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Jornal impresso: extinção não, perda de relevância

O monótono debate sobre o fim dos jornais impressos parece, enfim, ter chegado ao ataque adequado.

À “linha de extinção” de Ross Dawson, que mostramos aqui há duas semanas destacando que tratava-se de uma análise (ainda que contestável) sobre relevância, não uma previsão sobre sua extinção, acresceu-se agora outra, que pegou dados gerais de circulação na Europa e os dividiu pela população.

Por esse critério, nota-se que os países nórdicos, além de curiosidades como Luxemburgo e Liechtenstein, aparecem no topo da cadeia entre os consumidores de jornais. Logo, é possível dizer que nessas regiões o jornal possui mais importância do que, genericamente, costumamos determinar.

É o que acontece em países ainda em desenvolvimento, como Índia (que possui o maior número de títulos pagos do mundo, 2,5 mil) ou China (que tem mais jornais entre os 100 maiores em circulação no planeta).

Há anos estamos dizendo aqui que o jornal impresso, como o conhecíamos, já experimentou uma mudança importantíssima, deixando de ser um produto de massa. Há outras opções informativas (e mais agradáveis do ponto de vista tecnológico) a dividir atenção com o papel tingido de notícias e serviço.

Além de tudo, esse produto piorou e, em boa medida, passou a repetir as informações que o jornalismo on-line tem horas de vantagem na divulgação _isso também certamente explica essa perda de relevância a qual voltamos a comentar hoje.

Porém é impossível tentar imaginar o simples desaparecimento de algo cultural e enraizado. Insisto na aposta do jornal impresso como produto premium, mas é algo que, no Brasil, por exemplo, ainda está distante de ser debatido. Temos décadas de jornal na banca pela frente ainda.