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Wikipedia protege jornalista

O jornalista norte-americano David Rohde, repórter do New York Times, contou com uma autêntica força-tarefa capitaneada por seu jornal para evitar que notícias sobre seu sequestro pela milícia Talebã chegassem à internet (o jornal português Público explica a lógica por trás disso).

Nos jornais, já é quase uma praxe: há um espírito de corpo que evita, nesses casos, noticiar sequestros de jornalistas _o mesmo cuidado, como já se cansou de ver (embora tenha sido ampliado drasticamente nos últimos anos), não vale quando se trata de um cidadão “comum”, digamos.

Mas hoje não existe apenas a imprensa formal. Mais, a informal tem mais força e penetração. Daí o NYT precisou falar com Jimmy Wales (o criador da Wikipedia) em pessoa para censurar e bloquear o verbete de Rohde na enciclopédia colaborativa on-line.

Deu certo: reverteram várias vezes menções sobre o sequestro até que Rohde fugiu do cativeiro _e agora pode contar sua própria história.

Para benefício também da Wikipedia, que liberou a adição de trechos sobre o assunto.

Falou e disse

“Somos donos da tinta e donos do papel e estamos numa posição em que julgamos outras pessoas numa base diária, mas nunca nos submetemos pessoalmente. Existe uma atitude de defesa que temos enquanto jornalistas: quando alguém nos critica e acusa de sermos partidários, começamos por identificar a forma como aquela pessoa está errada. Não começamos por nos interrogarmos se essa pessoa terá razão. E essa seria a forma honesta de fazermos o trabalho, começarmos com uma mente aberta em relação às críticas. Estamos numa posição de fazer declarações e não damos um igual tratamento a alguém que se queixa, existe uma arrogância implícita de que a nossa opinião tem mais importância.”

A frase é de Daniel Okrent, 60 anos, ex-ombudsman do New York Times, em entrevista ao jornal português Público.

Precisa dizer mais alguma coisa?

“No jornalismo, quem tem boas idéias é o público”

Um dos maiores especialistas em novas tecnologias (e o que elas estão fazendo ao jornalismo), Jeff Jarvis, que comanda o ótimo Buzzmachine, foi entrevistado nesta segunda-feira pelo jornal português “Público”. Vale a leitura atenta e completa do texto.

Entre as coisas que achei bacanas, ele tem sugestões radicais para jornais como o The New York Times sobreviverem (acha que deveriam ser focados no noticiário analítico de internacional), comenta sobre o livro que está escrevendo, “What Would Google Do?” ou “O que o Google faria?”, no qual aplica conceitos do gigante da Internet para negócios comuns, e defende a “sabedoria das multidões”, tão debatida hoje em dia. A ponto de disparar: “no jornalismo, quem tem boas idéias é o público”.