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O erro dos jornais que investem contra o Google News

Folha e O Globo aderiram, na semana passada, à Declaração de Hamburgo, um documento da indústria dos jornais que clama pelo “respeito às leis de propriedade intelectual para textos jornalísticos reproduzidos na internet”.

O problema é que a carta (PDF), como quase sempre acontece quando neófitos tentam falar ou legislar sobre a web, imagina ser capaz de definir limites absolutamente incontroláveis porque a internet, e quem não sabe disso parou no tempo, é dominada pelo usuário, não por grandes corporações.

Primeiro que os publishers deixam claro que a cobrança por conteúdo é uma prioridade _quase uma panaceia que estabelecerá paredões pagos cujo único efeito prático será o desaparecimento das marcas (e de seu conteúdo) da internet “legal”.

Claro, se você se fecha totalmente a assinantes, se esconde do resto do mundo que usa as ferramentas de busca para encontrar o que deseja. Sem contar que nem isso garante a proteção ao seu rebanho _seu conteúdo será distribuído de um jeito ou de outro, e na maioria das vezes por pessoas que amam você.

Outro erro da indústria jornalística é investir contra agregadores como o Google News. Pode ter certeza de que eles não estão usurpando seu conteúdo, mas o divulgando e levando a lugares que você jamais esperava alcançar.

E não me venham falar no exemplo do The Wall Street Journal, que a cada dia amplia sua carteira de assinantes on-line (eles já são bem mais de um milhão). Informação econômica (e que se reverte em dinheiro) é precisamente a única que o ser humano não está disposto a compartilhar.

Bem por isso Rupert Murdoch adiou recentemente seu plano de cobrar pelo acesso aos sites jornalísticos sob o seu comando. É que é preciso uma justificativa muito forte para fazer as pessoas pagarem pelo que é de graça há tempos na internet.

Trabalho para um psicólogo mesmo.

Jornalismo colaborativo ganha força em O Globo

Muito legal a iniciativa do jornal O Globo na campanha “Dois Gritando“, que tenta incentivar o jornalismo hiperlocal e a colaboração, contando para isso com a participação de seus leitores.

Pelos próximos três meses, o jornal vai publicar reportagens exclusivas baseadas em informações prestadas ou sugeridas por seus clientes. Trinta e seis temas (favelização e rua sem calçamento são dois exemplos) foram destacados inicialmente, mas o leitor pode incluir outros.

É o tipo de iniciativa adequada à necessidade de conversação com o público, mas me preocupa seu caráter temporário. Não podemos nos dispor a ouvir as pessoas por apenas três meses: é um trabalho de formiguinha interminável.

Se bem que O Globo é, de longe, o jornal brasileiro com maior diálogo com seu público. Basta lembrar das vezes em que material do Eu Repórter, o canal permanente de participação do periódico, apareceu nas páginas do produto impresso.

De toda forma, uma vez mais é O Globo _até por sua característica provinciana, mesmo sendo um jornalão_ quem se mostra mais preocupado com o que as pessoas estão falando, discutindo e se incomodando.

Aliás, sobre o provincianismo que citei acima: está certíssimo. Jornais com pretensões de alcance nacional, em geral, não conseguem atingir seus objetivos fora da sede e, ainda por cima, decepcionam o leitor da cidade onde são publicados. Em resumo: não consegue cobrir o país adequadamente, e ainda deixa brechas locais porque tem de gastar papel com assuntos gerais nacionais.

Passou da hora de derrubar esse tabu.

A última do link patrocinado

A notícia fala em proibição, enquanto os anúncios oferecem a venda do produto ilícito: clara incongruência que estremece a credibilidade jornalística

A notícia fala em proibição, enquanto os anúncios oferecem a venda do produto ilícito: clara incongruência que estremece a credibilidade jornalística

Viu a imagem acima, uma captura de tela do site de O Globo nessa semana? Pois é, depois ainda me perguntam por que eu combato o uso de links patrocinados ou adsense em produtos jornalísticos.

