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Em 2031, o jornalismo será assim

Já falamos aqui sobre a incongruência de termos como ciberespaço (que não é outro senão o mesmo espaço em que vivemos), e agora Steve Outing avança mais um pouquinho num divertido ensaio sobre o jornalismo em 2031 _ou seja, daqui há 20 anos.

Por exemplo, não haverá mais jornalismo on-line (simplesmente jornalismo) e simplesmente tudo o que existe e virá a existir será catalogado _nossa garantia de uma rede de dados verdadeiramente semântica.

Como convencer seu leitor a pagar por notícias? Pergunte a um psicólogo

Como convencer as pessoas a pagar por conteúdo que há anos está disponível de graça na internet, caso de notícias? Pergunte a um psicológo.

Steve Outing fez exatamente isso: perguntou a B.J. Fogg, professor de Stanford especializado em tecnologia persuasiva (também conhecida como captologia), que técnicas os donos de jornais deveriam utilizar para ter êxito nessa difícil tarefa.

Fogg é, provavelmente, o único profissional que oferece respostas para o hercúleo propósito de mudança do comportamento humano _que é, basicamente, o que pretendem os jornalões com sua risível e impraticável proposta de cobrar pelo que é de graça, e continuará sendo (mesmo construído um muro pago, o conteúdo seguirá sendo distribuído livremente pela rede).

Ainda os micropagamentos: você doaria dinheiro ao seu jornal?

Eu tentei, mas eu não consigo: nesta semana está absolutamente impossível fugir do assunto micropagamentos, a surreal proposta de uma coisa já utilizada na Web (e reprovada) agora ressuscitada para, dizem os seus defensores, salvar os jornais impressos.

Steve Outing pensa exatamente o mesmo e escreveu, na Editor&Publisher, um texto bacana nos lembrando, de novo, que cobrar do internauta “é contra a natureza da Internet e não funcionou” quando testado. Em vez de salvar, essa política vai terminar de pregar o caixão dos morubindos impressos.

Cobrar por conteúdo é uma insanidade. A taxação sobre produtos e ferramentas especiais e/ou personalizadas, aí sim, não tem contraindicação. Mas, no momento, o que se quer com o microcropagamento é voltar a um estado de coisas que foi rechaçada no começo da rede.

Em vez disso, Outing cita o exemplo do Kachingle, um arrecadador de doações para sites _aliás outro modelo de negócios que está sendo seriamente discutido nos EUA.

Você doaria dinheiro para o seu jornal não morrer?