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Nada como um dia após o outro

Não acho bacana colegas questionarem colegas. Muito menos em busca de reconhecimento em formato de comenda. Aproveito para falar sobre o assunto exatamente hoje, dia em que os vencedores do Prêmio Esso 2012 receberão suas merecidas distinções em concorridíssimo evento no Copacabana Palace.

Ocorre que cinco jornalistas da TV Record discordaram da decisão de premiar outros cinco colegas, estes da Folha de S.Paulo, por uma série de reportagens sobre a saída de Ricardo Teixeira da presidência da CBF após um reinado de 22 anos à frente da entidade que comanda o futebol brasileiro – foram da TV, é verdade, as primeiras matérias sobre o tema.

Não vou nem sequer entrar no mérito do julgamento, visto que não tive acesso ao conteúdo completo de nenhuma das duas séries. Chama-me a atenção, porém, que o trabalho ora considerado injustiçado (por seus autores, diga-se) não tenha chegado entre os finalistas em sua categoria, de televisão.

Mas vou me ater unicamente ao aspecto comportamental. Definitivamente fico com vergonha alheia de quem move montanhas por causa de uma premiação. Julgamentos são assim mesmo, e mais, não determinam absolutamente nada sobre capacidade profissional. Ainda mais no jornalismo, quando se tem de matar dois leões por dia.

Meu conselho aos colegas da Record: a melhor resposta é sempre a edição de amanhã. Mãos à obra.

Violência abortada, prêmio Esso de fotografia em 2011


A sequência acima, registrada por Epitácio Pessoa sob o título “Violência abortada”, conquistou o Prêmio Esso de fotografia deste ano (confira todos os premiados).

Conta o fotógrafo que o rapaz, com os braços amarrados para trás, seria executado pela dupla que, ao notar a presença da câmera, libertou o garoto.

Essa sim foi uma “matéria de serviço” de verdade.

Quando o furo é de um jornal pequeno não vale?

Tem uma situação bacana rolando nos Estados Unidos. O National Inquirer, um tabloide considerado (pela elite) de quinta categoria, deu o furo de 2009 mas foi excluído da seleção do prêmio Pulitzer (o mais importante do jornalismo) por uma questão técnica: a matéria foi publicada dois anos antes.

Publicação nunca levada a sério (pudera, tem um cabedal de capivaras por apuração malfeita), o Inquirer revelou, em 2007, que o babe face John Edwards, vice de John Kerry nas eleições presidenciais de 2004 e pré-candidato democrata quatro anos depois, teve um filho fora do casamento.

Só agora a história veio à tona _Edwards teve de fazer uma retratação pública depois que o assessor que escalou para se passar pelo pai da criança (inclusive vivendo sob o mesmo teto com a “família”) escreveu um livro revelando a farsa.

O “jornaleco” tinha razão, e deu A matéria de 2009. Seu pecado foi ter feito isso dois anos antes _condição que deveria garantir imediatamente o prêmio.

Agora há um debate se o tabloide merecia o Pulitzer, e os que repudiam a ideia lembram muito a controvérsia do Prêmio Esso de 2004, concedido a Renan Antunes de Oliveira e seu perfil de Felipe Klein, filho de ministro alcoólatra, que embarcou na onda da body modification e terminou estatelado numa lixeira de prédio ao cair do nono andar.

A reportagem foi publicada no jornal Já, de Porto Alegre. E a comenda (o nosso Pulitzer) desencadeou uma reação desproporcional do mainstream, que tentou desconstruir a reportagem.

Entendo perfeitamente o jogo (e labuta) por trás de reputação e credibilidade de um veículo jornalístico. Mas a plataforma não pode ser, jamais, o critério para se julgar uma boa matéria.