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Jornais e TVs investem contra portais de internet

Chegou à Procuradoria Geral da República uma representação que promete provocar bastante barulho: ANJ (Associação Nacional de Jornais) e a Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), em nome dos veículos de comunicação brasileiros, consideram que portais de internet (casos específicos de Terra e Ig) controlados por estrangeiros estejam descumprindo a determinação constitucional que limita a 30% a participação forasteira no capital de grupos de mídia.

“Entramos com a representação com base em duas premissas: o de que a internet não é uma terra sem lei e o de que algum órgão público tem que fazer valer uma regra constitucional que está sendo flagrantemente desrespeitada”, disse Daniel Slaviero, presidente da Abert.

O grupo português Ongoing, dono dos jornais Brasil Econômico e O Dia, também está na mira das entidades patronais do mainstream.

É polêmica para mais de metro.

O Terra, por exemplo, pertecente à espanhola Telefónica, diz que não é um grupo de mídia, mas uma empresa de tecnologia. Fato, mas que produz conteúdo, como todo mundo sabe.

No cerne do tema não está a Constituição, mas uma mera questão de concorrência. Coincidentemente, justamente com a internet, que tantos apontam como a responsável por tomar leitores dos jornalões…

Crise acirra, e jornais intensificam demissões no Brasil

A nova edição do Jornalistas&Cia (Não conhece? Reúne o que rolou durante a semana nas redações pelo Brasil) dá conta de um banho de sangue em O Dia, com pelo menos 20 demissões.

Há rumores de passaralho rondando outros jornais, mas por ora os maiores têm conseguido evitar demissões em massa _optaram por trocas pontuais, as quais muitas envolvem redução da massa salarial.

É a crise.

E a responsabilidade do jornal?

A Polícia carioca diz ter identificado os torturadores de equipe de reportagem do jornal “O Dia”, capturados em 14 de maio enquanto faziam matéria especial sobre a milícia armada que tomou conta da favela do Batan, no Rio.

Reforço minha dúvida: e a responsabilidade de “O Dia”, como é que fica? Você acha seguro autorizar que três funcionários criem personagens, façam papel de polícia e infiltrem-se por duas semanas numa comunidade subjugada por um grupo paramilitar?

Não, nem a melhor matéria pode sobrepujar o bom-senso.

A repórter era experiente em cobertura de polícia, e o fotógrafo adorava retratar o morro. O motorista até agora não se entende porque foi exposto. Se ele não desempenhava esse papel na missão, por que foi incluído na representação?

Hoje, a vidas destas três pessoas, quase interrompida por um ato de barbárie, está paralisada. Vivem como foragidos num país do continente, enquanto suas famílias temem _com toda justificativa_ pela própria segurança.

Eu imagino como deve ter sido a concepção dessa pauta, o debate dentro da redação, a logística, o envolvimento dos protagonistas.

Óbvio, ninguém foi obrigado a nada. Mas é fato que não se pode bancar uma aventura dessas, há um limite para o exercício da jornalismo. “O fato, ocorrido há duas semanas, só foi divulgado agora para garantir a integridade física dos envolvidos”, diz Alexandre Freeland, diretor de Redação de “O Dia”, em nota oficial.

“Garantir a integridade física dos envolvidos”, na minha língua, é impedir desvarios.

Equipe de reportagem é torturada em favela do RJ

ATUALIZAÇÃO: Três anos depois, o fotógrafo Nilton Claudino relatou todo o drama à revista Piauí

Repórter, fotógrafo e motorista do jornal carioca “O Dia” foram brutalmente torturados quando faziam reportagem sobre o o poder das milícias _grupos formados por militares que gradualmente estão expulsando traficantes de favelas da cidade, mas impondo ainda mais terror aos moradores.

A agressão ocorreu no dia 14 de maio na favela do Batan, invadida há pouco menos de um ano. O jornal tornou a história pública neste sábado, dizendo ter sido cauteloso para preservar a integridade física de seus funcionários e as investigações policiais.

Tim Lopes não pode ser apenas uma ocorrência num site de busca. Definitivamente, jornalista não possui treinamento em operações especiais. Coincidência macabra: é amanhã, 2 de junho, o aniversário de seis anos do assassinato do produtor da TV Globo.

A questão aqui é: quem autorizou a permanência de uma equipe de profissionais, por 14 dias, numa comunidade sob fogo cruzado (expulsa da favela, a ADA tenta a todo custo restabelecer sua hegemonia)?