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Conan, o repórter investigativo

Imagine se Conan, o Bárbaro, fosse repórter investigativo. E encontrasse personagens avessos a respostas claras e assessores de imprensa especialistas em impor obstáculos (sem contar os chefes).

O povo do Wagner & Beethoven imaginou.

E a @kikacastro foi quem viu no Novo em Folha.

Centenas de documentários, de graça e sem cadastro, estão disponíveis on-line

Essa dica do Novo em Folha é absolutamente sensacional: centenas de documentários (esse fantástico suporte para a narrativa jornalística e a reconstrução de uma história) absolutamente de graça, ao alcance de um clique, sem cadastros ou outras “bullshitteries”, como eu adoro dizer.

Eu vou passar uma boa parte do domingo explorando esse acervo… E você?

Curso de jornalismo à distância em 28 semanas

No meu tempo, curso à distância era sinônimo de picaretagem. Tinha, óbvio, picaretas, mas podia ter também gente séria que, simplesmente pelo fato de oferecer conhecimento sem presença física, era jogada no mesmo balaio.

Hoje, ainda que haja resistência daqueles que veneram o passado e gostam de sofrer, é cada vez menor a necessidade do presenteísmo. Todos podemos desempenhar quaisquer funções intelectuais _característica principal do jornalismo_ do sofá da sala, via celular, por exemplo.

O EAD (ensino à distância) não só foi adotado pelas universidades como é hoje uma exigência curricular do MEC. Saber trocar informações remotamente por meio do uso de dispositivos tecnológicos não é mais uma opção _é obrigação profissional.

Em 1968, claro, não era assim. Mas o bom e velho Correio levava pra lá e pra cá apostilas com um sem-fim de conhecimento (legítimo, plagiado ou equivocado, enfim). Eram os cursos por correspondência, entre os quais se destacava a marca do Instituto Universal Brasileiro, que investia fortemente em publicidade em revistas e jornais.

Aliás, fui pesquisar e descobri que o IUB não só ainda existe (“desde 1941”, como ressalta no site) como se adaptou aos novos tempos e, evidente, oferece cursos também pela web.

A Cristina Moreno de Castro, nossa popular Kika Castro (aliás citada ontem aqui mesmo neste espaço) ganhou um presentão no final do ano: um leitor de seu blog em parceria com a editora de Treinamento da Folha, Ana Estela, remeteu as 28 lições de um curso de jornalismo à distância que contratou em 1968. E as apostilas são forradas de pérolas, boas e ruins.

Coisas como “O lead deve ser uma promessa de grandes coisas e a promessa deve ser cumprida”, ou “A notícia deve ter o tamanho de uma saia de mulher, curta bastante para atrair a atenção e bastante longa para cobrir o assunto” ou ainda “Uma tendência quase geral dos repórteres esportivos é a de dramatizar certas passagens ao descreverem uma partida. (…) Não deve o jornalista deixar-se envolver pelas paixões da multidão”.

O resto tá lá, no Novo em Folha. Aliás, uma dúvida: teria sido este curso oferecido pelo Instituto Universal Brasileiro?

O que é preciso para ser jornalista, a saga

Com Ana Estela (editora de Treinamento da Folha de S.Paulo), termina provisoriamente a série “O que é preciso para ser jornalista”, da qual orgulhosamente fui um dos pioneiros.

A série consiste de pílulas de jornalistas da Folha opinando, via de regra em menos de um minuto, sobre características que um jornalista precisa ter. O conjunto da obra é bem importante. Várias dicas legais.

O chato é que amanhã vou falar de novo do blog Novo em Folha, blog de verdade, criado pela Ana e tocado (principalmente) pela Cristina Moreno de Castro, aliás @kikacastro. Aí, fica parecendo marmelada…

A Cris ganhou uma pérola de presente. Mas amanhã eu ‘repercuto’.

A poesia a serviço do jornalismo (!?)

Juan Ruiz Cruz, um dos fundadores do inquieto jornal espanhol El Pais, esteve na Folha de S.Paulo nesta semana conversando com a redação.

Quem conta é a Cristina Moreno de Castro, toda prolífica no Novo em Folha, um blog de verdade sobre ensino do jornalismo e mídia.

Não fui e explico o motivo: era das 19h às 20h, justamente o meu pico de fechamento…

Curioso que Cruz citou a poesia como um caminho para escrever melhor. A capacidade de sintetização do gênero é exemplar, em sua opinião. Eu, que nunca tinha pensado nisso, acho um disparate. Mas, quem sabe. Vale avaliar.

