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Janelas paulistanas

Inspirador o ensaio do fotógrafo Helvio Romero com o tema Janelas Paulistanas, na versão eletrônica de O Estado de S. Paulo.  E o texto de apresentação é irretocável.

“Uma viagem poética pelas fachadas da cidade. Um mosaico de cores formas e contrastes. A São Paulo antiga, a São Paulo moderna, os bairros de classe média, os bairros da periferia. Janelas decadentes, janelas enfeitadas, janelas coloridas, janelas divertidas. Janelas com gente, janelas com bichos, janelas com plantas, janelas desabitadas. Janelas, janelas, janelas, janelas… Janelas por onde São Paulo é vista. Janelas por onde olhamos São Paulo”.

Fotojornalismo: uma pequena mostra do portfólio de Steve McCurry


O fotógrafo Steve McCurry, mundialmente famoso por seu retrato de uma menina afegã que ilustrou capa histórica da revista National Geographic, não fez, evidentemente, só isso.

Aqui tem um pequeno mostruário de seu trabalho, muito calcado em retratos, mas com tomadas inusitadas como a do Taj Mahal, na Índia, que reproduzo acima. Estão no livro South Southeast, da editora Phaidon Press.

Os patrões pagam roupas pra gente?

A crise na imprensa americana chegou à televisão e sua sempre admirada (por nós, profissionais) capacidade de manter imensos estoques de figurino para vestir repórteres e apresentadores.

A época de vacas magras é evidenciada por sites como o TV News Closet, uma loja virtual voltada para jornalistas. Oferece de gravatas a spencers, de ternos a bustiês.

Ou seja: cada vez menos as empresas jornalísticas querem investir em vestuário. O recado é claro: se vira, meu.

Houve um tempo em que até grandes jornais (na TV sempre foi mais comum) davam subsídio para sua equipe se vestir ou recuperar peças perdidas em coberturas, como certa vez ocorreu numa enchente com Jorge Araújo, o fotógrafo.

Naquela ocasião, Jorjão perdeu tênis, meias e calça jeans. Conseguiu reembolso posterior. Mas era Jorge Araújo, um dos maiores repórteres fotográficos do país.

Eu, foca e na mesma época, perdi tênis e par de meias e nem ousei pedir reembolso (trabalhava na mesma empresa). Ainda bem: ouviria palavrões e, com sorte, escaparia da demissão sumária.

Confesso que não sei a quantas anda no Brasil. As TVs ainda oferecerem figurinos? Os jornais bancam roupas perdidas no exercício da função?

Onde estão os fotógrafos, que fogem do papo da convergência?

Por que a fotografia não participa com a mesma intensidade das discussões que nós, jornalistas de texto e de infografia, há tantos anos, travamos sobre as mudanças que a tecnologia impôs ao exercício da profissão?

Mais: qual motivo leva o gestor de uma integração de equipes a não levar em conta (ou exigir) a participação do fotógrafo no processo? Quer dizer que o trabalho mudou para todo mundo, menos para ele, o “retratista” (como dizemos nós, os canetinhas)?

Digam-me o que leva a fotografia a ser a única plataforma de narrativa jornalística a não ter se preocupado com novas formas de contar uma história, a nem mesmo ter se animado a incentivar seus profissionais a fazer vídeos, tarefa cobrada do povo do texto, mas jamais discutida com quem, de fato, tem muito mais afinidade com a “nova” atribuição do profissional multimídia?

E editar slides (ou galeria de fotos, como queira) com coerência editorial e objetivo de complementar o fato descrito em texto?

Tudo que eu estou afirmando acima, é claro, tem suas exceções. Mas é notório que o engajamento das editorias de fotografia, e aqui falando exclusivamente de jornalismo, tem sido pra lá de pífia. É como se não tivesse a ver com a história, com as novas habilidades exigidas do jornalista. Virou uma função à parte, vivendo num espaço que não existe mais.

A versão francesa da revista on-line Slate notou exatamente isso. Que o fotógrafo abraçou, em causa própria, o domínio do tratamento (ou manipulação, em português sempre fica mais severo) de imagens, uma característica da era da tecnologia.

Mas abandonou todo o resto.

O fotógrafo, via de regra, não dialoga com o público e desempenha uma única função. A mesma que fazia quando a imprensa em papel possuía a monopólio da informação e ditava as regras.

Nem mesmo velhos conceitos característicos da web, como o uso de imagens em tamanho menor que as versões impressas _um convite a novos enquadramentos e edição (o famoso “corte”)_ estão claramente absorvidos.

Mas tudo isso vale só para a redação. No âmbito pessoal, estrelas do Flickr e do Facebook, eles tendem sempre a ser melhores do que no dia a dia. Parece que entendem, no âmbito pessoal, a mensagem dos novos tempos.

Com a palavra, os fotógrafos.

Fotos que mudaram o mundo

O Horror da Guerra 1

Rolou na quarta, mas só fiquei sabendo hoje: morreu Philip Jones Griffiths, aos 72 anos, de câncer. Lambe-lambes de luto.

Também, o cara foi “o” fotógrafo. Sua cobertura da Guerra do Vietnã para a agência Magnum ajudou a mudar os rumos do conflito quando expôs na cara dos americanos as atrocidades que estavam sendo cometidas do outro lado do mundo.

Mas a minha imagem predileta do conflito vietnamita no qual os EUA meteram indevidamente o bedelho é essa aí de baixo, feita por Eddie Adams para a AP. Há um documentário em que ele conta o horror da execução (com direito à cena completa, que também foi filmada) a sangue frio perpetrada pelo chefe da Polícia Nacional do Vietnã do Sul, Nguyen Ngoc Loan.

O Horror da Guerra 2