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Nanico estréia tecnologia 3G no Brasil

A primeira reportagem on-line feita com a tecnologia 3G no Brasil não coube aos jornalões, mas ao modesto Jornal NH, de Novo Hamburgo (RS).

Outra demonstração de que a tecnologia, capaz de colocar à disposição do cidadão comum a mesma infra-estrutura de que dispõe o mainstream, também encurtou a distância entre os grandes grupos de mídia e os nanicos.

Agora, quem está ligado nas novas ferramentas à disposição do jornalismo as coloca em prática. Enquanto isso, veículos como Folha, Estadão e O Globo assistem (alguns mais, outro bem menos) passivamente à corrida pela transmissão de dados via celular.

Corrida, por sinal, que está só começando. E que o excelente Jornalismo Móvel está acompanhando em cima do laço.

A midiosfera de Jeff Jarvis

Sucedam-me na tarefa de dar um nome em português para a “press-sphere” teorizada recentemente por Jeff Jarvis, um dos caras que melhor têm analisado as mudanças que a tecnologia está trazendo ao exercício do jornalismo.

Há dias eu devia algumas linhas sobre tese tão singela e, ao mesmo tempo, tão certeira. Por sorte, já houve quem tenha tentado decupá-la. E de forma tão crítica e lógica que também vale a pena escutar.

O desenho acima, por exemplo, mostra como era o mundo da produção da informação. Tínhamos o planeta, a mídia intermediando tudo e, por fim, nós, os pobres mortais, na base do organograma (é a representação mais simples e adequada que já vi na vida).

Pois bem, as conexões pessoais, profissionais e cidadãs atuais _turbinadas e capitaneadas pela web_ colocaram a mídia dentro de um conjunto de pessoas e instituições que se interrelacionam como se coexistissem numa grande bolha.

E só não enxerga isso quem não quer. Consumidores e empresas conversam em outro nível (a própria palavra “consumidor” já é considerada ultrapassada, pois sugere passividade, algo que positivamente não existe mais). O diálogo entre cidadãos e governo, idem, evolui positivamente.

Numa época em que pessoas comuns (a ex-audiência) agora podem relatar fatos acompanhados de fotos, vídeos e sons, por que achar que o modelo mídia-toda-poderosa-sem-questionamento se manteria intocado?

Daí Jarvis chegou à midiosfera. E ao gráfico abaixo. Vamos pensar sobre isso?

O que os futuros jornalistas deveriam aprender na faculdade?

Com a palavra, a professora americana Amy Gahran, que tem defendido (assim como eu) uma forte ênfase nas novas ferramentas on-line _e na habilidade gerencial dos alunos em admistrar idéias e negócios na rede.

O aspecto “econômico” das idéias de Gahran foi muitíssimo bem comentado pelo jornalista José Renato Salatiel.

A parte jornalística deixa comigo: a professora aponta, por exemplo, que simulações com ferramentas de administração de conteúdo são indispensáveis (como o trabalho com blogs que desenvolvemos em Jornalismo On-line).

Sua sugestão é que os alunos, reunidos em grupo, passem ao menos dois semestres alimentando e melhorando seus blogs _notadamente integrando-os a serviços como Flickr e Delicious.

Imersão em mídias portáteis, como estamos fazendo com o Twitter e com o Telog, é outra exigência atualíssima e indispensável.

Gahran cita como exercícios a inscrição a serviços de SMS disponíveis no mercado (para que possam ser criticados e avaliados pelos alunos) e também incentiva a participação em canais de colaboração dos grandes portais. Exatamente como fiz, pregando no deserto…

Outro ponto importante é o uso das mídias sociais (Facebook, Myspace, Orkut -arghhhhh!!!!) como instrumento de pauta e apuração, promoção do próprio trabalho e possibilidades de alcance externo.

Finalmente, entender a notícia como ponto de partida de um diálogo, não mais um discurso de mão única, é uma habilidade desejável no mundo jornalístico redesenhado pela tecnologia.

Agora, se você não souber como fazer um lide, meu amigo, desista.