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Quem faz jornalismo como o jornal?

No livro “O Destino do Jornal”, de Lourival Sant’Anna (repórter especial de O Estado de S.Paulo), Rodolfo Fernandes, diretor de Redação de O Globo, desenvolve um conceito bastante interessante num momento em que estamos precisamente discutindo a vida útil dos jornais impressos.

Para Fernandes, nenhum outro meio faz o tipo de jornalismo que o jornal em papel consegue fazer. Não há, segundo ele, concorrência com o veículo _sobre o qual pairam previsões sombrias de esgotamento da fórmula e encerramento de atividades.

“Não vejo ninguém fazendo”, diz ele. É uma observação que merece reflexão. Por que, afinal de contas, se o jornal conseguir se mobilizar num nicho onde não há ninguém, teoricamente sua sobrevivência estará garantida.

Pegue especificamente as últimas edições dominicais dos jornalões brasileiros (por jornalões leia-se O Globo, Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo). Que resultado teria, na Internet, o levantamento em 168 cidades brasileiras feito pelo Datafolha e que virou manchete do jornal, um mapeamento sobre o jovem brasileiro?

Outro aspecto detectado por Fernandes é definitivo. “O jornal não é mais um meio de comunicação de massa. Ponto”. É fato que a substancial queda na circulação nos últimos anos provaria cabalmente. Desde o ano passado, porém, houve uma lenta e gradual recuperação, no Brasil e no mundo.

Ponto favorável aos jornais de papel é a inegável capacidade, ainda intocada, de pautar seus concorrentes de outras mídias, especialmente a TV e o rádio _a Internet, como eu já disse certa vez, “acorda jornal”, ou seja, começa o dia reproduzindo reportagens de jornais do mundo inteiro.

Agora, qualquer um que se debruça sobre o tema concorda que, se não abrirem mão de relatar prioriamente o hard news, o “aconteceu ontem”, os jornais tendem a perder ainda mais sua relevância. A análise, a contextualização e, principalmente, a compreensão histórica de qualquer notícia é o caminho para um novo cardápio que desafie o ataque de véspera proporcionado por TV e Internet.

É o dilema entre a modernidade e o registro histórico do dia que passou, função que o jornal impresso desempenhou com habilidade por séculos.

Aí a discussão vai se concentrando no formato que, como dizem alguns, é “chato” (conceito vago e impreciso). Curioso, mas todas as pesquisas qualitativas realizadas com leitores de jornal reafirmam a “portabilidade” do produto.

Alguma vantagem há de existir em algo que não precisa ser colocado na tomada. Voltaremos ao tema.

Cidadão emplaca primeira página em “O Globo”

 

A ressaca que atingiu o litoral do Rio na quinta-feira por pouco não provocou o naufrágio de um catamarã que fazia a travessia Niterói-Rio (17 pessoas acabaram ficando feridas após a embarcação ter sido invadida por uma gigantesca onda).

A quase-tragédia, porém, serviu para alçar o cidadão comum Alexandre Caldas à primeira página do jornal “O Globo”. 

Ele estava dentro do barco, fotografou os momentos de tensão e enviou imagens para o Eu Repórter, o canal participativo do Globo Online.

Como sugeri, há um mês, que vocês fizessem.

Enquanto isso, vejo no site de jornalismo cidadão Ohmynews um texto sobre a vitória de Danica Patrick no GP do Japão da F-Indy. Publicada quatro dias após a prova e com aspas “chupadas” do site da ESPN International.

É assim que se oferece um caminho alternativo à mídia tradicional?