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Algumas considerações sobre o Enade

Questão 38 – Discursiva

Considere as linhas editoriais a seguir:
I. Jornal popular, geralmente criticado por ser sensacionalista, inventar e/ou omitir fatos e preocupar-se apenas em faturar, aumentar a tiragem, publicar notícias irresponsáveis, atrair e agradar certo público-leitor.
II. Jornal de grande porte, considerado mais responsável, por vezes esquece o verdadeiro interesse pela informação, manipulando a notícia em favor de outros interesses empresariais, financeiros, comerciais, etc. E, assim, poder incorrer em muitos erros.
Compare as linhas editorais, aponte as principais inconsistências desses veículos e proponha uma inovação que signifique avanço na relação mídia e sociedade.

Esta questão do Enade específica para o curso de Jornalismo desatou a loucura em meios acadêmicos e profissionais. Colegas, como o professor Nilson Lage, viram manipulação ideológica no teste.

“Cada uma das afirmações dadas como corretas representa uma posição da esquerda reacionária que pretende dominar a consciência das pessoas reproduzindo métodos nazistas e stalinistas: punir quem não concorda, até que o sujeito aceite para não ser punido e termine aderindo”, afirmou Lage.

Bem, a primeira conclusão que se pode tirar da prova é que ela ruim. Como quase todas, escrita num português que não é corrente. Os enunciados são oblíquos, vertiginosos, esfumaçados.

Outra conclusão bem objetiva sobre o teste é que ele foi bem abrangente. Falou de dispositivos móveis, blogs corporativos, assessoria de imprensa, Código de Ética, rádio e TV, direito na internet…

Não enxerguei ideologia no questionário exclusivo aos alunos de Jornalismo. Houve uma citação desairosa a Veja, é verdade (o delicioso caso Boimate), mas apenas para dar combustível às teorias da conspiração.

Mas… e a questão 38?

Pra mim ela é uma obra de ficção. Um exemplo inventado, digo.

Porém todos os jornais, em algum momento, passam pelas situações descritas. Mas isso jamais seria uma diretriz editorial.

Reclamar dessa questão é, claramente, assumir uma carapuça (aliás, apontar esse viés em qualquer aspecto da prova é assumir um fracasso, ainda que intelectual e pessoal).

Mas voltando ao assunto: um veículo jornalístico com essas premissas não sobreviveria à primeira esquina.

É essa a resposta correta, diga-se.