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A cozinha de Ricardo Kotscho

Quem acha que, no jornalismo, só o repórter é importante não pode deixar de ler o perfil que Célia Chaim fez, para o Jornalistas&Cia, de Ricardo Kotscho. O especial tem até receita de goulash.

Você bem sabe que eu discordo da afirmação, mas não há dúvida alguma que, entre os repórteres, Kotscho é o maior.

Avesso às novas tecnologias, atualmente ele assina uma coluna eletrônica no portal Ig.

Falta reportagem, não repórteres

Costuma-se falar muito sobre o papel do repórter num jornal. Claro, é o cara que está na linha de frente da notícia. Sente-se muito a falta do repórter, especialmente em produtos on-line. Mas peralá, esse é o único cara da redação que está na rua? Eu também estou, oras. Só ele fala com pessoas e detecta coisas? Afe…

A questão, quando analisamos a crise do jornalismo mundial (financeira e de credibilidade), provavelmente passa pela falta de reportagem, não necessariamente de repórteres. Em jornalismo, assim como todo mundo edita, todos têm de sentir o pulso das ruas, nem que seja na esquina da própria casa, no supermercado, no trânsito.

Imagine um jornal produzido e fechado integralmente por repórteres. Ele jamais iria às bancas. O repórter tem, por definição (e com as devidas exceções), uma visão limitada e centrada em seu foco de atuação (é a tal da setorização, tão boa e, ao mesmo tempo, tão ruim).

Quem amarra os assuntos e liga os pontos é a turma do fechamento, do ar-condicionado. É o editor e seus fechadores (sejam redatores, assistentes ou o que seja). Bem diz minha colega Ana Estela que a tarefa de quem liga os pontos é tão nobre quanto. Porém relegada ao último plano, porque seu nome quase não aparece.

Dane-se meu nome.

Sem ovos não há omelete, eu sei. Mas os caras da “bunda na cadeira” podem perfeitamente apurar, aparar arestas, propor sinapses. O repórter também, claro. Mas normalmente ele está sendo cozido numa caldeira que contém todo o caldo informativo.

O trabalho de acabamento, a ourivesaria, como bem diz meu editor José Henrique Mariante, é da turma de cá.

Eu exijo mais reconhecimento ao povo do fechamento. Juan Luis Cebrián, uma das cabeças pensantes do El Pais (um diário que há décadas tenta fugir do hard news e oferecer conteúdo diferenciado), fala, como a Ana, da importância de quem burila o material a ser publicado a partir do bruto apurado pelo repórter.

Sintam falta de reportagem, não de repórteres. Todo jornalista tem a obrigação de apurar. Faz parte do metiê. Se falta apuração no produto jornalístico que você lê, a culpa é de todo mundo.

O lado ingrato de ser repórter

Acusada de trapaça on-line para prejudicar um concorrente, a dona de uma loja de fantasias recebe uma equipe de reportagem da NBC News a caráter (vestida de coelho da Páscoa e com uma máscara fantasmagórica _há, ainda, muito provavelmente uma funcionária paramentada de Branca de Neve).

Só para lembrar alguns momentos em que é péssimo (e constrangedor) ser repórter. (via @BoingBoing)