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Jornal publica anúncio em memória de demitidos em passaralho

Aconteceu em Minneapolis (EUA), no The Star Tribune: jornalistas da casa fizeram uma vaquinha e bancaram US$ 3.225 (quase R$ 6 mil) para colocar um anúncio no próprio jornal homenageando vítimas de seguidos passaralhos na redação _em quatro anos, o quadro do periódico caiu de 400 para 250 pessoas.

No mês passado, os sobreviventes já tinham participado de uma greve de assinaturas: ninguém assinou matéria num dia específico. “Uma greve de assinaturas é um conceito interno que não significa nada para nossos leitores”, disse muito bem Mary Abbe, articulista do jornal.

Foi ela quem deu a ideia do anúncio fúnebre, quase uma reprodução dos paredões de granito de soldados americanos mortos tão comuns aos cemitérios militares ou memoriais. Muita gente não quis colaborar. “Alguns colegas entenderam o anúncio como uma forma de financiar a empresa”, contou Mary.

O jornal tinha R$ 6 mil motivos para não barrar a manifestação de seus funcionários. E não o fez, dando o sinal verde para a publicação do anúncio _basicamente uma lista de nomes sob o título “Agradecemos aos mais de 140 jornalistas que deixaram a Redação nos últimos três anos”.

A @kikacastro foi quem viu primeiro essa história.

Previsões para 2010: o ano em que cobraremos por conteúdo

2010 será, finalmente, o ano em que cobraremos por conteúdo?

Para alguns magnatas de mídia, certamente. A cruzada pelo pagamento por consumo de notícias, como se notícia fosse, por exemplo, música, move os últimos anos da vida de Rupert Murdoch _que rompeu com o Google e, mediante um acordo com o Bing, não vai sumir totalmente das máquinas de busca.

Richard Pérez-Peña faz, no NYT, uma análise coerente da escalada de acontecimentos que levou à drástica decisão de setores do mainstream (como o próprio NYT) a dar um tiro no pé e passar a cobrar pelo que os internautas sempre tiveram (e terão) de graça.

A constatação de especialistas ouvidos na matéria do NYT casa com a percepção geral de que conteúdo muito específico, como o econômico, o único que as pessoas não querem compartilhar, ou de nicho são capazes de prosperar num ambiente de payperview. Sites noticiosos generalistas, porém, dificilmente poderão se manter se adotarem a proteção do paredão pago.

Minha única dúvida é saber quanto vai custar, para a grande mídia, cobrar por conteúdo jornalístico. Será bem caro e sugere, de antemão, que haverá passo atrás.

É pagar pra ver.