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Passaralho no NYT traz de volta previsão de falência do jornal

O passaralho no New York Times (5% do staff do jornal, ou 100 profissionais serão despedidos nos próximos dias, além de a empresa ter anunciado uma redução de 5% nos salários da redação pelos próximos nove meses) trouxe de novo à tona artigo de janeiro escrito por Michael Hirschorn. Nele, a previsão sombria: o NYT irá a falência em maio deste ano.

A profecia, é claro, foi ironizada. Mesmo depois que a empresa vendeu sua sede novinha em folha e voltou ao aluguel (de um edifício bem mais modesto) e recorreu ao milionário mexicano Carlos Slim _conseguindo um aporte de US$ 250 milhões_, os argumentos de Hirschorn foram lembrados.

Agora, é Mark Potts, no combativo Recovering Journalist, quem junta os pontos e pergunta: e se Hirschorn tiver razão?

É a vida real

Não é pieguice, mas ainda sobre o fim do Rocky Mountain News, jornal de Denver com 149 anos nas costas que não soube reagir à mudança do mundo e fechou as portas: um vídeo feito pelos funcionários dá bem o tom trágico e humano de um acontecimento como o fim de um jornal.

As cenas da reunião que pôs fim ao diário parecem, sem dúvida, um filme. Reparem em dois repórteres tomando notas num bloquinho _naquela que seria a sua última matéria ali.

De chorar outra vez.

Público banca mais uma experiência no jornalismo

Começou mais uma experiência de jornalismo financiado pelo leitorado nos Estados Unidos (as outras, que você já conhece, são o Spot.Us e o Jornalismo Representativo).

Jornalistas demitidos de impressos que fecharam as portas ou estão moribundos no Arizona criaram seus próprios veículos on-line para tocar a vida. E o Heat City trabalha com o conceito de microdoações para fazer pautas pinçadas entre sugestões do público _exatamente como funciona o Spot.us.

Vamos acompanhar e ver no que dá. Uma coisa é certa: a cultura da doação é americana. Não cola no resto do mundo.

A crise econômica chega ao jornalismo

A crise econômica bateu à porta da indústria jornalística, como era de se esperar. No exterior, num cenário em que cortes de pessoal (os famosos passaralhos) já vinham acontecendo nos Estados Unidos, a agência de notícias Associated Press, a mais antiga do mundo (tem 162 anos), anunciou um corte de 10% em suas redações.

A AP abriga mais de 4 mil jornalistas (entre editores, repórteres e fotógrafos). A medida de contenção de despesas, portanto, deverá atingir pelo menos 400 deles. Em 2008, a empresa já tinha adotado a estratégia de congelar vagas. Não resolveu.

O problema de uma agência deste porte balançar é que suas matérias ajudar a encher páginas e mais páginas de pequenos jornais espalhados pelo mundo. Com menos material sendo produzido via agências, naturalmente o caminho destes veículos é diminuir de tamanho _e dispensar mais gente, num trágico efeito dominó.

No Brasil, os principais meios de comunicação ainda não partiram para as demissões coletivas como forma de encarar a provável redução de faturamento. Por ora, o que tem acontecido é um recrudescimento da fiscalização rigorosa sobre os gastos da redação, como viagens ou uso de veículos. Espera-se mais.

Ombudsman do jornalismo, profissional em extinção

Uma nova modalidade de passaralho está rolando na imprensa mundial. Agora, é a cabeça do ombudsman _representante dos leitores nos veículos_ que está a prêmio.

É emblemático que o primeiro jornal a criar o posto na América do Norte (o The Courier-Journal), e há 40 anos, o tenha extinguido no começo da semana. Ao menos seu titular, Pam Platt, foi reaproveitado numa editoria.

A extinção segue os exemplos de The Minneapolis Star-Tribune, The Baltimore Sun, The Fort Worth Star-Telegram, The Orlando Sentinel, The Hartford Courant e do The Palm Beach Post _todos deixaram de ter essa figura em suas folhas de pagamento.

A análise da gradual desimportância da função relaciona diretamente o fato ao avanço dos canais de comunicação redação-leitor (notadamente a internet e os instrumentos do que se convencionou chamar de Web 2.0).