Falta reportagem, não repórteres

Costuma-se falar muito sobre o papel do repórter num jornal. Claro, é o cara que está na linha de frente da notícia. Sente-se muito a falta do repórter, especialmente em produtos on-line. Mas peralá, esse é o único cara da redação que está na rua? Eu também estou, oras. Só ele fala com pessoas e detecta coisas? Afe…

A questão, quando analisamos a crise do jornalismo mundial (financeira e de credibilidade), provavelmente passa pela falta de reportagem, não necessariamente de repórteres. Em jornalismo, assim como todo mundo edita, todos têm de sentir o pulso das ruas, nem que seja na esquina da própria casa, no supermercado, no trânsito.

Imagine um jornal produzido e fechado integralmente por repórteres. Ele jamais iria às bancas. O repórter tem, por definição (e com as devidas exceções), uma visão limitada e centrada em seu foco de atuação (é a tal da setorização, tão boa e, ao mesmo tempo, tão ruim).

Quem amarra os assuntos e liga os pontos é a turma do fechamento, do ar-condicionado. É o editor e seus fechadores (sejam redatores, assistentes ou o que seja). Bem diz minha colega Ana Estela que a tarefa de quem liga os pontos é tão nobre quanto. Porém relegada ao último plano, porque seu nome quase não aparece.

Dane-se meu nome.

Sem ovos não há omelete, eu sei. Mas os caras da “bunda na cadeira” podem perfeitamente apurar, aparar arestas, propor sinapses. O repórter também, claro. Mas normalmente ele está sendo cozido numa caldeira que contém todo o caldo informativo.

O trabalho de acabamento, a ourivesaria, como bem diz meu editor José Henrique Mariante, é da turma de cá.

Eu exijo mais reconhecimento ao povo do fechamento. Juan Luis Cebrián, uma das cabeças pensantes do El Pais (um diário que há décadas tenta fugir do hard news e oferecer conteúdo diferenciado), fala, como a Ana, da importância de quem burila o material a ser publicado a partir do bruto apurado pelo repórter.

Sintam falta de reportagem, não de repórteres. Todo jornalista tem a obrigação de apurar. Faz parte do metiê. Se falta apuração no produto jornalístico que você lê, a culpa é de todo mundo.

O poder material de um jornal impresso

O papel é mais importante do que o que está escrito nele? Há quem acredite piamente nisso, como se das páginas de um veículo impresso emanasse uma espécie de autoridade moral e social que, por si só, tornasse melhor e mais combativas as informações expostas ali.

Há tempos a Ana Estela, do Novo em Folha, ensaia falar sobre o tema. Enfim saiu.

“Os impressos, por vários motivos _materialidade física, permanência, edição gráfica, circulação geográfica e demograficamente conhecida_, têm um papel de espaço público e de agente político que os on-line não têm (ainda, pelo menos)”, diz a Ana, que é editora de Treinamento da Folha de S.Paulo (registre-se: que dá bastante ênfase ao jornalismo multimídia).

Daí eu fico pensando se aspectos sociológicos e antropológicos podem se sobrepor a questões práticas como o cardápio de um veículo, seja ele uma rádio, uma TV, um site na internet ou mesmo um jornal ou revista, que andam tão em baixa (sempre importante repetir, muito mais no Hemisfério Norte do que aqui).

É fato que o jornal em papel é uma instituição até mesmo da democracia. Mas essa condição, como estamos assistindo, não é suficiente para evitar sua extinção. É por isso que zelar pelo jornalismo, independentemente da plataforma, é uma tarefa mais importante agora do que contemplar o poder que se esconde por trás de linhas e imagens impressas.

Discussões para dar e vender

Tem duas discussões bacanas correndo soltas na rede e eu, que gosto de sempre meter a colher, não perdi a oportunidade.

No Novo em Folha, a Ana Estela relembra o caso da frila de O Globo, agora cobrindo o conflito no Oriente Médio, que postou barbaridades (eram suas opiniões pessoais) num blog próprio. Olha só que loucura.

Eu sempre falo uma coisa: tome cuidado com sua vida pregressa on-line. O jornalismo é uma atividade pública. Usar um site pessoal para tomar posições políticas, religiosas e até sobre futebol (sobre futebol, aliás, evite, sua vida pode virar um inferno) exige ter a consciência de que certamente haverá um ônus.

O meu, quando critico veículos jornalísticos aqui, pode significar entrar na lista negra deles, não?

Pelos comentários lá no Novo em Folha, o povo acha que tudo bem, que seria uma invasão tomar uma publicação pessoal como algo público. Eu acho ótimo ter opinião. Mas lembre-se: é provável que a sua fique eternizada na rede e crie, no mínimo, algum tipo de obstáculo ou reparo ao seu desempenho profissional.

Em outra frente, estamos debatendo no Libellus, da Ana Brambilla, o discurso no microblog.

