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O mito do comércio on-line

Existem muitos mitos sobre a vida (pessoal e comercial) na web, mas provavelmente o mais forte deles atualmente diz respeito ao comércio on-line, um negócio que não para de crescer no Brasil e que já recebeu, em quatro anos, investimentos de mais de R$ 2 bilhões, quadruplicando de tamanho.

Isso significa que você está marcando touca porque ainda não oferece produtos e serviços na rede? Não necessariamente: o negócio pode ser imenso, mas os prejuízos também.

Nenhum operador brasileiro trabalha no azul, e gigantes da rede como a Dafiti (a Casas Bahia da internet, ou seja, seu maior anunciante) investem rios de dinheiro em marketing para atingir a única condição que pode fazer, um dia, o negócio valer a pena: a escala. Ou seja, é preciso ser muito, mas muito mesmo, grande. Grande, aliás, é pouco.

Histórias bonitas como as da Amazon, que se transformou numa imensa operação de logística à custa de severas restrições a direitos trabalhistas básicos, são construídas literalmente com muito suor e sangue.

Na rede, definitivamente, nem tudo é o que parece.

A Playboy entrevista Steven Jobs

“My God! I drew a circle!”.

Era Andy Warhol gritando em êxtase ao ser apresentado, em janeiro de 1985, a uma grande invenção: o mouse. Ou melhor, o mouse (criado anos antes por Douglas Engelbart) associado a um Macintosh, da Apple.

Quem apresentava a revolução ao homem que notabilizou a sopa pronta Campbell’s era, claro, Steve Jobs.

Tudo sob o olhar atento do repórter David Sheff, que publicou na Playboy americana em 1º de fevereiro de 1985 uma entrevista com o então enfant terrible da revolução da computação pessoal (e ainda chamado “Steven” pela mídia).

A conversa aborda todos os bodes na sala que ele colocara ali – a ponto de ser escanteado ao comando de um time que, teoricamente, cuidaria de produtos menos importantes da empresa – mas que saiu-se com o Macintosh, se não um campeão em vendas (pudera, caríssimo), um produto diferenciado.

“Você nunca guarda rancor de um filho”, diz, ao falar sobre as brigas dentro da companhia.

Em 17 de setembro daquele ano, a Apple demitiu Jobs.

O resto é história.

O YouTube dá dinheiro?

É a pergunta do milhão: o YouTube dá dinheiro? Juan Varela, nesta belíssima análise, atesta que não. Com a ressalva de que os dados são, em boa medida, estimativas de um estudo, ele mostra que o site de compartilhamento de vídeos movimenta dinheiro compatível com uma rede de TV europeia (US$ 727 milhões).

Isso significa pouca coisa se lembrarmos que armazenar dados, como faz o Youtube, custa bem mais caro que operar uma emissora de TV comercial _ou você acha que banda nasce em árvores?

Só no ano passado, o Google perdeu quase US$ 500 milhões com o site de compartilhamento de vídeos, mas é promissor o acréscimo de usuários e de vídeos vistos, todos eles devidamente monetizados com publicidade.

Mesmo assim, o estudo prevê que serão necessários pelo menos oito anos de bons resultados para o Google recupere os US$ 1,65 bilhão que colocou no negócio.