Faz sentido, já que agora o contato com jornalistas é direto. Além disso, blogs estão fazendo o papel de defesa do leitorado, denunciando mazelas e ruindades diárias da imprensa.

Para completar, como normalmente o cargo é ocupado por um jornalista respeitável e veterano, o orçamento da “pasta” foge ao nível que os veículos pretendem hoje dispender com seus profissionais.

No Brasil, a instituição ombudsman no jornalismo _que nunca pegou, tanto que só dois jornais abraçaram a causa_ sofreu um duro golpe depois que a Folha de S.Paulo não renovou o mandato de Mário Magalhães, o mais crítico e metódico profissional a ocupar o cargo, suscitando insinuações de que teria sido dispensado justamente por enxovalhar (muitas vezes de forma correta) o jornal em sua crítica diária. Que, por sinal, deixou de ser aberta ao público, na Internet.

Estamos todos deprimidos

Nós, jornalistas, estamos todos chocados. Deprimidos, para dizer a verdade.

Nem tanto com o passaralho no Grupo Estado, que, fantasiado de PDV (Plano de Demissão Voluntária), ceifou vagas dos colegas com pelo menos 15 anos de serviços prestados àquela empresa.

Bem mais com os rumores, aparentemente verdadeiros, da venda de toda a empresa às Organizações Globo. Uma catástrofe.

A notícia mais atual dá conta de uma reunião de acionistas, com a presença de Ricardo Gandour, diretor de Redação do jornal, em que reiteradas vezes teria sido negada qualquer negociação. Tomara.

Por ora, só o colunista Giba Um cravou a transação (momento nostalgia: convivi com ele entre 1990 e 1992, na redação da “Folha da Tarde”, atual “Agora SP” _figuraça, tinha até uma espécie de mordomo à disposição).

O Estadão é mais do que um patrimônio do jornalismo brasileiro, faz parte da história do próprio país. Só o fato de se cogitar sua venda já nos deixa, a todos os jornalistas, consternados.

Que esse estranho negócio não prospere.

A morte lenta de um jornal

A edição é sacana _mas a motivação, nobre: o diagramador Martin Gee saiu fotografando a redação do San Jose Mercury News após o fechamento, o que aumenta ainda mais a sensação de terra arrasada.

Digo aumenta porque o jornal tem cortado sistematicamente empregos. No mês passado, o passaralho mandou 50 jornalistas para o olho da rua (mas proporcionou imagens belíssimas, como a da sala, hoje vazia, da ex-editora de Negócios Rebecca Salner).

Veja o ensaio completo de Gee. Completo não porque, como ele próprio diz, “mais demissões e fotos virão”.

Em tempo: o Mercury News é o jornal que abrigou como colunista de tecnologia, por 12 anos, Dan Gillmor, o homem que teorizou o avanço da ex-audiência e o jornalismo participativo _tudo bem, um ano depois de Chris Willis e Shayne Bowman, que não ficaram famosos…

 

Greve inviabiliza edição do Le Monde

Os funcionários do jornalão francês prometeram e cumpriram: não foi para as bancas a edição desta terça do mais prestigioso diário francês, afogado em dívidas e que anunciou um plano de reequilíbrio de suas finanças que envolve a demissão de 130 pessoas.

Rolou piquete na porta da empresa, discursos, cartazes.

É a segunda vez em 64 anos que o jornal não vai para a banca.

Na versão on-line, a manchete de agora (1h36 desta terça) fala de outra manifestação, a de professores descontentes com outro passaralho…

Passaralho!!!!

Nada mais básico na vida de um jornalista do que ser mandado embora.

Afundado em dívidas, o francês Le Monde anunciou um plano para reequilibrar suas finanças que inclui pontapés nos traseiros de 130 coleguinhas.

Deitado na fama, lerdo na Internet e alheio às novas tecnologias, o jornalão francês fechou 2007 com um rombo de 15 milhões de euros.

Aí adivinha, né, vai sobrar pra quem?

Em tempo: como reação, os funcionários do jornal prometem uma paralisação para o dia 14, segunda-feira.