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A questão do diploma e os jornalistas militantes

A discussão sobre a obrigatoriedade do diploma específico para o exercício do jornalismo segue rendendo pano pra manga. O STF está na iminência (a quantos meses tenho escrito isso, meu deus?) de julgar a matéria.

A primeira coisa que me chama a atenção hoje, anos após o início da pendenga, é que a maioria das vozes que se levantam para discutir o tema _sejam elas de sindicalistas ou de acadêmicos_ partem seguramente de pessoas com minúscula atuação prática na área.

Alguns, mesmo com pequeníssima passagem por algo que se assemelharia a uma redação, batem no peito, posam de especialistas, dão sugestões e conselhos ao debatores. Coitadinhos.

Também concordo que a Fenaj, por pior que seja constituída sua diretoria (uma cambada de barnabés que mamam nas “assessorias” de órgãos públicos), deveria capitanear o processo de regulamentação e fiscalização da profissão.

Afinal, foi o desinteresse dos jornalistas militantes (não os de meia-pataca, de biblioteca ou de repartição pública) que propiciou o estabelecimento desta desordem vergonhosa que hoje representa os jornalistas brasileiros.

Talvez, com uma missão de verdade à vista, os processos eleitorais e de gestão dentro da Fenaj sejam encarados com seriedade por quem dedica seu dia ao trabalho jornalístico de verdade _os que metem a mão na massa, não os que vêem a massa em cima da mesa e, de barriga vazia, desandam a criticá-la sem propriedade alguma). Eu me incluo na crítica: sempre, em 18 anos de profissão, me recusei a participar dos pleitos da entidade nacional, mesmo tendo mais de uma década como profissional sindicalizado e em dia com suas obrigações financeiras _que é o que, no fundo, importa a estas instituições.

Pior é a própria Fenaj, que nesta segunda distribuiu nota aos professores de jornalismo brasileiros com o título cafona “Aos mestres, com carinho”, no qual insinua que sempre esteve por trás de projetos que visam melhorar a qualificação do ensino da disciplina. Outra mentira.

Repito aqui: o ensino de jornalismo nada tem a ver com a exigência ou não de um diploma para exercê-lo. Eu, assim como muitos de vocês, quero uma faculdade melhor, preocupada com a discussão acadêmica sim, mas dona de recursos humanos capaz de gerir as necessidades técnicas do ensinamento deste trabalho.

Senac também “ensina” jornalismo agora

No meio da discussão sobre a exigência ou não de um diploma específico na área para se trabalhar em jornalismo (que o STF está na iminência de julgar), agora é o Senac quem oferece o curso de graduação na área, a ser cumprido em quatro anos.

Segundo a instituição, seus formandos serão aptos a trabalhar em “jornais, revistas, editoras, portais e sites de jornalismo e entretenimento, redes de televisão, departamentos de comunicação de empresas, assessorias de imprensa, redator autônomo”.

MEC quer autorizar outros diplomados a exercer o jornalismo

O MEC resolveu entrar na conversa sobre a validade do diploma de jornalismo para a prática da profissão.

E o ministério entende que não, pelo contrário: pretende autorizar que qualquer profissional com formação superior seja habilitado a trabalhar na área.

O ministro Fernando Haddad quer ainda discutir as diretrizes dos cursos de comunicação existentes para conhecer as “perspectivas dos graduados de outras áreas”, que poderiam aceder ao jornalismo se complementarem sua formação com disciplinas específicas.

A decisão chega em boa hora: o Supremo Tribunal Federal está na iminência de discutir se o diploma em jornalismo é essencial para o desempenho deste trabalho.

Este blog é contra a exigência do diploma para o exercício do jornalismo

Nas palavras de cartinha mandada circular pela Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) para pressionar os ministros do STF que votarão, em breve, sobre a necessidade do diploma em jornalismo para o exercício da profissão, eu não tenho compromisso com a construção de um jornalismo responsável e realmente cumpridor de sua função social.

Ok, entendo a posição desesperada da incompetente entidade de classe que, uma vez mais, está em vias de deixar escapar por entre os dedos aquilo que considera “conquista” da profissão. Agora, não posso deixar de, ao observar a relação de seus diretores, identificar ali um bando de barnabés que, mamando nas tetas públicas, não tem a integridade necessária para discorrer sobre compromisso com a profissão.

Olha só, para deixar bem claro: sou jornalista profissional diplomado, sim. A minha questão contra a obrigatoriedade surge, num primeiro momento, do inevitável avanço das pessoas “comuns” graças às novas tecnologias.

Hoje somos (todos nós) dotados de instrumentos que antes eram privilégio da mídia. As pessoas vêem as coisas acontecerem diante delas, fazem fotos e vídeos, levam relatos ao ar. Isso é jornalismo, gente, quer queira a Fenaj ou não.

Minha segunda questão contra a obrigatoriedade é a balela de que o diploma é “uma das garantias que conferem à mídia brasileira qualidade e compromisso com a informação livre e plural.”

Mentira, não é verdade! Temos analfabetos funcionais diplomados trabalhando em redações, gente despreparada e deslumbrada, caras cheios de rabo preso, interesses e a soldo de poderosos. Ética e caráter não estão embutidos num canudo, pode ter certeza.

Para encerrar, seção-comédia: a tal cartinha que a Fenaj, via fóruns e spam, está distribuindo na rede…
À Sua Excelência Sr(a)

Ministro(a) do STF

A exigência do diploma de Curso Superior em Jornalismo para o exercício independente e ético da profissão de jornalista é uma conquista histórica não só desta corporação, mas de toda a população brasileira.

A luta pela criação de Escolas de Jornalismo começou no início do século passado. O primeiro Curso foi implantado 40 anos atrás e a profissão, regulamentada há 70 anos, desde 1969 exige a formação superior na sua legislação. Este requisito representou um avanço para a imprensa do país ao democratizar o acesso à profissão, antes condicionado por relações pessoais e interesses outros que não o de atender o direito da sociedade de ser bem informada.

Setores sem compromisso com a construção de um jornalismo responsável e realmente cumpridor de sua função social vêm questionando este fundamental instrumento para a seriedade, democracia e liberdade na imprensa. Confio que o(a) Excelentíssimo Ministro(a) votará com este entendimento no (RE) 511961, em favor de uma categoria profissional com papel tão relevante e em defesa da sociedade brasileira.

O diploma em Jornalismo, bem ao contrário de ameaçar a liberdade de expressão, é uma das garantias que conferem à mídia brasileira qualidade e compromisso com a informação livre e plural.