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A doença infantil do jornalismo brasileiro

O futebol é a doença infantil do jornalismo brasileiro? É o que defende Luciano Martins Costa em artigo no Observatório da Imprensa.

Óbvio que há uma generalização, mas com forte fundo de verdade.

2011, o ano pela liberdade de expressão

Não sabia, mas 2011 é o Ano pela Liberdade de Expressão, de acordo com a SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa).

Venício Lima discorre, no Observatório da Imprensa, sobre os documentos que dão base a essa ideia.

Levando-se em conta que 2011 pode ser também o ano em que controlaremos o conteúdo de rádio e TV (é o que pretende o novo governo), essa discussão promete.

A confiança da imprensa formal em xeque

O que pode acontecer quando perdemos a confiança na mediação histórica da imprensa?

Muniz Sodré explica num texto bem bacana.

Desce a última página do Jornal do Brasil

Texto de Joaquim Ferreira dos Santos publicado originalmente em O Globo, reproduzido pelo Observatório de Imprensa.

“Penteia o teu último nariz de cera, JB, pede ao Joaquim Campelo para copidescar uma pirâmide invertida que está na página três, diz ao Gabeira para pesquisar a capa que o Alberto Dines fez do AI-5 – e desce a página para o túmulo dos grandes jornais.”

Mas tem o caminho apontado pelo repórter velho de guerra (meu contemporâneo setorista de seleção e quetais) Jorge Cordeiro.

“Transferir o jornal de mala e cuia para o meio digital, em vez de fechá-lo, é a meu ver pra lá de sensato _e estimulante!”

Acho auspicioso o rumo que o JB decidiu (por via das circunstâncias) tomar: transformar-se em 100% on-line.

Agora, tenho sérias dúvidas se o motivo de tanta empolgação (a possibilidade de se entregar de vez às delícias multiplataforma e à interação com o público) será realmente aplicado no novo JB.

Pra isso, é preciso mais do que disposição ou conhecimento técnico, mas retaguarda tecnológica e, principalmente, de mão de obra.

Justamente o que faltou, por ausência de verba, ao velho JB.

Veremos.

Jabulani redonda, relato quadrado

Já que eu ando numa fase meio esportiva (afinal, é a editoria onde trabalhei durante 13 de meus 20 anos de profissão), engato reflexão de Alberto Dines que considerei pertinente.

O ponto que mais me interessa é, se de fato, a internet acrescentou alguma novidade à cobertura esportiva. Ele acha que não, o que é altamente discutível.

“O fato de um twiteiro mandar um pergunta lá do meio da floresta amazônica para o comentarista ou narrador tiritando de frio num estádio na África do Sul não chega a constituir um efetivo avanço jornalístico”, diz Dines.

E mais uma frase para reflexão, mas essa com um erro incluído: a maioria dos jornalistas “escravizados” ganha muito mal.

“Aquilo que a empresa jornalística brasileira chama de “desempenho multimídia” é um sistema falsamente meritocrata (na realidade escravocrata) no qual alguns ganham muito bem, em compensação são sugados até a medula dos ossos e impedidos de usufruir do sublime prazer de esmerar-se na apuração e na escrita.”

A guinada do El Pais rumo às redes sociais e à conversação

Alberto Dines descreve, em texto no Observatório da Imprensa, a aposta do espanhol El Pais em redes sociais.

O jornal, que há até bem pouco tempo separava completamente suas equipes em papel e on-line (e dizendo que era o que devia ser feito porque as mídias têm características diferentes), agora acelera a integração.

Mais: se preocupa com a conversação com seu público, uma tecla em que eu tenho batido muito _agora com a oportunidade de testá-la na prática com resultados bem satisfatórios.

Sempre gosto de lembrar que o El Pais é praticamente um garoto entre os jornais relevantes do planeta (tem só 34 anos).

O enviesado conceito de off no jornalismo brasileiro

Tenho ouvido com bastante frequência, até por desempenhar, no momento, outras funções na redação, expressões como “a gente não consegue ninguém falando em off sobre o assunto?” ou “ninguém publicou nem mesmo uma confirmação em off”.

É aquela velha confusão do jornalismo brasileiro, que põe no mesmo balaio a publicação de informações sem atribuição de fonte (chamada por aqui equivocadamente de off) e informações para uso interno da redação (o conceito real de off).

O off nada é mais é do que um indicativo, uma pista que determinada fonte dá para que o jornalista avalie se uma investigação vale a pena _ou, ainda, que confirme ou complemente uma apuração em curso.

Ricardo A. Setti já falava sobre o tema em 2004, num excelente artigo para o Observatório da Imprensa.

No entanto, para nós, jornalistas brasileiros, off é tudo aquilo que publicamos sem identificar a procedência. Simples assim.