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O estado da blogosfera em infográfico

Os dados são antigos (dizem respeito ao estado da blogosfera feito pelo Technorati no ano passado), mas dispostos em gráfico oferecem boa (e resumida) informação visual (clique no gráfico para ampliar).

(o sempre solerte Michel Lent viu isso primeiro)

Por que tantos jornalistas on-line estão presos?

O dado do Comitê de Proteção aos Jornalistas, revelado nesta semana, está lá, irrefutável: 45% dos profissionais presos por causa do exercício da profissão trabalham em veículos on-line. China, Cuba, Burma, Eritréia e Uzbequistão são os países que mais prendem repórteres.

É a primeira vez que isso acontece (coleguinhas de on-line superarem os companheiros dos jornais em papel) no censo penitenciário anual realizado pela instituição, uma ONG fundada em 1981. A notícia boa é que os 125 jornalistas atualmente encarcerados significam dois a menos do que o apurado em 2007.

Algumas obviedades poderiam marcar a análise do número. Por exemplo: há cada vez mais empregos na Web. Logo, a possibilidade de aumento no número de casos é matemática.

A leitura da própria entidade, porém, é um convite à reflexão. “A jornalismo on-line mudou o panorama da mídia e a forma como nos comunicamos uns com os outros”, diz Joel Simon, diretor-executivo do CPJ.

Ele quer dizer que a tecnologia alavancou o trabalho de freelancers, maioria absoluta entre os presos (45%, sendo que quase todos trabalham para a Internet). Isso sem contar os blogs, que crescem à razão de quase três por minuto no planeta.

Neste aspecto, os exemplos chinês e cubano são flagrantes: nestes países, a prisão de jornalistas que adotaram a publicação pessoal como forma de expressão profissional bate recorde. Em território chinês, 24 dos 28 jornalistas presos trabalha(va) on-line.

É, ainda que por linhas tortas, mais um indicativo da crescente importância que a plataforma tem no mundo atual. Os governos tiranos que o digam.

Esse mundinho babaca dos blogs, parte 2

O Technorati, maior rastreador de blogs da Web, publica nesta semana (pela primeira vez em pílulas) as conclusões de seu “Estado da Blogosfera“, documento que via de regra norteia o estudo sobre a plataforma no planeta.

Do primeiro dia, que deixei passar e prefiro que Tiago Dória comente por mim, só alguns números: o Technorati sabe da existência de 133 milhões de blogs (eram 70 milhões no ano passado). O detalhe sério: desta enxurrada, só pouco mais de 7 milhões foram atualizado nos últimos quatro meses (a revelação cabal, presente em todos os relatórios, de que nada mais efêmero do que um blog).

O dia 2 do Relatório aborda o “por que blogar?“. E o levantamento não mente: 54% dessa manada o faz com o objetivo de mostrar-se ao mundo via um diário pessoal indiscreto e de fácil acesso. É a cara da blogosfera, especialmente a brasileira, que jornalisticamente até hoje jamais se mostrou capaz de complementar o mainstream _a não ser com nomes bancados e/ou advindos do próprio mainstream.

A segunda motivação (46%), tecnologia, é a mola-mestra dessa coisa chamada Internet.

Um número delicioso é a régua que as pessoas que blogam usam para medir o sucesso de suas crias: 75% dizem ser a “satisfação pessoal”. Logo depois vêm os leões, os adeptos da quantidade, que preferem contabilizar posts e comentários (58%) _ainda que suas opiniões ou a comunidade formada em torno delas seja um desastre.

O relatório (concebido pela primeira vez com base em pesquisas globais, não só nos Estados Unidos) aponta que apenas 2% dos blogueiros do mundo tem na atividade o seu ganha-pão. E, provavelmente, diria que vários destes mentiram.

Como espero que tenham mentido um terço dos entrevistados, que disseram ter recebido “produtos gratuitos” (em bom jornalismo, jabá) como DVDs, eletrônicos, computadores e livros.

Ou seja: a plataforma blog acrescentou pouco ou nada (no Brasil, nada) ao jornalismo, mas foi contaminada por uma das facetas mais tristes da profissão.

Amanhã o Technorati solta dados sobre o estilo mundial de blogagem. A ver.

Os malfadados blogs

Tenho profunda ojeriza à palavra blog. Não exatamente à palavra, mas ao que ela foi reduzida pelas instituições e pessoas que enxergam ali apenas um palco para exibir e expressar seu brilhante pensamento vivo, deixando de lado todos os preceitos que norteiam a plataforma (a não ser, por impedimento técnico, a ordem cronológica inversa de publicação, item que por si só não basta para que se ganhe o carimbo).

Uma pesquisa divulgada ontem vai exatamente ao encontro do que eu estou falando. A Ball State University rastreou as patacoadas autodenominadas blogs de 360 jornais norte-americanos. E o resultado, pífio, revela que a presença na Internet por meio desse modelo se deu basicamente por causa de modismo.

É aquele fenômeno sobre o qual já discorri outro dia (“ei, alguém falou que isso é bacana, precisamos ter isso urgente!”).

Além de ignorância sobre suas potencialidades, os jornalistas que assumiram blogs nos veículos analisados também demonstraram desprezo à participação do usuário (80% jamais responderam a indagações de seus leitores _que mesmo assim, em 60% dos casos, reincidiram em seus comentários).

O levantamento apontou ainda que nada menos do que um quarto dos blogs foram atualizados de forma deficiente ou simplesmente seus responsáveis nunca mais foram vistos on-line.

Não duvido que os dados da pesquisa de Ball State com jornalistas políticos inseridos no mainstream se enquadrem perfeitamente numa fatia bem considerável de toda a blogosfera.

O Technorati, maior ferramenta rastreadora de posts, diz que existem hoje 113 milhões de blogs no mundo (120 mil são criados por dia, ou 1,4 por minuto). Porém cerca de 50% são logo abandonados (e olha que, nesse critério, o Technorati é bem benevolente: considera “ativo” um blog que tenha sido atualizado pelo menos uma vez em 90 dias, o que é uma catástrofe sob qualquer ponto de vista).

Não por acaso essa avalanche de descaso deleita o polêmico Andrew Keen, autor do irascível “The Cult of the Amateur” (livro-referência sobre a participação da “ex-audiência” na sociedade atual).