _exatamente como funcionam as universidades na América.

Esse debate vai longe. E esbarra

Comentários sobre os comentários

A caixa de comentários, canal fundamental de diálogo na Web2, está na berlinda. Artigo da revista Time aborda o problema de forma frontal: vítimas de sua audiências, blogueiros e sites perderam o controle sobre o que dizem as pessoas que visitam suas páginas.

O texto de Lev Grossman dá exemplos de idiotices comentadas em redes sociais como Flickr e You Tube, cita o problema do anonimato na rede (já abordado neste Webmanário) e fala, com todas as letras, o que ninguém gostaria de ouvir: que hoje os comentários existem apenas porque significam tráfego (ou seja, audiência), não necessariamente para estabelecer uma via de conversação.

Ao mesmo tempo, o portal do “Estado de S.Paulo” anunciou uma correção de rota em sua política para ceitação de comentários (que demonstramos, em sala de aula, ser inexistente). Agora, todos deverão passar pelo crivo de um editor antes de ir ao ar.

Daí, é o tal círculo vicioso: quanto mais participação dos usuários, menos tempo hábil para habilitar as opiniões. É por essas e por outras que praticamente todos os portais noticiosos restringem a participação de seu público: por falta de tempo e pessoal para apertar o botão.