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Magnum vende acervo para sobreviver (mas com a cabeça que a levou à ruína)

Aula de história: o desembarque das tropas aliadas na Normandia, no Dia D, numa tomada de Robert Capa

A Magnum, durante anos meca do fotojornalismo e que abrigou, em suas fileiras, nomes como Henri Cartier-Bresson e Robert Capa, vendeu seu arquivo para um bilionário americano que pretende vê-lo exposto na Universidade do Texas. São 200 mil positivos que custaram, estima-se, pelo menos US$ 100 milhões.

Pouco se falou sobre a motivação da negociação de tão valioso conjunto de fotos: a revolução digital quebrou a Magnum. Nascida e criada num mundo onde competia-se para ver quem gastava mais dinheiro numa pauta, a Magnum sucumbiu à oferta abundante de registros jornalísticos nos lugares mais remotos. Perdeu seu nicho para a colaboração em rede.

Com o capital extra, a Magnum enxergou uma chance de sobreviver. E eu pergunto como, se ainda acha que jornalismo é uma disputa pelo maior orçamento.

Eles não sabem o que dizem: jornalismo é uma disputa pelo seu quarteirão.

Juiz aponta arma para fotógrafo (e vira capa de revista)

O fotógrafo Carlos Saavedra, da prestigiosa revista semanal de informação Caretas, ganhou na loteria: escalado para seguir os passos do juiz Raúl Rosales Mora (protagonista de uma polêmica decisão), se viu sob a mira de uma pistola apontada pelo próprio personagem da matéria. Que, claro, virou a capa.

“Cuidado com o que você anda fazendo”, ameaçou Rosales, que em fevereiro autorizou a nomeação de um magistrado no Tribunal Constitucional (a suprema corte peruana) intensamente relacionado com aliados de Vladimiro Montesinos.

Braço direito do presidente Alberto Fujimori, Montesinos foi filmado subornando um político de oposição, o que desatou uma crise política que culminou com a renúncia do mandatário, sua posterior fuga ao Japão, e a prisão no Chile, durante uma viagem anos depois. Hoje, Fujimori e Montesinos (que fugiu para a Venezuela mas foi extraditado, não sem antes criar um incidente diplomático entre os dois países), estão presos.

Também foi da Caretas o flagra, em junho de 2007, do almoço festivo com Javier Ríos Castillo e a patota de Montesinos. Ríos Castillo festejava, um dia antes da votação no Congresso, sua escolha para o Tribunal Constitucional, o que realmente se confirmou no dia seguinte.

O escândalo obrigou o parlamento a rever a nomeação, e desde então Ríos Castillo batalhava na Justiça por seu cargo, que ele considera “legítimo”. Rosales lhe deu ganho de causa, mas ainda há recurso.

Mas o que o juiz tresloucado deu mesmo foi uma belíssima capa. E a lição de que sempre vale a pena seguir quem tem culpa no cartório. Esse povo se entrega fácil, fácil.

Janelas paulistanas

Inspirador o ensaio do fotógrafo Helvio Romero com o tema Janelas Paulistanas, na versão eletrônica de O Estado de S. Paulo.  E o texto de apresentação é irretocável.

“Uma viagem poética pelas fachadas da cidade. Um mosaico de cores formas e contrastes. A São Paulo antiga, a São Paulo moderna, os bairros de classe média, os bairros da periferia. Janelas decadentes, janelas enfeitadas, janelas coloridas, janelas divertidas. Janelas com gente, janelas com bichos, janelas com plantas, janelas desabitadas. Janelas, janelas, janelas, janelas… Janelas por onde São Paulo é vista. Janelas por onde olhamos São Paulo”.

Fotojornalismo: uma pequena mostra do portfólio de Steve McCurry


O fotógrafo Steve McCurry, mundialmente famoso por seu retrato de uma menina afegã que ilustrou capa histórica da revista National Geographic, não fez, evidentemente, só isso.

Aqui tem um pequeno mostruário de seu trabalho, muito calcado em retratos, mas com tomadas inusitadas como a do Taj Mahal, na Índia, que reproduzo acima. Estão no livro South Southeast, da editora Phaidon Press.

Novas narrativas: a imagem chocante da guerra

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A fotógrafa Julie Jacobson, da Associated Press, se viu diante de um dilema mês passado, quando acompanhava uma incursão do exército americano no Afeganistão e um marine foi atingido por um foguete. Ferido gravemente, não resistiu.

As fotos só foram divulgadas agora.

Julie não interferiu na ação e, à distância, registrou a agonia do soldado e a tentativa, em vão, de salvá-lo. Há quem pergunte como é possível se deparar com situações assim e não correr em socorro da vítima. São os que não conhecem o jornalismo.

Os que conhecem sabem perfeitamente que a melhor maneira de ajudar alguém é registrar fielmente um fato, e contextualizá-lo, para que se entenda por que ele aconteceu.

A história completa de Julie e seu furo de reportagem estão num audio slideshow forrado de imagens bacanas e narração bastante satisfatória do ponto de vista de uma reportagem.

É sobre isso que estamos falando em termos de novas narrativas jornalísticas.

Um post para ver: 20 portfólios bacanas de fotojornalistas

Grande instantâneo para um caderno de cidades qualquer (Foto: Jacquelyn Martin)

Grande instantâneo para um caderno de cidades qualquer (Foto: Jacquelyn Martin)

Finalmente um post para ver: o 10,000 Words, blog jornalístico tocado por Mark S. Luckie, indica 20 portfólios bacanas de repórteres-fotográficos.

Referências, apenas, para que a gente saiba o que andam fazendo por aí em termos de registro imagético de elemento noticioso.

Como o curioso instantâneo que reproduzi acima, de Jacquelyn Martin, que flagra o transporte de uma alegoria (ou seria estátua?).

Imagens do dia a dia das cidades que é sempre legal ver no jornal no dia seguinte.

A ética no tratamento de imagens

O que é certo ou errado no tratamento de imagens jornalísticas? É essa a pergunta que se faz o livro “Photojournalism, technology and ethics – what’s right and wrong today”, disponibilizado na íntegra para download.

Numa época em que os softwares de manipulação de imagens estão evoluidíssimos, a discussão sobre os limites da fotografia tem tudo a ver.

Excelente dica do Blog do Gjol.