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A diferença entre presença e atuação em redes sociais

Para ser eficiente, a presença em redes sociais não pode ser esporádica. É um relacionamento de longo prazo e que envolve troca.

Não é o que estamos assistindo neste momento.

Na Espanha, um levantamento recente mostrou que parlamentares que não disputarão as eleições municipais deste ano por lá simplesmente sumiram de plataformas como o Twitter.

O caso é idêntico no Brasil: mais de 400 dos 513 deputados federais têm perfil no site, mas a maioria desapareceu após 3 de outubro.

Ninguém é obrigado a estar numa rede social. Mas quando se entra, porém sem disposição para dialogar, não há saída melhor que apertar o delete e esquecer que aquilo existiu.

(texto publicado nesta quarta na coluna Redemoinho, da Folha de S.Paulo)

O Facebook merece um romance ou um documentário?

O Oscar não é a diferença mais marcante entre “Bilionários por Acaso”, de Ben Mezrich, e “O Efeito Facebook”, de David Kirkpatrick _transposta para o cinema, a obra de Kirkpatrick poderia concorrer à estatueta na categoria documentário.

Os dois livros que dissecam o fenômeno têm um distanciamento de origem. No primeiro, Mezrich assume escrever um romance (nas primeiras páginas, o autor admite recriar “diálogos e situações”).

No segundo, Kirkpatrick amassa barro e vai atrás das figuras que construíram esse negócio bem-sucedido.

Entre a ficção e a reportagem, o cinema escolheu o primeiro. Faz muito bem: a lenda é sempre mais eletrizante do que a realidade.

(mais em podcast na Folha.com)

Não, a internet não inventou a mobilização popular

A queda de mais um ditador tendo o povo mobilizado nas ruas como ator principal suscitou outro pacote de análises sobre como a vida conectada e as redes sociais são imprescindíveis para o triunfo de rupturas desta envergadura.

Ao mesmo tempo, dezenas de analistas realçam coisas como “se a internet é mesmo tão poderosa, como explicar movimentos revolucionários e populares que se deram em épocas em que nem sequer havia telefones fixos?”.

Óbvio que Hosni Mubarak não caiu porque Mark Zuckerberg criou o Facebook _nem a internet inventou o protesto político.

Mudanças assim acontecem num país porque a sociedade, num longo processo de maturação que não caberia num tweet, passou a pensar de forma diferente.

Nesse contexto, as redes sociais e sua incontestável capacidade de mobilização e difusão de notícias são o ingrediente perfeito para catalisar e amplificar os anseios de um povo em ebulição.

Mubarak desligou a internet no Egito. Em vão: feita pelas pessoas, a rede só reproduz nossas atitudes. São elas que fazem revoluções.

A ressurreição da TV

Saiu o Global Media Habits versão 2010, um estudo coordenado por Greg Lindsay que a cada ano tem se mostrado mais útil para ajudar a compreender alguns fenômenos da tecnologia e da comunicação.

Por exemplo, a pesquisa mostra que o planeta está comprando aparelhos de TV como nunca e assistindo mais à programação que eles oferecem _a média mundial é de três horas e 12 minutos.

Ou seja: mesmo com a internet, estamos vendo mais TV, como comentei nesta semana em podcast na Folha (o áudio começa com um comentário sobre a estranha relação entre WikiLeaks e Twitter).

Ainda sugiro mais, mas faltam dados para atestar: que a web está ajudando decisivamente a TV a recuperar audiência e  prestígio.

Futebol, reality shows e novelas são os programas mais atraentes para os telespectadores, uma coincidência com a internet, onde estes assuntos capitaneiam o interesse do internauta.

Esse buzz se reflete nas redes sociais, lugar em que cada vez mais as pessoas falam do que estão vendo no sofá da sala.

A pesquisa aponta ainda a incrível expansão dos dispositivos móveis (no Brasil, 32% da população tem PC, enquanto 86% possui um celular).

O estudo completo custa US$ 249.

Folha cria ‘coluna social’ das redes sociais

A partir desta quarta-feira, passo a colaborar com a edição impressa do caderno Tec (ex-Informática) da Folha de S.Paulo, assinando a coluna Redemoinho.

A ideia é que o espaço _praticamente escrito em notas de pouco mais de 140 caracteres_ seja uma espécie de “coluna social” das redes sociais.

Espero estar à altura da pretensão do projeto (ainda mais num ambiente tão minimalista e que exige bastante concisão).