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Até quando a maioria será tratada como minoria?

Excelente a observação de Phuong Ly para o Poynter (a escola de jornalismo que possui um jornal de verdade, o St. Petersburg Times), ainda que não valha para o jornalismo brasileiro, onde não se usa (ou não se deveria usar) o termo “minorias”.

Até quando todo mundo que não é branco será tratado assim? Nos EUA, a coisa está pertíssimo da virada oficial, resta saber se o jornalismo acompanhará a realidade…

A saída educacional para o jornalismo impresso nos EUA

No ambiente de crise que cerca a imprensa em papel nos Estados Unidos surgiu, como uma das possíveis saídas, a hipótese de veículos ligados a escolas de jornalismo ganharem mais fôlego para, digamos, perpetuar a profissão.

A conta é simples: se forem convertidas em entidades educacionais (e, portanto, sem fins lucrativos), as empresas jornalísticas passam a poder receber subsídios governamentais, além de doações filantrópicas que fazem parte da cultura americana.

Já existe, inclusive, um belo exemplo: o St.Petersburg Times, que pertence ao Poynter Institute.

O jornal faturou dois prêmios Pulitzer no ano passado _a Flórida inteira, seu Estado natal, havia ganho quatro em toda a história. É do St.Petersburg Times a ideia do mentirômetro que acompanhou as promessas de Barack Obama (e agora já tem “filhotes” em oito Estados americanos).

Para o Brasil, onde não existe a cultura da doação, provavelmente não adiantaria nada vincular veículos jornalísticos a faculdades de comunicação (que possuem produtos restritos e de nicho) _e muito esperar pela adesão a um modelo não lucrativo.

Mas é interessante conhecer as propostas para que superemos o pior momento do jornalismo impresso em todos os tempos.

Uma aula de jornalismo multimídia

A coisa está ficando boa: hoje o St.Petersburg Times, da Flórida (EUA), apresenta uma reportagem multimídia que é exemplo em todos os quesitos.

Com o auxílio de uma belíssima arte em flash, mais fotos, vídeos e áudios, o material conta a história de uma garota encontrada há três anos, raquítica, vivendo como um bicho dentro num quarto da casa de sua família, sem roupas, habilidades verbais e coberta de fezes.

Agora, para a gente não se esquecer o que realmente importa no bom e velho jornalismo: apesar de todo o acompanhamento multimídia, o principal _o texto, a reportagem em si_ não foi esquecido. Aliás, ele começa de forma brilhante, com a perturbadora descrição da cena da menina na janela (que, por sinal, dá título à matéria).

Trabalhos desse tipo, em flash, já foram objeto de comentário aqui em outra oportunidade. É uma das especialidades da Universidade de Austin (Texas), cuja cadeira de jornalismo on-line é comandada pelo brasileiro Rosental Calmon Alves, ex-correspondente do Jornal do Brasil.

É uma tendência inexorável nos sites noticiosos. Porém o jornalista, ao menos no Brasil, ainda não aprende este tipo de coisa _o flash, pela miopia brasileira, é um recurso reservado ao designer gráfico. Nada mais equivocado.