Arquivo da tag: Playboy

A Playboy entrevista Steven Jobs

“My God! I drew a circle!”.

Era Andy Warhol gritando em êxtase ao ser apresentado, em janeiro de 1985, a uma grande invenção: o mouse. Ou melhor, o mouse (criado anos antes por Douglas Engelbart) associado a um Macintosh, da Apple.

Quem apresentava a revolução ao homem que notabilizou a sopa pronta Campbell’s era, claro, Steve Jobs.

Tudo sob o olhar atento do repórter David Sheff, que publicou na Playboy americana em 1º de fevereiro de 1985 uma entrevista com o então enfant terrible da revolução da computação pessoal (e ainda chamado “Steven” pela mídia).

A conversa aborda todos os bodes na sala que ele colocara ali – a ponto de ser escanteado ao comando de um time que, teoricamente, cuidaria de produtos menos importantes da empresa – mas que saiu-se com o Macintosh, se não um campeão em vendas (pudera, caríssimo), um produto diferenciado.

“Você nunca guarda rancor de um filho”, diz, ao falar sobre as brigas dentro da companhia.

Em 17 de setembro daquele ano, a Apple demitiu Jobs.

O resto é história.

Nem o ‘jornalismo erótico’ escapa da crise

Perguntei ontem se existe jornalismo humorístico, e me deparo agora com um texto que fala em “jornalismo erótico”. Uai, existe essa categoria?

É sobre a revista Playboy e a situação inédita que a publicação viverá a partir do mês quem vem, quando pela primeira vez desde fundada, em 1953, terá um editor-executivo que não é membro da família Hefner. E com a obrigação de tirar a companhia do buraco.

O veículo vendia 7 milhões de exemplares em 1972, mais do que o dobro de hoje (3 milhões).

É verdade que a Playboy, em suas várias edições pelo mundo (o Brasil não foi exceção), reuniu um timaço de jornalistas, escritores e colaboradores.

Paul Alonso, o autor da análise, cita a pornografia na internet (“onanista, sem narrativa ou estilo próprio”) como culpado relevante no processo de derrocada da revista.

Nem mulher pelada salva, é isso?

A garota se tornou mais famosa do que a mala

Maria del Luján Telpuk, ex-agente aeroportuária, descobriu mala de dinheiro que colocou o atual governo argentino em maus lençóis

María del Luján Telpuk, ex-agente aeroportuária, descobriu mala de dinheiro que colocou o atual governo argentino em maus lençóis

Já é clássico no jornalismo: uma notícia pode ganhar ainda mais interesse se um de seus protagonistas é, digamos, interessante de se ver.

A Argentina assiste a apenas mais um exemplo dessa máxima. Aqui, a ex-agente policial aeroportuária María del Luján Telpuk se transformou numa celebridade não apenas por ter sido a responsável pela apreensão de uma mala com US$ 800 mil no aeroporto Jorge Newberry (o Aeroparque), em Buenos Aires, em agosto do ano passado _o dinheiro, presumivelmente, tinha sido enviado pelo governo venezuelano para a campanha de Cristina Kirchner, que acabou eleita presidente argentina.

A última de Telpuk (que foi capa da Playboy local em fevereiro e virou dançarina de palco da versão argentina do “Patinando com as Estrelas“) reverberou na imprensa local. Ela acusa o FBI de chantageá-la a mudar seu depoimento e vincular o empresário Guido Antonini, que viajava ao lado de outras pessoas no pequeno avião com a valiosa bagagem, ao venezuelano Franklin Durán, detido e processado nos EUA sob a acusação de atividades ilegais de espionagem a serviço do governo de Hugo Chávez.

Segundo a ex-policial (que hoje também trabalha numa empresa privada de segurança, conforme revelou anteontem num programa popular da TV local), os agentes norte-americanos lhe ofereceram “um emprego de modelo numa das mais importantes agências de Miami“. Telpuk bateu o pé e não mudou suas declarações.

Qualquer coisa que a dublê de modelo e agente de segurança diga ou faça ganha grande repercussão local. Nessas ocasiões, seu lindo rosto estampa páginas dos diversos jornais portenhos (só para lembrar: apenas nos últimos seis meses, Buenos Aires ganhou mais dois diários pagos em papel, um movimento certamente sem precedente no mundo).

A “garota da mala”, como ficou conhecida, eclipsou o próprio escândalo político por trás do incidente e que colocou os governos dos EUA e da Argentina em confronto.