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Laranjas podres, fora

Um movimento interessante está acontecendo em grandes corporações de entretenimento/jornalismo: elas estão separando sua parte menos rentável (adivinhe qual?) para agradar aos investidores, que gostam de foco e, principalmente, entender o negócio onde põem dinheiro.

A Newscorp, de Rupert Murdoch, está em vias de fazê-lo – seguindo o exemplo da Time.

Papel sucumbe no tablet

Sem pompa nem circunstância, e no 18º parágrafo de um release sobre diretrizes empresariais, o magnata da mídia Rupert Murdoch anunciou o fechamento do The Daily, diário (?) que criou exclusivamente para iPad (depois admitiu dispositivos movidos a Android) e que não ficou na praça nem dois anos –  estreou em fevereiro de 2011.

Na época, Murdoch havia dito que precisaria de pelo menos 500 mil assinantes para tornar o negócio (e uma redação de 120 pessoas) rentável. Pois o The Daily sai de cena tendo arregimentado, em seu auge, não mais que 100 mil clientes.

É evidente que uma série de obituários pululam, e pundits se perguntam o que deu errado no negócio.

De minha parte, acrescento duas impressões: a idiotice da reprodução do papel num ambiente em que isso não é necessário e o produto fechado em copas, como é tradição da NewsCorp, numa plataforma em que o compartilhamento faz parte do negócio.

Onde foi parar a equipe do tabloide criminoso?

Nesta semana fez um ano que o News of the World, tabloide de Rupert Murdoch, fechou as portas depois de um rumoroso escândalo que teve como tema central o uso de métodos nada habituais de investigação jornalística – como a quebra de sigilos telefônicos.

Roy Greenslade, no Guardian, conta onde foi parar e o que anda fazendo aquela equipe que, um dia, esteve à frente do jornal de um milhão de exemplares.

Site da Fox News se fecha para comentários

Quintessência do pensamento conservador, iletrado e troglodita americano, a Fox News restringiu drasticamente a área de comentários de seu site.

Agora, só assuntos anódinos – esqueça a política e a economia – estão abertos à participação direta do público.

Uma coleção das “melhores intervenções” do público em 2010 dá uma mostra clara do que é que estamos perdendo com essa súbita conversão ao obscurantismo do veículo “justo e equilibrado” do senhor Murdoch.

Escândalo de escutas ilegais reabre discussão sobre controle da mídia no Reino Unido

Como era de se esperar, o escândalo de escutas ilegais (e outras cositas más) perpetradas por veículos do grupo NewsCorp, de Rupert Murdoch fez recrudescer, na Inglaterra, a discussão sobre o controle da mídia.

Stephen Coleman, professor de comunicação política na Universidade de Leeds, aborda o aspecto de responsabilidade da mídia, mas abre uma avenida que pode transformar o mero controle: que a nova regulamentação se preocupe ainda em capacitar jornalistas e investir em pesquisas sobre ética e procedimentos.

“Não há nenhuma habilidade específica para se tornar um jornalista, mas padrões básicos que precisam estar no foco”, diz ele.

A melhor regulamentação que existe

Outro dia Merval Pereira (que pôs uma tachinha no currículo ao ser eleito membro da Academia Brasileira de Letras) discorria sobre o caso de ética na apuração de notícias que a Grã-Bretanha ora discute _é o assunto jornalístico do ano, atenção povo que está em dúvida quanto ao TCC.

Merval é um grande e não precisava da ABL para ser reconhecido pela competência.

Sobre o tabloide de Murdoch: para o colunista, a melhor regulamentação é a da opinião pública. O News of the World teve de fechar as portas por rejeição do público a seus métodos.

É isso mesmo, imortal Merval.

E nós aqui, ainda falando de “controle social da mídia”.

 

O escândalo do tabloide e a velha ética

ATUALIZAÇÃO: Em entrevista ao The Holywood Reporter, uma jornalista do News of the World conta como era o modus operandi da redação em busca de escândalos.