A notícia do jornal carioca fala na proibição, pela Anvisa, da venda e importação do cigarro eletrônico em todo o território nacional. Pois a publicidade imediatamente abaixo oferece justamente o que? Lotes de cigarro eletrônico em 18 vezes sem juros.

O episódio expõe com clareza o problema, para quem trabalha narrando acontecimentos, de ficar à mercê de uma máquina de busca brilhante mas que possui seus momentos de absoluta imbecilidade _aqueles em que é preciso agir como gente.

Imagine um jornal não saber o conteúdo de um anúncio numa de suas páginas _às vezes eles chegam tarde à redação, é verdade, mas por volta de 19h30 todos sabemos o que é aquilo que está atrapalhando e tomando espaço em nossas páginas.

Propaganda não pode ser aleatória, tem de ser gerenciada.

Para seu própria bem, diga não ao link patrocinado em seu site jornalístico. Pelo menos da forma como o conhecemos hoje.

Com que capa eu vou?

Detalhe da primeira página do Extra, do Rio de Janeiro, publicado em 26 de junho de 2009

Detalhe da primeira página do Extra, do Rio de Janeiro, publicado em 26 de junho de 2009

Um blog coletivo de fotógrafos escolheu a capa do Extra, do Rio de Janeiro, como a melhor publicada no mundo em 26 de junho de 2009 entre as que elegeram destacar a morte de Michael Jackson na primeira página.

Quem discorda que me apresente outra.

Destacar é diferente de manchetar. A amiga Cristina Moreno de Castro colecionou manchetes e não manchetes sobre o crepúsculo do popstar. Não manchetar com uma notícia dessas é o cúmulo do autismo. É viver num mundo paralelo e totalmente fora de timing.

Estadão e O Globo, por exemplo, deram espaço nobre na capa para o inesperado óbito. Mas não era a manchete _isso tecnicamente, só para lembrar, porque academicamente há a discussão se o assunto que aparece com mais destaque na primeira página de um jornal é a verdadeira manchete, independentemente de convenções gráficas.

Em vários momentos de pasmaceira do noticiário os jornais não souberam oferecer investigação própria e material exclusivo. Quando irrompe uma notícia do tamanho de um Godzilla dentro da redação, a reação é manter o plano original de publicar uma sequência de matérias sobre a crise no Senado?

A colega Luciana Moherdaui desceu a lenha na empre (adoro chamar a imprensa escrita de empre), eu não li toda a produção dos impressos, mas vi muita coisa e concordo com ela. A questão, para além disso, é o que oferecer.

É sério, o que fazer numa hora dessas? Forrar o jornal de artigos, análises e cronologias “bem sacadas”? E o que mais? É difícil, senhores. A informação em tempo real exaure as chances de publicar exclusividades.

Mas veja a importância do rótulo: não li a cobertura do Extra, mas vendo aquela capa eu não tenho dúvida que valeu a pena. Mesmo que tenha sido só pela capa.

PS – Demorou, mas um leitor achou o jornal que destacou (diga-se, sem ser manchete) a morte do astro com o singelo título “Peter Pan morreu”. Nessas horas eu tenho vontade de sumir.

Detalhe da primeira página do Jornal de Jundiaí publicado em 26 de junho de 2009

Detalhe da primeira página do Jornal de Jundiaí publicado em 26 de junho de 2009

ATUALIZAÇÃO: A Veja que circula neste sábado emulou a capa do Extra. Válido?

Capa da revista Veja que circulou em 27 de junho de 2009

Capa da revista Veja que circulou em 27 de junho de 2009

O leitor Vagner chama a atenção ainda para o Meia Hora, do RJ, que transformou uma das primeiras piadas infames sobre a morte do astro em linha fina de uma manchete anódina (“Nasceu negro, ficou branco e vai virar cinza“).

