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Ressuscitaram um delírio _e que já enganou jornais

Bastou o jogador Ronaldo ter relembrado, durante sabatina ao jornal Folha de S.Paulo, a convulsão que sofreu horas antes da final da Copa do Mundo de 1998 para voltar a circular, via e-mail, um hoax que dominou a cena na web há 11 anos e, ciclicamente, volta à baila, notadamente em época de Mundial _ou quando, como fez o jogador corintiano, alguém tenta exumar o cadáver.

Trata-se de um texto apócrifo que relata suporto acordo de bastidores entre CBF e Fifa no qual decidiu-se pela venda do título à França _que venceu a seleção dentro de campo por retumbantes 3 a 0 em Saint-Dennis.

É claro, trata-se de um delírio. Em 1982, por exemplo, não havia internet, e tentou-se espalhar boca a boca a “informação” de que o italiano Paolo Rossi, carrasco do Brasil no Mundial da Espanha, havia jogado dopado e, desta forma, o Brasil passaria às semifinais em lugar da Itália. Ahã.

O lance legal desse hoax, e por isso ele figura aqui no Webmanario, é que jornalistas caíram no conto. Houve várias referências em colunas de jornais menos relevantes e, anos depois, blogs reverberaram essa bobagem.

Outra curiosidade: a única referência no Google a Ronald Rhovald, o funcionário da Nike que, segundo boato, teria intermediado a negociação, é justamente o texto do hoax. Um indicação clara de que se tratava de um personagem inventado para dar credibilidade a uma mentira.

Uma imagem…

Ronaldo acena para a torcida em sua apresentação no Corinthians

Ronaldo acena para a torcida em sua apresentação no Corinthians

… fala mais do que mil palavras (registro necessário para o fato jornalístico de 2008 no Brasil). E, como tomei merecida bronca de Gustavo Roth, editor-adjunto de fotografia da Folha de S.Paulo,esclareço que a foto acima é de Diego Padgurschi.

A barriga do Ronaldo

placar_ronaldoEm 2000, já moribundo, o jornal A Gazeta Esportiva publicou uma capa que tratava, na verdade, de uma especulação. Era o dia em que seria anunciado o novo técnico da seleção brasileira de futebol, em substituição a Wanderley Luxemburgo.

Pois bem: naquela capa, três técnicos (não me lembro quais) e um enunciado do tipo “eles são os favoritos para assumir” apresentavam a reportagem. À tarde, a CBF divulgou o nome escolhido: era Leão, por acaso um treinador que não aparecia naquela matéria…

Eu era o editor-executivo do jornal e, portanto, responsável direto por aquele absurdo jornalístico que apenas comprovou nossa ausência de fontes e distanciamento da notícia. Diante disso, optou-se por chutar _muito para fora.

Agora foi a vez da revista Placar _ou melhor, do jornal gratuito editado por ela que circulou, como um teste, por um mês nos dias úteis em São Paulo.

Em 27/11, sob a manchete “Ataque de Riso” (em PDF), uma montagem com Ronaldo vestindo a camisa do Corinthians ganhou o subtítulo “Jornal Placar trata Ronaldo no Corinthians como o assunto merece”. No caso, fazendo piada.

Dias depois, o clube do Parque São Jorge anunciava o acerto com o ex-atacante do Milan, maior goleador da história das Copas do Mundo. Prova cabal de que a publicação esportiva não tem fontes e está muito distanciada da notícia (o que já estava claro após meses e meses de revistas sendo postas nas bancas sem a menor repercussão, exatamente como A Gazeta Esportiva de 2000).

Para completar a tragicomédia: palavras do editor da revista (e do jornal), Sérgio Xavier Filho, na edição de ontem, 9/12 (dia em que a contratação do atacante foi anunciada). “O sensacionalismo passou longe de nossas páginas. Se Ronaldo Fenômeno não desembarcará no Corinthians, por que enganar o leitor?”,  perguntou-se o jornalista (o texto está na página dois da edição, ao lado de uma reprodução da malfadada capa com a montagem fotográfica). Foi a última edição do jornal gratuito. Pior impressão, impossível.

Agora, em seu site, a Placar tenta fazer um balanço de perdas e danos. À sua credibilidade, imensas. Rir de si próprio não costuma adiantar.

Não há muito o que dizer nessas horas em que o leitor descobre como se faz linguiça.