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A face moderna das notícias

O veterano jornalista inglês Richard Ingrams, 73, fez uma visita à redação do Telegraph registrada pela BBC em áudio.

“Ah, quer dizer que não se fuma mais, mas se bebe?”, pergunta ele, criador de algumas das mais importantes revistas humorísticas do país.

Ingrams notou ainda que o Telegraph tem poucos livros, muitas mulheres trabalhando e bastante silêncio _aliás, presenciei recentemente dois episódios em que pessoas pediam “silêncio” na redação, o que é um absurdo completo (quem quer silêncio em jornalismo tem de trabalhar em assessoria de imprensa de hospital).

A não perder, como diria o António Granado, quem descobriu essa pérola e cujo Ponto Média completou 10 anos. Parabéns.

Pagar por informação exclusiva é falta de ética?

Pagar para conseguir informação privilegiada é falta de ética?

É exatamente essa a discussão que está acontecendo agora na Grã-Bretanha, à raiz do escândalo dos gastos dos deputados da Câmara dos Comuns (como num determinado país que a gente conhece, eles tinham despesas pessoais cobertas pelo erário).

Ocorre que existe a certeza de que o Telegraph, jornalão conservador de Londres, pagou para conseguir os CDs que continham os dados comprometedores. Mais: o veículo sabia, ainda, que a informação havia sido surrupiada por um funcionário do Parlamento, ou seja, era produto de roubo.

A Scotland Yard, polícia inglesa, se recusou a investigar a procedência da informação usando a mesma justificativa dada pelo jornal (“trata-se de atuação em prol do interesse público”).

É verdade, mas fazer jornal não corresponde a uma luta de vale-tudo. Pelo contrário: quem cobra ética tem de praticá-la cotidianamente.

Na Espanha, conta o El Pais em extensa reportagem sobre o tema, é comum pagar por fotos de filhos recém-nascidos de estrelas de TV ou cobertura de casamento de celebridades. É exatamente o que ocorre no Brasil, onde revistas como Contigo e Caras enchem os bolsos de suas fontes em busca de “exclusividade”.

Porém (e é assim no Brasil também) a imprensa dita “de credibilidade” evita recorrer ao expediente. Nos EUA também é assim. Tanto que, quando pagam, os meios mais tradicionais fazem o possível para esconder _caso recente da CNN, que após várias negativas admitiu ter desembolsado US$ 22 mil por um vídeo da Al-Qaeda (mas acredita-se que tenha sido muito mais).

 Se uma emissora de TV quer transmitir um evento com exclusividade, ela paga ao detentor dos direitos. É possível estabelecer algum tipo de comparação entre isso e dar dinheiro a pessoas que oferecem furos? Difícil, eu não consigo.

É certo que mais imoral ainda é receber para não publicar uma informação _e isso, infelizmente, também é recorrente no jornalismo mundial.

Contudo, pagar por uma entrevista, dossiê ou seja lá o que for, certamente, está bem distante da transparência e dos princípios éticos que deveriam nortear o jornalismo profissional.