Também vale destacar a manchete do Diário de S.Paulo (o eterno Dipo, pra quem é velho de guerra na profissão), que tentou sair do hard news e manchetou “Michael Jackson deixa dívida de US$ 400 milhões. Foi massacrado. É a tal história: se o jornal diz que o homem morreu, não apresentou novidade alguma. Se parte pra voo solo, corre o risco de se esborrachar.

Venham fazer jornal impresso no nosso lugar, então.

Aconteceu ontem: análise e opinião resolvem?

Subverter a lógica de edição de um produto impresso. É um pouco nosso desafio nessa semana, quando estamos tratando do novo papel do jornal. Chegaremos ao ápice, que é discutir até mesmo se é necessário, a um periódico diário, exibir uma manchete por dia (por sinal, vote e opine na enquete).

Num post anterior falei sobre a possibilidade de tratar o “aconteceu ontem” como um bonito infográfico que exiba o passo a passo da jornada anterior. Um story board luxuoso, explicativo de per si. É um passo que abre o resto da página para material analítico e/ou opinativo.

Leia também: Aconteceu ontem: como avançar sem desinformar

Aconteceu ontem: alguns escritos sobre o estado do jornal impresso

Aconteceu ontem: nada mais desatualizado do que o jornal de hoje

Opine: um jornal precisa de manchete todos os dias?

Não por acaso jornais como Folha de S.Paulo e O Globo abrem páginas com colunistas. É o que se tem de mais diferente e exclusivo, via de regra, na edição.

Repare na quantidade de chamadas de primeira página para colunistas/articulistas. É uma saída fácil que os jornais não demoraram a tomar. Resolveu?

Curiosamente, há um paradoxo nisso tudo: apesar do andamento do noticiário diário (e sua atualização pelo jornalismo on-line), é inegável que os portais e sites começam o dia reproduzindo e, horas depois, repercutindo reportagens dos jornais impressos.

Uma demonstração clara de que há uma questão de plataforma da entrega do produto por trás do suposto processo de perda de importância dos veículos em papel.

Ao mesmo tempo em que tentam se recriar, esses veículos são canibalizados diariamente com seu próprio material, exibido em tempo real e muitas vezes nem sequer tratado como pede uma notícia publicada na web _que, relembremos, não é papel eletrônico e tem a obrigação de, ainda que faça o necessário clipping dos jornalões, acrescentar ali dados e links que aprofundem a informação inicial.

Há um troca, no jornalismo, entre papel e on-line diariamente. Vamos explorar esse assunto a seguir.

Aconteceu ontem: como avançar sem desinformar?

Como o jornal impresso deve se posicionar a fim de apresentar o noticiário sem redundar com os meios que o fazem em tempo real? Como, sem abrir mão da incumbência de registro histórico do dia que passou, avançar e interpretar os acontecimentos? É a discussão da semana no Webmanario.

O debate sobre o “aconteceu ontem” permeia a tese de mestrado tranformada no livro “O Destino do Jornal“, de Lourival Sant’Anna, repórter especial do Estado de S. Paulo. É o dilema dos jornais: cobrir ou não cobrir o hard news? Não cobrir seria uma insanidade. Então, como cobrir?

Leia também: Aconteceu ontem: alguns escritos sobre o estado do jornal impresso

Leia também: nada mais desatualizado do que o jornal de hoje

Opine: um jornal precisa de manchete todos os dias?

“Os jornais precisam, na medida do possível, em algum grau, abandonar a cultura do aconteceu ontem e investir mais em histórias próprias”, diz Otavio Frias Filho, publisher da Folha de S.Paulo, na obra.

“Acho que nunca vai deixar de ser [o registro histórico do dia que passou], até pelo nome, jornal”, contrapõe Rodolfo Fernandes, diretor de redação de O Globo.