Vladimir Safatle faz a pergunta certa em artigo na Folha desta semana: a questão sobre o “News of the World” e o escândalo de crimes travestidos de reportagens perpetrados por sua (ex) equipe, hoje, é menor. O que os leitores têm direito de saber é se há outros veículos que agem como o (ex) tabloide de Rupert Murdoch.

Decidir “quem vai ser exposto e quem será conservado, quem vai para a primeira página e quem vai para a nota do canto”, como fala Safatle, é trabalho de edição. A obtenção de informações anterior a esse processo é que precisa ser absolutamente ética.

E não posso, aqui, colocar a mão no fogo por ninguém. Muito menos devido à agenda atual dos meios, em grande parte contaminada pelo jornalismo on-line e a ascensão de qualquer bobagem ao status de notícia.

Queira ou não, é a nova ordem. Como se mobilizar nela, entretanto, continua a ser um procedimento tão antigo quanto conhecido.

 

Times perde audiência após cobrar por conteúdo

O The Times, jornal publicado em Londres desde 1785 e hoje propriedade do multimilionário Rupert Murdoch, começou a cobrar por conteúdo neste mês.

Pois bem, saíram seus primeiros resultados e, claro, a audiência caiu (o quadro aí em cima não deixa qualquer dúvida). Mais: só 17% dos usuários do site passam pela área de conteúdo restrito.

Um fracasso retumbante que a gente já sabia. Cobrar por notícias que estão em toda parte é tiro no pé.

NYT conversa com os leitores sobre cobrar por conteúdo on-line

O New York Times está conversando com seus leitores sobre a decisão de cobrar por acesso ao conteúdo de sua edição on-line a partir de 2011.

Duas decisões sábias. A primeira, o diálogo, obrigatório _sempre. A outra foi dar prazo de um ano para que a drástica decisão (não recomendável a um jornal generalista) seja debatida e, isso espera o jornal, digerida.

O movimento do NYT foi ao mesmo tempo ousado e cauteloso. A guerra pela volta do muro do paredão pago, capitaneada por Rupert Murdoch, está mal começando. O próprio Murdoch adiou, em seus veículos, a entrada em vigor do pedágio.

Somos todos dependentes das grifes da web

Rafael Sbarai, 23 anos, é um prodígio. Poucas pessoas analisam tão bem os meandros da web (e sua implicação no jornalismo), em português, como ele. E faltam textos em português sobre o assunto. Pessoas, escrevam mais!

Rafael não tem esse problema. Ele e três colegas têm dado, no blog De Repente,  excelentes pistas de quem somos e para onde vamos _e, claro, aquela pitada pessoal do ‘para onde deveríamos ir’.

Conversei com ele numa brecha da rotina corrida de quem é repórter e editor de mídia social no site da maior revista brasileira, Veja. O assunto: monocultura do Google, jornalismo participativo, grandes grifes da web. E, sobre elas, a constatação: temos dados pessoais demais abrigados sob o guarda-chuva dessas empresas poderosas. Leia a seguir a íntegra da conversa, via mail.

O Google é eficiente, talvez sua característica mais admirável, mas qual o risco de ficarmos todos dependentes dele? Somos usuários de serviços que foram, estão sendo ou serão anexados pela companhia de Brin e Page (e agregados).A monocultura me incomoda, mas lutar contra ela exige mover montanhas. A web reproduz exatamente as disputas de poder fora dela…

A questão de dependência na web transcende o Google. Hoje, somos dependentes de Twitter, Facebook e Google. Muitas das nossas informações pessoais estão armazenadas em um grande banco de dados. E isso me preocupa muito. A exposição não divulgada em rede, porém centralizada em um único ambiente. Risco todos nós temos. O lado positivo desta história é a possibilidade de personalização de serviços e recursos, um dos princípios que a internet sempre teve.

Sobre indexação de conteúdos, acho isso o máximo. Indo para nosso lado jornalístico, você percebe qual executivo de jornal sabe o que é uma distribuição de informação. O Murdoch levantou uma bandeira em 2009, de apropriação de conteúdo, e mostrou sua força. Mas quem sai perdendo é ele, por ter um jornal mais centralizado e menos distribuído. Ponto para o NYT, que adota parcerias com o Google, como o Living Stories.

