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Depois dos amadores, Andrew Keen investe contra o Google

Andrew Keen, uma das poucas vozes contrárias à colaboração, à inteligência coletiva e à livre troca de arquivos na Web, deu uma pista sobre seu novo livro.

O primeiro, “The Cult of the Amateur“, se transformou num clássico da contracorrente (e também do mau humor), criticado até as últimas consequências pelos entusiastas do livre conhecimento.

Agora, se levar adiante o que propôs (que pode, logicamente, ser uma grande brincadeira ou jamais vingar), Keen vai tocar numa ferida tão grande quanto: depois da produção da Internet, seu maior expoente, o Google.

Sua tese é “quanto mais o Google mata a indústria editorial tradicional com o conteúdo gratuito que vem de sua máquina de busca, mais livros serão escritos sobre o papel central do Google em nossa nova economia digital”.

Diz ele que ideia surgir após dois recentes lançamentos que têm o gigante da Web como protagonista. “What Would Google Do?“, de Jeff Jarvis, considera a empresa a única que mostrou competência para sobreviver na era digital _e tenta transportar seu modelo de negócios para todas as atividades profissionais.´

Elsewhere USA“, de Dalton Conley, mostra uma imagem quase religiosa do Google, um lugar onde os funcionários “comem, dormem, se socializam e se divertem”.

Agora, diz Keen, só falta achar um editor que o pague para escrever um obituário de 65 mil caracteres sobre o próprio negócio deles…

Só tem lixo na Internet

O Brasil já tem o seu Andrew Keen: é Diogo Mainardi, colaborador da revista Veja, que em sua coluna desta semana teceu comentários bastante críticos à Web.

Keen é o único cara que teve coragem suficiente para escrever um livro desencando a festejada ascensão do amador na rede. Para ele, o compartilhamento (seja de fotos, vídeos, textos etc) é uma faceta grotesca da falta de qualidade da produção do ser humano.

Para Keen, ou reserva-se a tarefa de fazer música, jornalismo, fotografia, vídeo, enfim, seja lá o que for, a profissionais, ou o mundo vai encarar uma crise de valores séria e sem volta.

O texto de Mainardi é bacana porque passeia justamente sobre a inépcia dos amadores. Não quando produz, mas também quando consome conteúdo.

“A internet é isso: um monte de maus leitores dotados de más idéias que cismam em interagir com maus autores. É o território dos opinionistas que opinam sobre a opinionice de outros opinionistas”, escreve ele.

O ponto de partida de sua revolta foram duas das notícias mais lidas da semana passada na Internet: que Sabrina Sato desistiu de tirar sua pintinha da testa e que Débora Secco chorou num programa de auditório.