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Greve de jornalistas sempre é notícia

Uma greve de jornalistas merece sempre ser noticiada: aconteceu ontem, na Grécia.

Foi uma paralisação de 24 horas que envolveu todas as mídias, inclusive on-line (que não abandona o posto nem para almoçar), contra a precarização do trabalho no país, que faliu e quase colocou em risco toda a Europa.

Parabéns, colegas.

O passaralho revisitado

Estou lendo The Death and Life of American Journalism, ótima compilação de ideias reunidas por Robert W. McChesney e John Nichols, que há tempos escrevem bons artigos sobre nossa profissão em xeque.

Entre análises e análises de passaralhos há, como não poderia deixar de ser, a menção ao Paper Cuts, projeto na web que reúne informações sobre demissões em massa de jornalistas e, mais grave, encerramento de atividade de jornais impressos nos EUA.

Voltei ao site hoje e o que se vê é deprimente: um excesso de alfinetes pretos, ou seja, despedimentos (como se diz em Portugal e um termo que eu acho brilhante) sem confirmação oficial do número.

Caminhamos para a extinção, senhores?

Eu não creio.

Demitidos, jornalistas se organizam para ‘discutir a relação’ com o jornal

Cerca de 60 coleguinhas demitidos num passaralho no The Baltimore Sun se reuniram agora num site para contar suas histórias _basicamente, sua relação com o diário (alguns tinham longa ficha de serviços prestados à publicação).

Não deixa de ser uma lembrança, para a gente, de que a crise do jornalismo impresso nos Estados Unidos está muito distante da nossa realidade nos países emergentes, onde pessoas recentemente começaram a comer de forma decente.

Temos alguns anos pela frente antes de nos lembrarmos com nostalgia dos dias de glória do impresso, como retrata o romance The Imperfectionists, de Tom Rachman, recém-lançado.

Jornal publica anúncio em memória de demitidos em passaralho

Aconteceu em Minneapolis (EUA), no The Star Tribune: jornalistas da casa fizeram uma vaquinha e bancaram US$ 3.225 (quase R$ 6 mil) para colocar um anúncio no próprio jornal homenageando vítimas de seguidos passaralhos na redação _em quatro anos, o quadro do periódico caiu de 400 para 250 pessoas.

No mês passado, os sobreviventes já tinham participado de uma greve de assinaturas: ninguém assinou matéria num dia específico. “Uma greve de assinaturas é um conceito interno que não significa nada para nossos leitores”, disse muito bem Mary Abbe, articulista do jornal.

Foi ela quem deu a ideia do anúncio fúnebre, quase uma reprodução dos paredões de granito de soldados americanos mortos tão comuns aos cemitérios militares ou memoriais. Muita gente não quis colaborar. “Alguns colegas entenderam o anúncio como uma forma de financiar a empresa”, contou Mary.

O jornal tinha R$ 6 mil motivos para não barrar a manifestação de seus funcionários. E não o fez, dando o sinal verde para a publicação do anúncio _basicamente uma lista de nomes sob o título “Agradecemos aos mais de 140 jornalistas que deixaram a Redação nos últimos três anos”.

A @kikacastro foi quem viu primeiro essa história.

Foto da redação vazia no NYT: passaralho ou manipulação?

O The Nytpicker é um blog que sempre traz informações de insiders sobre o The New York Times, o jornal que todo mundo quer saber como funciona no duro _ou seja, nas internas.

A foto de uma redação vazia às 21h, que o blog tenta relacionar a mais um passaralho ocorrido recentemente no jornal, está provocando uma enorme polêmica por lá. Há quem diga que se trata da editoria de variedades, que não trabalha nesse horário.

Enfim…

‘Jornalcídio’ ameaça dedicação à profissão

Pelo menos 15 mil jornalistas já perderam o emprego neste ano nos EUA. A cifra está bastante próxima de igualar (ou até mesmo superar) o banho de sangue do ano passado, quando 16 mil colegas foram para o olho da rua.

Alan Mutter, autor de brilhante estudo que relaciona a penetração da banda larga residencial ao declínio das tiragens dos veículos impressos, faz uma reflexão não sobre quem já estava no mercado, mas que diz respeito a toda uma geração de jornalistas que está saindo das universidades e, agora, encontra muito mais dificuldades para começar na profissão numa única função _é a profusão de frilas substituindo o trabalho regular numa redação.

Para ele, a sociedade como um todo sentirá essa lacuna. “Essa perda”, diz ele, “privará, no futuro, os cidadãos dos insights que só podem ser entregues por profissionais que se dedicam a um trabalho”.

Passaralhos vitimam mais editores e redatores, não repórteres

Carlos d’Andrea destacou, em seu bom artigo “Collaboration, Editing, Transparency” [PDF, 155k] na última edição da Brazilian Journalism Review, uma matéria de Carl Stepp publicada em abril pelo American Journalism Review.

Stepp detectou que as principais vítimas dos passaralhos nas redações americanas são editores e redatores, não repórteres.

É falsa, portanto, a premissa de que a redução de custos na imprensa dos EUA teria relação direta com a diminuição do número de repórteres _que muita gente considera a peça mais importante da engrenagem jornalística_ na imprensa em geral.

Essa observação corrobora outra percepção, esta no jornalismo on-line, de que a cada dia diminuem as etapas entre a concepção do texto e o leitor. Na web, o repórter já possui hoje uma autonomia que o permite publicar, diretamente e sem filtros, um texto num site.

Ou melhor: atesta que repórteres estão assumindo funções cada vez mais relevantes no fechamento.

Como manter (ou subir, nosso desafio é subir) a qualidade assim?

Frilas criam shopping center da notícia

Demitidos pelo Los Angeles Times (que promoveu um banho de sangue com mais de 500 cortes até anunciar, com orgulho, que sua operação on-line se banca) criaram um shopping center da notícia cujo principal diferencial é a experiência.

Explico: a ideia do The Journalism Shop não é nada revolucionária. Trata-se de uma cooperativa de freelancers (não apenas jornalistas, mas designers e relações públicas), reunidos num site, onde oferecem seus serviços.

A lista é extensa: apuração, reportagem, livros, edição, design, marketing, etc.

A diferença aqui é quem oferece o serviço. “Somos jornalistas experientes demitidos pelo Times. Temos veteranos em jornalismo político, matérias investigativas e cobertura de moda. As perdas do Los Angeles Times podem ser seu ganho”.

Num tempo em que a média de idade das redações (de todas elas, em todo o mundo) despencou vertiginosamente, será que a experiência voltará a ser um bem valorizado?

Crise acirra, e jornais intensificam demissões no Brasil

A nova edição do Jornalistas&Cia (Não conhece? Reúne o que rolou durante a semana nas redações pelo Brasil) dá conta de um banho de sangue em O Dia, com pelo menos 20 demissões.

Há rumores de passaralho rondando outros jornais, mas por ora os maiores têm conseguido evitar demissões em massa _optaram por trocas pontuais, as quais muitas envolvem redução da massa salarial.

É a crise.

Faculdades cheias e passaralho rondando: é o jornalismo nos EUA

Saíram alguns números sobre a procura pelo curso de jornalismo nos Estados Unidos e, sábio Ricardo Kotscho, nota-se que as faculdades estão claramente mais cheias. Coisa de 38% a mais em Columbia, 20% em Stanford e 6% na NYU.

Lá como cá, por que tanta gente quer ser jornalista, como questionou Kotscho outro dia?

Ainda mais nos EUA, onde apenas em 2009 foram quase 9 mil demissões em redações.

Vai entender.