É duro falar sobre isso, mas ainda é maioria o conteúdo ruim produzido pelo público. Já foi pior, verdade, mas ainda é ruim. A ex-plateia ainda está muito preocupada em replicar conteúdo do mainstream? Que parcela dessa audiência colaborativa percebeu que na verdade é capaz de pautar os meios se usar as novas plataformas para se mobilizar?

Infelizmente vivemos já uma época da bolha da colaboração e do que se considera web 2.0. Não sou adepto deste termo (Nota do Webmanario: eu tampouco, é um rótulo marketeiro) e ele é reflexo do processo de mkt que envolveu a colaboração e o jornalismo. A plateia – ex-consumidora de informação – é extensa e está sob diversos formatos. E isso depende muito do contexto cultural.

Fico admirado com a política colaborativa de produção de conteúdo dos norte-americanos, chilenos e sul-coreanos, por exemplo. Totalmente diferente do Brasil. Enquanto aqui sinônimo de jornalismo colaborativo era estar em uma página principal de um portal com notícias requentadas pelo mainstream, lá fora o “cidadão-repórter” pensa em um contexto local e de grande caráter de prestação de serviço. É só ver alguns bons casos do iReport, apesar de que ele recebe maior destaque quando há uma notícia falsa. A questão deste formato é como saber filtrar isso. No iReport, não há este filtro, mas há uma hierarquização de notícias. Quem faz isso com maestria é o bom e velho OhmyNews.

Muito se fala hoje no Spot.us, um outro modelo que é bem discutido nos nossos blogs. Mas ainda o vejo com certo cuidado. Um “jornalismo financiado”, antes de tudo, é intencional.

YouTube, Twitter e Wikipedia: conte-me seus amores e seus horrores por essas três marcas (e ferramentas) que estão eternizadas na história da internet.

Nunca parei para fazer uma reflexão sobre os três modelos. Dos três, o que menos uso é o Youtube. Isso é fato. Nunca gostei de compartilhar conteúdos áudiovisuais. Me considero muito amador neste segmento. Apesar de muita coisa boa em seu “acervo”, aprecio mais Videolog e Vimeo. São formatos com cara mais profissional e com um menor filtro de coisas nonsense.

A Wikipedia é um mecanismo poderosíssimo, discutível e uma das fontes preciosas que conseguem acompanhar diariamente a evolução da sociedade com os usos tecnológicos.

O Twitter é o símbolo da economia da informação e o peso que o conhecimento e “estar ligado” provoca em uma sociedade interconectada. Muito se fala em sua busca em tempo real (já estamos no 2º período da busca em tempo real – a primeira aconteceu com o crescimento dos blogs e a indexação do Technorati), mas o que mais aprecio na ferramenta é a criação de uma linguagem totalmente distinta e que permita colocar muitas pessoas em uma conversa a partir do @. Sem você saber, você foi citado por uma ou outra produção (digo no nosso caso: jornalistas e/ou blogueiros). Esse retorno é o mais fantástico.

Gosto também dos termos que usam para desempenhar funções: saem de cena os falsos “amigos”; entram os ‘seguidores’ e ‘seguidos’. A palavra seguir pressupõe escutar, acompanhar e, acima de tudo, respeitar, o que falta e muito na web em geral.

Outra movimentação destacável é que o Twitter comprovou a tese da queda da audiência de uma página principal de portal/site. É o percurso de tornar-se menos centralizado e mais distribuído. O que mostra a eficiência e a premissa de Paul Baran com seus nodos distribuídos, centralizados e descentralizados. Muito da história do jornalismo on-line está em três imagens que mais parecem astrofísica ou química, mas delimita um belo universo jornalístico. O que dá pra deixar de conclusão sobre esses três formatos é como a tecnologia e internet SEMPRE conectou pessoas e não computadores.