O ponto de partida foi um post da Ana _quem mais conhece sobre jornalismo colaborativo no Brasil_ comentando o levantamento de que 35% dos usuários do Twitter (o site de microblog mais acessado) tem até dez “seguidores”.

A minha posição (por ora, a discussão prossegue): eu tendo a relacionar a baixa conectividade a outros usuários como reflexo da qualidade da micropostagem _ou à ausência dela.

Na medida em que o que vc posta é útil (isso em primeiro lugar), interessante (do ponto de vista intelectual) ou divertido (sim, há espaço para humor no microblog), a teia tende a crescer.

E você, o que é que acha?

Editores discutem os caminhos do jornalismo

Cerca de 400 editores de jornais do mundo todo estão em Gotemburgo, na Suécia, participando do Fórum Mundial de Editores.

Além do Editor’s Weblog (publicado pela Associação Mundial de Jornais), que faz cobertura ampla, recomendo a leitura dos posts da Ana Estela, editora de Treinamento da Folha de S.Paulo, que está lá e, como sempre toda solerte, mandando pau no Novo em Folha.

No Twitter, o povo do Journalism.uk está bem prolífico também.

O evento vai até quarta e falaremos dele seguidamente aqui.

O jornalismo, os blogs e os vídeos

A conversa começou num breve post do ótimo Novo em Folha sobre o uso de imagens em vídeo no jornalismo, ilustrada com uma foto de repórter usando, digamos, uma “robusta” filmadora _na verdade, as opções do mercado são miniaturizadas e cumpridoras (um equipamento daquele tipo, de verdade, se justifica apenas para uma emissora de TV).

O post da Ana Estela introduz uma entrevista do Poynter com o correspondente Travis Fox, do Washington Post. Esclarecimento necessário: hoje, Fox trabalha na maior parte do tempo como cinejornalista.

E daí? E daí que, quando falamos no uso de vídeos no jornalismo, em geral estamos nos referindo a pequenas intervenções muitas vezes gravadas com o mesmo equipamento amador que está à disposição do “cidadão comum”. Não se imagine carregando o mundo nas costas. A prioridade segue sendo coletar e filtrar informação.

Pois bem: daí um leitor do Novo em Folha, inspirado pela história de Fox e sobre o uso cada vez mais freqüente de elementos multimídia no jornalismo tradicional, enviou ao site o seguinte comentário: “Li seu post sobre o uso de vídeo e alguns artigos sobre o futuro do jornalismo e achei bem bacana a discussão porque hoje mesmo postei no meu blog uma impressão minha de que o jornalismo on-line está cada vez mais se aproximando do blog. Você concorda com isso? Pela força da ‘massificação’ do blog, estaria o jornalismo se transformando em “blogarlismo”? Ou estou sendo muito conservador e a tendência é essa mesma, ou seja, cada vez mais privilegia-se a instantaneidade e a interatividade em depreciação ao aprofundamento do conteúdo?”

A Ana respondeu a seu leitor dizendo que “não diria que, no geral, o jornalismo digital esteja se blogalizando, não”, e pediu que eu metesse a colher. Meti.

“As pessoas às vezes fazem essa confusão entre jornalismo e blog. A princípio, blog não é um produto jornalístico (afinal, ele nasce com o objetivo de conter aspectos pessoais com tinta opinativa _ambos bem distantes da “missão” que entendemos ser comum à profissão).
 
Contudo, seu poder mobilizador de multidões (crowdsourcing) e alavancador de pautas já tem sido usado por quem está sintonizado com as mudanças que a tecnologia está trazendo ao exercício da profissão.
 
É inegável que, como linguagem, o blog tem ganho espaço em sites de conteúdo exclusivamente jornalístico. Porém ele tem sido utilizado mais como um complemento virtual e, em muitas vezes, por absoluto desconhecimento das potencialidades de outras plataformas (eu brinco com a frase “ei, precisamos ter esse tal de blog urgente”).
 
O Clarín, que sempre está na vanguarda on-line, há tempos dispõe as notícias em sua home page na ordem cronológica inversa (uma clara citação ao modus operandi blogueiro). Essa talvez seja a mais notável influência.
 
Agora, em momento algum enxerguei qualquer movimento de fusão entre blog e jornalismo on-line. O blog é mais um produto virtual que o jornalismo emprestou e que está sendo tocado paralamente ao processo natural de coleta e seleção de notícias.”

Assim como o vídeo. Não queremos substituir a apuração tradicional da imprensa escrita por cinegrafistas-repórteres (fosse isso, era só todo mundo se bandear para a televisão). O lance multimídia é uma mescla entre as coisas. A idéia é ser complementar.