Quando tive minha oportunidade, concebi um jornal em que o hard news era um acompanhamento luxuoso da página, preferencialmente um belo infográfico que resumisse os acontecimentos das últimas 24 horas. O abre da página, e suas respectivas sub-retrancas, continham repercussão e análise.

Em esportes, esse experimento não teve o apoio do público: mais de 70% dos leitores do Diário do Grande ABC (onde pude experimentar o formato entre 1995 e 2000) deploravam o fato de que as declarações de vestiário _dadas bem após o jogo e, portanto, mais quentes_ eram mais valorizadas do que o relato da partida em si (relegado a um box acompanhado da ficha técnica).

Talvez, na época, a internet ainda fosse coisa de poucos, e a exigência pelo relato formal da jornada anterior, uma necessidade.

Ainda enxergo o jornal assim. Com o aconteceu ontem ajudando a construir um contexto capitaneado por informação exclusiva, analítica, de observação.

É subverter todo um modelo. Há outras subverções, e falaremos delas amanhã.

O teto da igreja caiu, mas onde estava o jornalista cidadão que não viu?

Há três dias falávamos aqui sobre a agilidade do cidadão jornalista (e até sua disputa pelo furo, como se viu no caso do avião que pousou no rio Hudson, em Nova York), e então neste domingo cai o teto de uma igreja evangélica em área densamente povoada (e cercada de prédios), em São Paulo, e a colaboração dos usuários é próxima do zero?

Como reagir a isso?

Enquanto escrevo (são 2h18 da madrugada desta segunda), há um mísero registro fotográfico no Flickr _que nem sequer evidencia, devido ao ângulo, a extensão da tragédia_, enquanto mesmo sob apelos, os guetos de jornalismo participativo dos grandes portais (Eu-Repórter, Minha Notícia, VC no G1 e Vc Repórter) não têm material algum produzido pelo usuário para exibir.

Nos sites de microblog, ao menos, a primeira menção ao incidente surgiu antes que Paulo Henrique Amorim desse a notícia de última hora na TV Record _que foi, até onde sei, quem deu o furo na grande mídia.

No You Tube, maior site de compartilhamento de vídeos, aparentemente há um único arquivo original, afora os tradicionais repliques dos canais do mainstream.

Nesta segunda voltarei ao assunto atualizando as coisa. Se você souber de algo que passou batido nessa análise inicial, avise. Quem sabe limpamos a barra do jornalismo cidadão tupiniquim? Por ora, baita fiasco…

ATUALIZAÇÃO: Voltei, conforme prometido. Tarde, mas voltei. E não há nada a atualizar. De fato, a colaboração no caso do desabamento do teto da sede da Igreja Renascer não teve nenhum episódio novo, nem nas plataformas independentes nem nos portais que oferecem o “gueto colaborativo”. De prático, sobrou a troca de impressões, na caixa de comentários, com Ana Brambilla, que acrescentou ingredientes saborosos para tentar entender essa ausência de jornalismo entre os cidadãos que presenciaram o fato.

Nunca no horário das refeições

Lembra que, por decreto, o senado da Romênia aprovou uma porcentagem de “notícias positivas” que deveria ser obedecido pelas TVs e rádios do país? Pois bem, a sandice agora chegou ao Brasil.

Foi apresentado na terça-feira, em Brasília, o Projeto de Lei 4220/2008, de autoria do deputado Clodovil Hernandes (PR-SP) _quarto mais votado da atual legislatura, com 493.951 votos no pleito de 2006_ que versa sobre “restrições à exibição de imagens e notícias violentas pelas emissoras de televisão durante os horários das refeições”.

O furo é da coluna de Ancelmo Gois em O Globo.

A justificativa do nobre deputado: “O horário das refeições é um momento especial das famílias, quando pais se encontram com seus filhos, as experiências diárias são compartilhadas e a estrutura social é solidificada. Esse importante evento familiar, para que seja pleno e contribua para a emancipação do instituto familiar, deve ocorrer em um ambiente de paz e tranqüilidade, preferencialmente isento de intervenientes externos que possam comprometer sua qualidade.”

