Arquivo da tag: Pasquim

Charlie Hebdo eterno

charliehebdo-pictures

Os criminosos que perpetraram a chacina do semanário francês Charlie Hebdo, que inspirou gerações de jornalistas-cartunistas pelo mundo (como a nossa turma de O Pasquim), não sabem o que fizeram.

Na tentativa de calar, notabilizaram e globalizaram uma mensagem que tem o desprendimento, muito antes da liberdade, como o maior trunfo.

Mais Charlies Hebdos virão. E o original ingressou numa santificada galeria. Certamente não era isso que queriam os matadores.

ATUALIZAÇÃO: Para ilustrar o que escrevi acima, o advogado do Charlie Hebdo informou nesta quinta que a próxima edição da publicação (moribunda como vários outros impressos e estagnada em 60 mil exemplares) terá 1 milhão de cópias.

Inspirador do Pasquim será digitalizado

binomio
O jornal que inspirou o Pasquim vai ter a memória preservada. A Biblioteca Central da UFMG já está digitalizando a doação da coleção completa da publicação, que nos 50 e 60 ironizou os costumes e a política mineira e nacional.

Um personagem se destaca nessa história: Terezinha, a irmã de um dos fundadores, que foi espirituosa o suficiente para resgatar da redação, no dia do golpe de 1964, a coleção de exemplares – que provavelmente seriam destruídos pelos militares.

O acervo deverá ser disponibilizado on-line em breve.

Todo paulista é bicha, mas leia antes as letras miúdas

O carioquíssimo Bernardo Mello Franco, gaiato que só ele (e ótimo repórter, diga-se), decidiu do nada enviar ontem uma capa histórica da imprensa brasileira. A manchete choca: “Todo paulista é bicha”.

Bem, choca quem, como eu, apesar de gaúcho (mais motivo pra piada), fala com esse sotaque da Mooca.

Tudo a ver com a irreverência do jornal que, vitaminado pelo humor carioca-mineiro de gente como Jaguar, Ziraldo e o Sérgio Cabral do bem (o pai), sobreviveu entre 1969 (meses antes de eu nascer) e 1991 com linguagem irreverente que seria precursora do chamado “humor moderno”, hoje representado no Brasil por um bando de gente chata que se faz passar por jornalista (enquanto a turma do Pasquim, formada basicamente por jornalistas, também tinha orgulho da opção pelo humorismo).

Imagine essa capa vista de longe, na banca _aliás, Bernardo não mandou tão do nada assim, ela é de 14 de julho de 1971, ou seja, fez anos outro dia.

Letrinhas miúdas (“que não gosta de mulher” aparecia entre TODO PAULISTA e É BICHA) aliviavam o insulto. Mas pra quem via de longe…

A propósito, foi o Pasquim quem popularizou (para alguns, foi o criador) do termo bicha como sinônimo de homossexual.

E eu agora pergunto: nos tempos do modorrento politicamente correto, isso seria possível?