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Onde foi parar a equipe do tabloide criminoso?

Nesta semana fez um ano que o News of the World, tabloide de Rupert Murdoch, fechou as portas depois de um rumoroso escândalo que teve como tema central o uso de métodos nada habituais de investigação jornalística – como a quebra de sigilos telefônicos.

Roy Greenslade, no Guardian, conta onde foi parar e o que anda fazendo aquela equipe que, um dia, esteve à frente do jornal de um milhão de exemplares.

Uma visão norueguesa dos atentados…

…pode ser conferida na sempre ponderada análise de Roy Greenslade.

Vende-se revistão lido por 5 milhões de pessoas

Há uma revista à venda. E uma revista de certa fama: A Business Week, que declara possuir quase 5 milhões de leitores em 140 países (e 30% menos de faturamento publicitário no segundo trimestre deste ano em relação ao anterior).

É drástico que nem mesmo um veículo que trabalha com informação econômica (a única pela qual o usuário de internet está realmente disposto a pagar) não tenha habilidade de equilibrar suas contas com uma carteira eficiente de clientes on-line, já que no papel as coisas vão tão mal.

Alguém se habilita?

(via Roy Greenslade)

Brincando de fazer jornal

O bilionário russo Alexander Lebedev, que acaba de comprar o falido jornal britânico London Evening Standard, disse que espera perdas de 30 milhões de libras (cerca de R$ 115 milhões) no primeiro ano da operação. E isso que ele declara ter ficado “1 bilhão de euros mais pobre” com a crise mundial.

Lebedev, que no horário comercial é filhinho de papai, disse que a aquisição tem um motivo nobre. “É uma ação de serviço público”.

Quem conta a história é Roy Greenslade, do Guardian.

Passado e presente dos jornais

Jill Lepore faz, na The New Yorker, uma excelente reconstituição da primeira morte dos jornais americanos, em 1765, ainda antes da independência.

A questão ali era uma pesada taxa imposta pela metrópole (o Reino Unido) _a Lei do Selo, que inviabilizou o negócio jornal impresso.

Hoje, os jornais estão à beira da falência de novo (nos EUA e alguns países da Europa, que fique claro: em nações emergentes como o Brasil, onde ainda há demanda reprimida, eles estão livres por ora da hecatombe).

A ponto de emergir como uma possível salvação a transformação das empresas de comunicação em entidades sem fins lucrativos, organizações que se candidatariam legalmente a receber doações de instituições públicas e privadas, além de oferecer vantagens fiscais para os manutedores. Loucura?

Há um artigo na área colaborativa do The New York Times que discorre sobre o tema. E outras pessoas, na Europa, repercutindo e avaliando.

Será que é isso, ou o obituário do seu jornal preferido na capa?

Aliás, Bill Keller, diretor-executivo do The New York Times, fala bastante sobre o futuro dos jornais em resposta a perguntas de leitores.

O mito da imparcialidade dos jornais

Eventos jornalisticamente relevantes como a eleição norte-americana, cujo ato final acontecerá amanhã, são bons para colocar mais pá de cal no mito da imparcialidade dos jornais _que a academia, especialmente no Brasil, teima em levar adiante.

A Editor and Publisher já havia detectado, em trabalhosa pesquisa, que 240 jornais dos EUA apóiam abertamente o democrata Barack Obama, contra apenas 114 que o fizeram publicamente em favor do republicano John McCain. Em números absolutos, essa vantagem significa 21 milhões de edições diárias em tese pró-Obama, contra 7 milhões em favor do colega de chapa de Sarah Palin (aliás, formada em jornalismo _argumento de per si contra o diploma?).

Agora foi a vez de o analista Roy Greenslade, em seu blog no Guardian, fazer o mesmo (ainda que em forma de amostragem) com as publicações britânicas. E o resultado foi praticamente o mesmo: dos cinco jornais avaliados por ele ontem, quatro se manifestaram claramente a favor de Obama.

As preferências dos jornais se expressam não apenas nos editorais, área reservada exatamente para isso, mas também na escolha de articulistas e colunistas e, em algum casos mais graves, nas próprias reportagens, várias delas escolhidas a dedo para provocar ou instigar contradições numa ou noutra campanha.

No Brasil, as revistas semanais (vide os casos de Veja e Carta Capital) têm muito mais facilidade para assumir suas posições políticas com transparência. Os jornais, via de regra, se escondem sob a frágil capa da imparcialidade, mantida mesmo quando são “descobertos” por leitores mais solertes.

É um tema tabu ainda não resolvido completamente em nossa profissão.

A verdadeira convergência

Roy Greenslade, em seu blog no “Guardian”, aborda hoje um tema interessantíssimo _e que provoca torções de nariz na jornalistaiada profissional. “A verdadeira convergência é entre jornalistas e cidadãos (…). Não há nós e eles”.

Greenslade (ele próprio um jornalista veterano de redações) despeja uma série de conceitos que já conhecemos, como o fim do discurso de mão única e o acréscimo de novos personagens no jogo de construção do noticiário.

O interessante é que ele revela não estar mais tão certo sobre o futuro dessa convivência entre profissionais e amadores. “Antes”, diz Greensdale, “eu enxergava um grupo no centro, rodeado de blogueiros na periferia”.

É o debate do momento. Não são poucos os que acreditam que a mediação profissional no jornalismo seguirá, perene. Mas é fato que a disseminação dos publicadores on-line tirou das mãos destes “mediadores” seu poder monopolista sobre o noticiário.

A conclusão: convidados que fomos, por nosso próprio público, a dialogar, por que resistimos tanto em fazê-lo?

Vi no Tejiendo Redes.

Jornalista e cidadão em pé de igualdade

Roy Greenslade, colunista do Sydney Morning Herald _e há 44 anos fazendo jornais de papel_ teoriza sobre o óbvio: que os jornalistas terão de dividir o seu território. Ele mal fala dos cidadãos (ou do conteúdo produzido pelo usuário), mas das exigências cada vez mais multimidiáticas impostas à profissão.

Isso já está acontecendo no mundo todo (em menor escala, é verdade, no Brasil).

Mas que os processos tecnológicos que levaram à Web 2.0 (que o professor Francisco Madureira não nos ouça) tiraram das mãos dos jornalistas profissionais a exclusividade sobre a apuração e filtragem do noticiário, ah, tiraram.

Restou aos “profissionais da comunicação” apenas legitimação e proteção que estão por trás dos grupos do mainstream.

Legitimação porque, diferentemente do cidadão “comum”, um repórter oficialmente constituído (digamos assim) tem permissão para abordar o governador ou conversar com atletas no vestiário após um evento esportivo, apenas para dar dois exemplos pobres.

E, quando sofre processos de fontes que questionam informações publicadas, têm respaldo jurídico da empresa que representa, tornando-se um pouco mais forte.

É só isso que restou. No mais, profissional e amador são exatamente a mesma coisa e têm acesso às mesmas ferramentas.