O projeto determina, inclusive, quais são os tais “horários de refeições”: entre 7h e 8h30; das 12h às 14h e das 18h às 20h. Eu, que almoço às 15h e janto às 21h, portanto, estou liberado para assistir a imagens e notícias “violentas”.

Segundo Clodovil, “Em sua busca desenfreada por lucros e audiência, esses veículos de comunicação social optam por transmitir em horários que coincidem com as refeições – horários de maior audiência – programas noticiosos que, freqüentemente, vêm carregados de cenas, imagens e notícias de conteúdo extremamente violento”.

É mais uma tentativa de regulamentar, por decreto, uma atividade que naturalmente deve ser controlada pelo usuário, do outro lado do balcão. Não gostou, mude de canal ou desligue a TV e vá ler um livro. Ah, esqueci: ler durante a refeição faz mal, já dizia minha vó…

Projeto em Jornalismo Impresso I – Aula 10

Estamos chegando ao final do curso de Projeto em Jornalismo Impresso I. Ao mesmo tempo em que buscamos a definição de um modelo a ser produzido em conjunto no próximo semestre, discutimos o contexto da imprensa em papel e seus desafios perante a crise econômica e o fortalecimento de novas mídias.

Nesta sexta (7/11) debateremos o livro “O Destino do Jornal”, de Lourival Sant’Anna, que permeou parte de nossas discussões nos últimos meses. Nunca perdemos de vista a desatualização flagrante da obra _algumas entrevistas foram realizadas há mais de dois anos, uma eternidade no cenário atual de transformação.

Porém a tese de mestrado do repórter especial de O Estado de S.Paulo tem vários aspectos esclarecedores, como pesquisas qualitativas que mostram, ainda que de forma tortuosa (o leitor é assim, não consegue se expressar direito sobre o jornal que lê e muito menos sobre o que desejaria ler), para onde caminha o novo leitorado.

Beth Saad, professora da USP que orientou a pesquisa de Sant’Anna, é quem faz a observação que melhor ajuda a compreender o momento hesitante dos jornais impressos brasileiros: eles são absolutamente refratários a mudanças.

Jornalismo participativo é tirar foto de pôr-do-sol?

O Globo iniciou nesta semana uma campanha agressiva para incentivar seus leitores a participar da elaboração do conteúdo não apenas de seu site, mas também do jornal (o uso de conteúdo produzido pelo usuário no jornalão, aliás, já tinha sido identificado pelo Webmanário há meses).

Porém pelo que diz o editor-executivo de interatividade do Globo Online, Aloy Jupiara, não se deve esperar nada além do já manjado “meu-cachorro-fez-xixi-no-poste”, que é o conceito de notícia que boa parte das pessoas “de fora” da profissão possuem _pena, tenho de admitir, que há muitos dentro da profissão com esse mesmo nível de entendimento.

“Se o leitor tira a foto de um lindo pôr-do-sol com o celular, ele pode mandar direto para o email
eureporter@oglobo.mobi”, diz Jupiara ao Comunique-se. Meu deus do céu: então quer dizer que a participação que queremos do leitor é uma foto de pôr-do-sol?

É por essas e por outras que o jornalismo participativo, especialmente no Brasil, segue apenas como um doce oferecido pelo mainstream ao seu público. Não há a disposição de contar com conteúdo jornalístico, apenas uma área (em boa medida restrita) para dar aos usuários a possibilidade de brincar de interação, de fazer as vezes de jornalista.

O jornalismo participativo empacou, é fato. Nesta sexta-feira, a partir das 10h, falarei justamente sobre esse tema durante o 7º Simpósio Multidisciplinar “Identidades Brasileiras: olhares cruzados” do Unifai (Centro Universitário Assunção), em São Paulo.