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Antes tarde do que nunca

Com anos de atraso, a Time (que inventou a revista semanal como a conhecemos hoje) está fazendo uma convergência em sua redação, fazendo com que todos os jornalistas da casa trabalhem para todas as plataformas.

Ainda é a principal dificuldade das fusões de redações: a compreensão, por parte dos jornalistas, que nossa produção independe do suporte.

No caso da Time, que recentemente demitiu 500 pessoas (ou 6% de sua força de trabalho), as mudanças se fazem mais do que necessárias.

Só bom conteúdo salva


Você conhece o projeto Beyond the Fold, desenvolvido pelo pesquisador português Sebastian Rodriguez Kennedy Bettencourt?

Bem, se trata de mais uma tentativa de mostrar como será o jornal num futuro sem o uso de papel (por questões econômicas sim, mas também ambientais).

Baseado numa navegação sem ícones e botões, o suporte imaginado por Bettencourt poderá mostrar infográficos em 3D e já é capaz de transmitir a sensação de tinta nos dedos – alguém sentiria saudade disso?

Em 2008, ridicularizei uma aproximação menos ousada e mais marqueteira do “futuro do jornal” e ganhei um inimigo para todo o sempre – o excelente profissional que representa no Brasil a consultoria por trás daquela mirabolância – aliás devidamente depositada na lata de lixo da história.

Já naquele texto, e como corroborou agora Bernardo Gutiérrez, eu dizia que a tecnologia não iria salvar o jornalismo. Só bom conteúdo é capaz disso.

Ainda assim, pesquisar e testar novos formatos sempre terá alguma serventia (ainda que sejam apenas boas risadas).

Verticalização da infografia e influência do suporte

Você já percebeu a tendência de verticalização dos infográficos no jornalismo on-line?

Vistos via web, eles parecem intermináveis. Mas o conceito faz todo sentido num tablet, onde a agradável rolagem com o dedo faz o serviço sem a dor do scroll.

É uma influência definitiva na navegação protagonizada pelo suporte.

CALA BOCA VEJA

Estou absolutamente chocado com a capa da Veja. Tenho repetido essa frase como mantra, desde ontem, quando vi uma foto de Galvão Bueno olhando para um passarinho na primeira página da revista.

Discutir a ascensão de uma micagem de internet nesse nível de relevância, num país em que pululam dossiês e a campanha eleitoral pega fogo antes mesmo de começar (sim, ainda é proibido fazer campanha, só a partir de 6 de julho está tudo liberado), soa como disparate.

Evidente que o CALA BOCA GALVÃO que nos acostumamos a ver no topo dos trending topics do site durante este Copa tem lá a sua marca de mobilização, mas por que então movimentos semelhantes (e bem mais importantes), como o ativismo global em torno do Irã quando da suposta reeleição fraudulenta de Mahmoud Ahmadinejad, não mereceram a mesma atenção da publicação?

A própria reportagem recorre aos protestos em Teerã para reforçar o poder do microblog _só que isso aconteceu há exatamente um ano e figurou com ainda mais destaque na linha de frente dos TTs do Twitter.

A conclusão é que o jornalismo no mainstream caminha celeremente para uma total absorção pela cobertura de celebridades, mesmo quando se trata de ecos até dignos de registro pela adesão, mas jamais nesse nível (capa mais sete páginas internas?). Estamos passando a imagem errada. Não, o microblog não é relevante. Sim, as pessoas querem mais é se divertir.

Para constar, no momento em que escrevo (22h33 de sábado), CALA A BOCA GALVÃO está fora dos trending topics mundiais da página.

Mas voltará, hoje tem jogo do Brasil.

É tudo tão previsível…

PS: o amigo Flavio Gomes também desabafou sobre o assunto, e de forma categórica.

PS1: e a matéria nem para alertar que o certo é “cala A boca”.